domingo, 6 de março de 2016

Relato de Parto por Marcia Rotta Ribas - VABC


Hoje faz 1 mês que o pequeno Benjamim nasceu e decidi realizar o relato do meu parto para 
que além de eu reviver tudo o que passamos, eu possa ajudar outras mulheres que desejam um 
parto normal após terem uma cesárea.
Em 2011 após uma dengue hemorrágica resolvi parar o anticoncepcional e para minha surpresa 
no mês seguinte estava gravida! Foi um misto de sentimentos pois não esperávamos, afinal 
foram 16 anos de remédios. Infelizmente tive um aborto retido na nona semana de gestação, 
descoberto em um ultrassom de rotina, após de já termos escutado o coraçãozinho e estarmos 
todos empolgados com a ideia....Foi um processo dolorido, precisei de curetagem e muito 
conforto para o coração.
Após 5 meses descobri num teste de gravidez de farmácia que estávamos grávidos novamente! 
Veio a felicidade misturado com o medo da perda a cada ultrassom realizado. Eu não conhecia 
muito sobre como eram feitos os partos em Campo Grande, na minha cabeça todos os médicos 
primavam pelo parto normal e a cesárea realmente era realizada quando necessário. Quando na 
conversa com minha médica sobre o tipo de parto, a mesma disse realizar o parto normal e aí 
segui com o meu pré natal. Fui atrás de uma colega de faculdade que além de fisioterapeuta 
também era doula e comecei a me preparar. Com 32 semanas em US de rotina fui diagnosticada 
com aumento de liquido amniótico, placenta envelhecida e indicada a realizar um exame de 
ecocardiograma fetal, no qual foi constatado espessamento de septo ventricular....resumindo...


”Temos que tirar seu filho antes das 40 semanas porque a chance dele ir para uti num parto normal é de 40%”. Mediante dessas informações a cesárea foi marcada e nasceu o nosso lindo Benício, numa cesárea com a presença da doula, marido, minha cunhada pediatra, enfim me senti acolhida e tudo o que eu queria era que ele viesse bem e saudável, independente do tipo de parto. 
Estávamos felizes, porem eu tinha aquela pontinha dentro de mim de frustração. A médica na sala de recuperação deu um tapinha na minha perna e disse: “ você queria normal não é? Espera dois anos e tentamos de novo”. Me deu um beijo e foi embora, e eu descrente de que ela realmente realizara parto normal, pois no dia que o Benício nasceu ela realizou todas as consultas dela, me marcou para 18:30 e mais duas depois de mim 
19:30 e 20:30.
Em junho de 2015 veio o inesperado novamente: um teste de farmácia positivo! 
Eu queria outro filho, porem esperava me preparar para isso...rsrsrsrs... Senti que era uma benção pois estava 
prestes a completar 39 anos e o meu primeiro filho 3 anos! 
Logo descobrimos ser outro menininho, o que encheu meu coração de alegria! A gravidez estava muito tranquila, não tinham as ansiedades e medos da gestação anterior e eu me sentia cada vez mais forte e disposta...porem não estava feliz com a minha médica. Até que conversando com uma paciente gestante ela me falou da Fabrina, a doula que ela estava tendo aulas, peguei o telefone e mandei um whats app. 
Na conversa com a Fabrina ela me deu indicações de alguns médicos que realmente realizam o parto normal, pedi ajuda dela para consegui marcar com a Dra Sandra, o qual fui consultar com 5 meses. 
Foi amor a primeira consulta, lá ela me explicou que minha cesárea anterior foi sem indicação e que eu tinha tudo para conseguir meu pn, mesmo tendo essa cesárea anterior e no ano em que iria completar 40 anos! Continuei minha rotina normalmente e as consultas com a Dra Sandra. Gravidez tranquila não fosse por tudo o que escutei quando mencionava a minha vontade em ter um parto normal. Seu primeiro filho foi normal? 
Voce é louca? Com tanta tecnologia para que isso? Ahhh você não tem mais idade pra isso...Enfim em 9 meses a cada 10 pessoas, 9 eram contra ao meu desejo! Eu tinha vontade de dizer que o Benício tinha vindo de parto normal,que eu queria que o Benjamim pudesse escolher o dia e a hora dele, que eu queria me recuperar mais rápido ate pra poder pegar o Benicio no colo! 
Me mantive firme com o apoio da Dra Sandra e da Fabrina que sempre me disseram que eu podia.
No dia 03 de fevereiro de 2016, com 39 semanas e 3 dias, retornei a universidade e as aulas. Me sentia muito bem, conversei com os alunos, meu filho também tinha retornado a escola, estava tudo se encaminhando. 
Fui no RH e entreguei um atestado e pensei que ia aproveitar uns dias antes do Benjamim chegar, vim pra casa e desfiz a mala da maternidade para repassar as roupinhas do bebe e as minhas. Eis que de madrugada as 1:20 senti uma contração forte e escorrer um liquido, fui ao banheiro e minha calça estava molhada. Vim pro sofá e forrei uma toalha e ate as 6:30 foram mais 3 contrações fortes. Levantei e fui fazer a mamadeira e acordar 
meu filho quando as 7:20 perco o tampão e minha bolsa estoura. Meu marido foi levar o Benício e eu refazer a mala. 
As contrações estavam irregulares e bem suportáveis. Falei com a Dra e ela estava na maternidade em dois partos e me disse que para quando pudesse para ir até lá. 
Continuei arrumando a mala, falando com a Fabrina e meu esposo em casa em uma audioconferencia. 
As 11:00 fomos para a maternidade e já tinha contrações a cada 20 – 30 minutos. 
Uma outra medica me examinou e eu só tinha 1 dedo de dilatação. Falei com a Fabrina e a mesma me aconselhou a almoçar bem e acalmar meu coração que a hora estava chegando. 
Fomos caminhando ate o restaurante e a caminhada intensificou as contrações. Chegamos em casa próximo as 14 hs e avisei minha mãe que logo se arrumou para vir para minha casa. 
tempo entre uma contração e outra só diminuía e elas vinham cada vez mais fortes. As 15 hs 
meu marido ligou para Fabrina e para a Dra Sandra e fomos todos para o consultório. 
Ao abrir a porta do consultório veio uma contração que me lançou ao chão. A Dra Sandra veio e me 
levantou do chão e me levou para examinar. Eu ainda estava com 1 dedo mas a Dra viu que eu estava desidratada e resolveu me internar para que eu pudesse ser hidratada e aguardar o parto. 
Fomos todos para a maternidade e chegamos lá as 16 hs, nesse momento a Fabrina (anja) me ensinou o que fazer com as contrações, pois quando elas vinham eu me prendia inteira, foi aí que ela me explicou que com o comportamento de corpo que eu estava adotando o parto não ia acontecer.... na maternidade foi um vuco vuco pois era véspera da sexta de carnaval e adivinhem?  Não tinha vaga, a preferencia eram das pessoas que tinham marcado, estava cheio de césareas eletivas e eles tinham prioridade pois os apartamentos estavam agendados... Oi? É esse incentivo que tem o parto normal? Me senti muito mal e desamparada pela instituição, até que a minha médica me pede para ficar tranquila que ela dará um jeito. 
Fui para o banheiro (pois tinha outras duas gestantes na mesma sala) e fiquei lá com minha dor...uma contração atrás da outra e eu queria ficar ali...Fabrina entrou e me retirou dali, pois a enfermeira já ia nos levar para sala de parto...até que escuto que não tem sala de parto disponível.... me colocaram na cadeira de rodas e segui pelo corredor. Até que me deparo com a sala 4 e a Dra retira delicadamente uma paciente de lá que ainda estava com as contrações irregulares.
Lembro da porta abrir e dar de cara com o relógio 17:05. A doutora Sandra enche a banheira enquanto entre um intervalo de contração uma enfermeira me dá um soro e a Fabrina me coloca na bola.
Vejo meu marido e as pessoas meio embaçadas, escuto muito longe, pronto....cheguei na Partolândia (como diz a Fabrina)...era eu e a minha dor ali...entrei na piscina e as contrações não davam intervalo...Dra Sandra com o Sonar a todo tempo vendo que meu Benjamim estava bem. Até que ela pergunta “ Márcia porque está fazendo força?” e eu respondo: “Porque estou com vontadeeeeeee!”


Aì ela pede para eu sair para me examinar e diz: “ Gente vocês não vao acreditar!!! 9 dedos vai nascerrrr já já!!” 
Aí fiquei alí na cama, sobe a barra da maca para eu me apoiar e eu faço força...não não é assim...quero ir pra banqueta, apóio no marido e faz força...não não é assim....até que me viro de joelhos no chão e me apoio 
na banqueta...pronto...achei a posição...senti que o Benjamim coroava, aquela sensação de queimação e a certeza de que em poucas forças teria meu filho nos meus braços....Mais uma força e nasceu...As18:04....Ahhh que sensação maravilhosa!!!!!!! Me sentei no chão com meu filho em meus braços! Ele ali comigo, fazendo os exames comigo e o pai do lado. Subi na maca e fui fazer a sutura, pois tive laceração, e num certo momento a Dra indicou a episiotomia (ela raramente faz pique, só num único caso, já explicado pra mim) mas como eu estava na partolândia... disse não a episiotomia...rsrsrsrs...Meu filho logo mamou e estava ali me sentindo realizada e completa. 


A noite tive uma hemorragia pós parto que não foi detectada pelas enfermeiras o que me traz um cansaço até hoje, mas estou tratando e logo estarei 100%. Mas desde 15 dias pós parto já dirijo e posso pegar meu Benício no colo. Apesar da laceração e da perda de sangue foi muito mágico e só foi possível porque a Fabrina e Dra Sandra a todo momento me disseram que eu podia e era capaz e ao meu esposo que talvez não concordasse com o tipo de parto, porem nunca questionou e me apoiou na decisão do inicio ao fim.
É possível esperar o dia e a hora do nascimento do seu filho, independente se ele vier via vaginal ou césarea.
O que importa é a equipe que te ampara e faz daquele momento algo mágico e inesquecível.
Eu pari... após ter tido uma cesariana... pude perceber que todos ao meu redor naquele dia queriam parir comigo! Obrigada! 



( Lembrando: todo neném nasce roxo, ok!) rs 






FOTOS ENVIADAS PELA PRÓPRIA MÁRCIA 

FOTOS MARIANA CAMILO    https://www.facebook.com/Mari-Camilo-Fotografia-1638497156412128/?fref=ts

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Relato de parto - por Rayanne Guimarães


“Sou eu quem faz vir as dores de parto; será que eu não vou deixar que os filhos nasçam? Sou
eu, o Senhor, seu Deus, quem está falando.” (Isaías 66, 9)



Inicio dessa maneira o relato da experiência mais incrível de minha vida, com uma passagem
que li exatamente no dia em que completei as 40 semanas de gestação, postada pela minha
querida obstetra Rúbia. Passagem essa que acalmou meu coração, no meio da ansiedade que
começava a tomar conta...



No dia 07 de maio de 2015, descobrimos que eu estava grávida, com 1 ano e meio casados,
nossa programação era que teríamos filho com 3 anos de casados, mas como diz o Cleiton,
“Deus é que sabe!” E realmente mal sabíamos o tamanho do presente que Deus estava
preparando para nós. Eu já estava pesquisando, e me inteirando mais sobre esse mundo das
grávidas e partos, por conta da minha grande amiga Jucymaire que estava grávida, amiga essa
que viveu junto comigo todas as novidades, medos e anseios de uma gestação. Sempre
imaginei que quando eu engravidasse eu teria um parto normal, o medo de anestesia, cirurgia
e o pós parto, me assustavam muito para pensar em uma cesariana. Nas minhas pesquisas,
conversei com outra amiga, Letícia, no qual me contou o relato do seu parto, foi onde eu tive
muita certeza de que eu queria um parto normal, natural e humanizado. E me enviou um
convite para ir num encontro da GAMAAL, onde me inteirei mais sobre o parto natural, com
uma ótima conversa com a Dra. Sandra Valéria e lá também conheci o trabalho de uma Doula
e seu importante papel antes, durante e após o parto, onde comecei a pesquisar as
profissionais que atuavam aqui.



Na minha primeira consulta na minha antiga G.O, quando disse a ela que gostaria de um parto
normal, ela não se mostrou tão receptiva, comecei então, a busca de uma obstetra que fizesse
parte desse sonho. Descobri que não eram muitos os obstetras que apoiavam o parto natural
humanizado, foi quando a Letícia, me indicou a Dra. Rúbia. Agendei uma consulta com ela, e
tive a certeza que ela que faria meu parto.



Entrei em contato com a Fabrina, e marcamos um encontro, eu e o Cleiton nos simpatizamos
muito com esse jeito sincero e extrovertido dela, nos passou muita confiança e tivemos
referencias ótimas dela, decidimos então que ela que participaria desse momento com a gente.
Acreditamos com toda certeza que tudo foi providência Divina. E agradeço muito a Deus por ter
colocado esses dois anjos em nosso caminho: Rúbia e Fabrina.



Toda gestação foi muito tranquila, completei as 40 semanas no dia 16 de janeiro, e não tinha
nenhum sinal de que o trabalho de parto estaria próximo. Íamos praticamente um dia sim, outro
não, ao encontro da Dra. Rúbia, o bebê estava bem, porém meu colo estava grosso ainda,
muito fechado, então iríamos continuar esperando a hora dele... Essa espera, em certo
momento ia começando a se transformar em ansiedade, e todas as vezes que a ansiedade e o
medo começava a tomar conta, lembrava que eu havia me preparado, que não precisava ter
medo, apenas esperar a hora do meu pequeno, prestar atenção nos sinais que meu corpo
dava, entregar nas mãos de Deus e pedir a proteção e intercessão de Maria.



No dia 21, fiz um ultrassom e um cardiotoco, tudo continuava muito bem com o bebe, porém
meu líquido amniótico estava aumentado, e o Lucas estava ficando muito grande. Fui ao
plantão da Dra. Rubia, e ela pediu que eu fizesse um controle da minha glicemia durante dois
dias, pois na ultima curva glicêmica que eu havia feito, tinha dado uma diabete gestacional,
isso poderia ser a causa da demora de entrar em trabalho de parto, e a causa do liquido
amniótico aumentar. Se minha glicemia desse muito alterada, iríamos induzir o parto o quanto
antes. Fabrina me mandou fazer caminhadas, faxina, agachamento e namorar, pra tentar
agilizar as coisas...  Fiz o que ela me indicou, e fiz o controle das taxas glicêmicas e graças a
Deus, nenhuma deu alterada. Com isso pude ir até na comemoração de aniversário da
Dra.Rubia, no dia 22, apesar de eu não poder comer nenhum docinho, foi ótimo pra distrair um
pouco e ver tantos bebês, um mais lindo que o outro.



No sábado, dia 23, acordei com umas cólicas leves, falei pro Cleiton e ele apenas disse: “nosso
Lucas está chegando”  fiquei quietinha sentindo cada sensação do meu corpo... A noite iria no
plantão da Dra. Rúbia, chegando lá, contei das cólicas, que haviam ficado mais fortes e
frequentes no final da tarde, a Dra Rúbia vibrou, fizemos o toque e meu colo estava afinando, e
o tampão começava dar sinais de sair, a Dra. mandou tomar buscopan pra aliviar as cólicas e
tentar dormir, porque muito provavelmente no domingo, ou no máximo segunda, Lucas
Henrique estaria chegando. Fomos pra casa felizes, e eu só conseguia pensar que logo estaria
com meu filho nos meus braços. Tentei dormir, mas as cólicas foram ficando mais frequentes e
mais fortes, apenas de manhã elas deram uma espaçada nos intervalos e consegui tirar
pequenos cochilos. Acordei, falei com a Fabrina, ela me orientou a lembrar das nossas aulas e
começar aprender a lidar com as dores, mandando eu respirar fundo, soltar lentamente, mover
o quadril, usar a bola, etc.. essas dores pra mim foram totalmente suportáveis, pareciam uma
forte cólica menstrual. Avisei a Dra. Rúbia, e ela avisou que iria à maternidade, e perguntou se
eu não queria ser avaliada. Prontamente me arrumei, colocamos as malas no carro, e fomos
pra lá, fiz um cardiotoco, o bebê continuava bem, porém as contrações não estavam ritmadas
ainda, voltamos pra casa. A tarde fui caminhar, e as dores continuavam espaçadas, vinham de
9 em 9 minutos, 7 em 7min.. não pegavam um ritmo. Tentei dormir, mas passei a noite em
claro, as dores haviam aumentado, porém os intervalos era irregulares, tomei uns dois banhos
quentes na madrugada, pra tentar relaxar, mas não ajudou muito não.



Na segunda-feira, dia 25 de janeiro, aniversário do Cleiton, e o dia em que comemoramos 2
anos de casados, Cleiton já acordou radiante, com a certeza que nosso filho viria nessa data
tão importante pra nós, e seria o maior presente de aniversário pra ele. Fui tomar um banho, e
percebi que havia perdido o tampão. Avisei a Fabrina e a Dra. Rúbia, que pediu que eu fosse
até ela pra ela me examinar, e pediu que eu fizesse novamente um ultrassom com doppler e
um cardiotoco, só para termos certeza de que o bebê ainda continuava bem, pois já estava
com 41 semanas e 2 dias. Conversei com o Cleiton, e fomos já com uma certeza, de que se
não tivesse nenhum sinal ainda, iriamos pedir para induzir. Mas como Deus já havia preparado
tudo, quando a Dra. Rúbia me examinou, eis que eu estava já com 4cm de dilatação, porém as
benditas contrações ainda não estavam ritmadas, então ela mandou eu ir almoçar e caminhar.
E se as contrações ritmassem, nos encontraríamos as 14 hrs na maternidade. Fomos almoçar,
não consegui comer muito bem, e logo fui pra praça caminhar e as contrações começaram a vir
de 4 em 4 minutos, caminhamos 30 minutos e fui pra casa tomar um banho e me preparar.
Acontece que o banho me relaxou e as contrações voltaram a ter intervalos irregulares. Avisei
a Dra. e ela falou pra eu ir fazer a ultrassom. Fiz o cardiotoco, onde as contrações voltaram a
ficar de 4 em 4 minutos e na ultrassom, vimos que meu liquido amniótico não estava mais
aumentado e o Lucas Henrique havia encaixado, estava bem, os batimentos cardíacos
estavam ótimos. Terminando os exames, a Dra. ligou, e mandou irmos pra Candido Mariano.



Avisei a Fabrina, que já estava a postos, pronta pra ir pra maternidade. Passamos para pegar
umas águas de coco e chegamos na maternidade às 17:30, logo a Fabrina chegou. Não havia
sala de parto disponível, então a Dra. sugeriu que fossemos para uma área nos fundos da
maternidade, ao ar livre, pra eu continuar caminhando, pois minhas contrações ainda não eram
fortes o suficiente e nem ritmadas. Fiquei caminhando com o Cleiton e quando as contrações
vinham, Fabrina e o Cleiton revezavam e apertavam meu quadril, e conheci as famosas mãos
de fada da Fabrina com seu óleo mágico, que quando fazia massagens nas minhas costas,
aliviavam bastante. Depois fomos para uma salinha, pra Dra. me examinar, por volta das 19:30,
estava com 7cm de dilatação, e então a Dra sugeriu que todas as vezes que as contrações
viessem, eu fizesse agachamento e força para tentar romper a bolsa. Então a Fabrina pediu
que eu quicasse na bola e fizesse agachamentos... até que liberaram a famosa sala 4,
chegando lá, coloquei minhas músicas no celular para tocar, e o ambiente que se formou, foi
um ambiente tranquilo, de paz, eu não poderia querer estar em outro lugar, se não aquele.



Continuei fazendo os exercícios que a Fabrina me pedia, porque as contrações continuavam
sendo não tão fortes, eu já estava começando a ficar exausta, porem eu conseguia lidar muito
bem com as dores. Cleiton sempre ao meu lado, me encorajando e me dando total suporte. Por
volta das 20:30h a Dra foi me examinar, e a bolsa rompeu, com um pouco de mecônio e eu
estava com 9cm de dilatação, a Dra. auscultou o coração do Lucas e  me tranquilizou disse
que ainda não era sinal de sofrimento do bebê, porém não poderíamos virar noite a dentro em
trabalho de parto. A Dra Rúbia disse que eu precisava de glicose, saiu da sala e voltou com um
chocolate, um pé de moça e um pé de moleque e pediu para eu escolher, não queria nada,
meu estomago estava embrulhado, mas ela insistiu e eu comi o chocolate. Eu já estava
exausta, então ela sugeriu ou aplicar a ocitocina para intensificar as contrações, ou intensificar
os exercícios. Preferi intensificar os exercícios e fazer força todas as vezes que as contrações
viessem, só que eu já estava muito cansada, sentei na banqueta pra fazer força, e a Dra.
sugeriu novamente aplicar a ocitocina, eu tinha medo de que as dores ficassem insuportáveis,
mas concordei, pois era pro bem do meu filho, pra que ele viesse logo. Porem a ocitocina não
fez tanta diferença, a Dra estava o tempo todo auscultando o coração do Lucas Henrique, e eu
estava na banqueta tentando fazer força, porem não me senti confortável na banqueta, pedi
para tentarmos outra posição. A Fabrina sugeriu que eu subisse na maca abraçasse a bola e
ficasse na posição de quatro, na primeira contração já não consegui fazer força nessa posição,
e então pedi pra sentar na maca, sabia que aquela não era a posição mais favorável pro meu
filho nascer, porém foi a melhor posição que eu achei para fazer força. A cada contração, me
esforçava pra dar o melhor de mim e fazia força, me perdi no tempo, acredito que foram quase
2 horas que fiquei ali fazendo essa força que traria meu filho, estava muito cansada, mas eu
não poderia desistir, senti queimar meu períneo e a Dra Rúbia disse que já estava vendo o
cabelinho dele, me deu mais um ânimo pra continuar. Vi que o Cleiton estava rezando e, entre
o intervalo de uma contração e outra, rezei junto com ele silenciosamente, roguei a minha
Mãezinha que me desse mais força, que estávamos pronto pra receber o Lucas Henrique, foi
quando veio uma contração forte, fiz toda a força que eu tinha dentro de mim, quando eu vi que
meu marido já estava chorando e percebi então que ele já estava vendo o Lucas Henrique, a
emoção foi incontrolável quando senti ele escorregar e vi a Dra. Rúbia com ele nos braços e o
colocou nos meus, agradeci a Deus e Nossa Senhora por aquele momento e pela vida do meu
filho, ouvi o chorinho mais lindo do mundo, projetei todo o meu amor a ele e o coloquei no meu
peito. E foi assim, às 23:10 ainda do dia 25 de janeiro de 2016, nosso pequeno milagre chegou,
pesando 3,825g e 51cm, para nos presentear e completar nossas vidas.



Deus preparou tudo tão perfeitamente, que esse dia não poderia ter sido melhor, não me canso
de agradecer a Ele, por ter nos guiado até aqui.



 Agradeço a Dra. Rúbia, profissional extremamente competente, que se tornou amiga e nos
passou calma, confiança e paz a todo tempo, que fazia pequenas consultas virarem grandes
conversas divertidas que nos deixou extremamente tranquilos em todo trabalho de parto.



 Agradeço muito também à Fabrina, por todo o companheirismo, pelas conversas e conselhos,
ás vezes um tanto malucos rsrsrsrs, pelas aulas, pelos encontros, por nos ajudar a preparar
para esse momento, pelas massagens e palavras certas...



Agradeço à minha família, que apoiou nossa escolha, e esteve ao nosso lado a todo momento.
Agradeço pelas orações de todos os amigos, que vibraram  junto conosco ao nascimento do
Lucas Henrique e já o rodeiam de amor.



E por fim, agradeço muito ao Cleiton, meu esposo, por ter me apoiado sem pestanejar, sem
questionar, a todas as minhas decisões, obrigada por ser minha força, meu refúgio, por
acreditar em mim! Sem ele jamais teria chegado até aqui. Amo-te mais do que nunca!
Por mais que eu tente colocar por escrito todas as emoções e sensações desse dia, é
impossível descrever tudo o que eu senti. Viveria tudo novamente, se necessário fosse, pois o
parto que eu sonhei, foi melhor do que eu pensei, repleto de respeito, amor e humanidade!


RELATO FEITO E ENVIADO POR RAYANNE GUIMARÃES, E FOTOS ESCOLHIDAS E AUTORIZADAS PELA MESMA












quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Como controlar a dor de forma Natural durante o Trabalho de Parto

Quem busca por informações sobre o Parto Normal lê muito, e uma das matérias mais buscadas é sobre a dor do parto e como ajudar aliviá las.
A mulher pode se beneficiar de muitas técnicas não farmacológicas de alívio da dor antes ter que partir para uma analgesia.
Listei a seguir algumas técnicas que algumas gestantes usaram e tantas outras que tive conhecimento.
Espero que você use algumas e lhe ajude a focar no seu sonho e seguir em frente *_* 

AMBIENTE CALMO
Sabemos que ambientes agitados, nos agitam... então, a gestante deve buscar o contrário.
Quanto menos ruídos, conversas paralelas e desnecessárias, melhor é para a parturiente se concentrar e focar no seu trabalho de parto.
Pouca luminosidade e uma trilha sonora podem ajudar, fazendo com que ela só preste atenção na música que goste e se conecte mais e mais com seu filho. O escurinho ajuda a ação hormonal... não é atoa que a prolactina (responsável pela produção de leite) tem seu maior pico das 3 as 5 hs da manhã. 

RESPIRAÇÃO
Ao contrário que você vê nas "novelas", a forma correta de respirar durante a contração do trabalho de parto deve ser profunda ( tanto na inspiração quanto na expiração) e não de "cachorrinho" como vemos por aí :(
Portanto manter a respiração sem interrupções durante uma contração alivia e muito a dor .
"Puxar o ar como se estivesse cheirando uma flor, e soltar o ar como se estivesse assoprando uma vela", profunda e calmamente.
Essa respiração diminui a adrenalina, que é o hormônio responsável pelo estresse, ajudando a controlar a ansiedade, que muitas vezes intensifica a dor.

POSIÇÕES COM OU SEM EQUIPAMENTOS PARA ALIVIAR A DOR                                   
Muita mulheres ao perceberem a ritmicidade das contrações e com elas a presença de dor, buscam se movimentar e percebem que a dor é de certa forma aliviada. Portanto, tenha esta frase como mantra : 
" Caminhar para o Parto Normal " 
1- Bola de pilates: Sentar-se sobre ela e fazer movimentos diversos com o quadril, ficar de joelhos e abraçar a bola e fazer movimentos de vai e vem pra frente e pra trás.
2- Massagem: O companheiro pode fazer massagem firmes ou simplesmente pressionar a área dolorosa. Massagens nos pés e ombros também são muito bem vindas. Usar bolinhas e/ou massageadores na região lombar também podem ajudar.
3- Caminhar e/ou Embalar/Dançar : A caminhada além de ajudar a pelve feminina a se mover e ocasionar a descida do bebê, alivia também a dor. Fazer movimentos com o corpo como se estivesse dançando ou embalando um bebê também ajudam caso a caminhada já não te satisfaça mais. Algumas mulheres assim preferem fazer ao se abraçar com o companheiro ou com sua Doula. Basta dançar e respirar!
4-Acocorar: Ficar de cócoras para algumas mulher alivia tanto a dor que ás vezes elas acham que a dor parou e ao se levantarem novamente , a dor volta rs 

USO DE CALOR
O calor relaxa e deixa menos tenso a musculatura, ajudando assim que a dor diminua.
Portanto o uso de uma bolsa de águas quente ou sementes nas região lombar, ou o banho de chuveiro quentinho ou até mesmo entrar numa banheira, ajudam e já ajudaram muitas mulheres em trabalho de parto.

VISUALIZAÇÃO
A cada contração seu filho está sendo abraçado... a cada contração ele está mais perto do seu colo, peito.... a cada contração é menos uma que se foi! Usar a dor a seu favor, irá tornar menos obrigatório aquilo tudo. E sim fisiológico, natural, tolerável e aceitável. A dor irá te apertar, se você se apertar também irá piorar!! Portanto, se solte, visualize algo te livrando, te limpando. Algumas mulheres se veem de baixo de uma cachoeira. Outras até mesmo visualizam sua pelve/quadril abrindo. Chamam a contração!!Suas Lindas S2
AUXÍLIO DE UMA DOULA
A doula é uma profissional treinada para ajudar a mulher na hora do Trabalho de Parto. Ela dá apoio físico e emocional á gestante. Nós doulas sabemos e utilizamos de técnicas para amenizar a dor durante um trabalho de parto. 

Considerações finais...
Todo início de trabalho de parto é constatado quando a mulher tem contrações ritmadas de 5 em 5 minutos. Então, é de suma importância após a percepção desta ritmicidade a gestante ser avaliada. Se ainda não for a hora de internar, volte para casa e acalme seu coração. Volte ao seu médico na hora combinada com ele ou se as dores apertarem. Use e faça todos os métodos possíveis para amenizar sua dor... irá lhe ajudar! 
















segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Relato de parto Naara Rockel - VABC

Sou mãe de segunda viagem. Quando surgiu meu interesse pelo parto humanizado não
planejava ter outro filho, mas queria entender por que tantas mulheres estavam escolhendo um
parto com tanta dor e sofrimento. Hoje me sinto envergonhada por ter julgado tantas mulheres ao
ler seus relatos de parto sem ter o mínimo de conhecimento sobre o assunto. Não entendia a
verdadeira essência que esses relatos carregavam. Não podia imaginar o parto como ele
realmente é: o desfecho natural de uma gravidez. E que pode sim ser respeitoso e humanizado,
muito diferente do que conhecemos como parto normal.
Meu primeiro filho, Max, nasceu em 2012, através de uma cesárea. Segundo meu obstetra, era a
melhor opção. Nessa época não sabia nada sobre parto humanizado, e ao ouvir que no parto
normal eu estaria sozinha e meu bebê correria riscos pela imprevisibilidade deste, concordei que
a cesárea era a forma mais segura de trazer meu filho ao mundo. E ela realmente pode vir a ser,
dependendo da situação. Pode salvar vidas, caso necessária.
Algum tempo depois do nascimento do Max, tive meus primeiros contatos com a humanização do
parto. Comecei a ler relatos por curiosidade, por querer entender como tantas mães encaravam
um parto tão “arriscado” (essa era a concepção que tinha.). Enquanto lia os relatos, algumas
dúvidas surgiam em minha mente, porém continuava não acreditando nas verdades que lia. No
entanto, a sementinha havia sido plantada. Começava então minha busca por textos mais
técnicos, queria saber o que especialistas diziam sobre o assunto. Li textos onde enfermeiras e
doulas expunham suas opiniões e compartilhavam suas experiências. Compreendi que existia
sim uma outra forma de nascer. Mas isso estava longe da minha realidade já que eu não
planejava ter outros filhos.
Mas quem disse que tudo na vida é planejado? Novembro de 2014: eu já sabia, antes mesmo de
fazer dois testes de farmácia, um da rede pública e o exame de sangue. Meu namorido Max e eu
não esperávamos “esperar” justo naquele momento, ficamos perplexos! Estávamos enfrentando
uma crise, dessas que demoram a passar e achávamos que não era o momento para ter outro
filho. Mas acreditamos que quando Deus permite que as coisas aconteçam nas nossas vidas é
porque é assim que tem que ser, e decidimos nos separar, pelo menos naquele momento. Era o
melhor que podíamos fazer por nossos filhos, por nós e pela paz mundial. Contudo, a relação de
amizade e respeito continuava a mesma. Nos falávamos todo dia e decidíamos tudo em
conjunto, desde a matricula do filho mais velho até a troca de obstetra. Eu ainda não admitia que
queria o parto normal, tinha medo da chuva de críticas que receberia, já que minha família era
composta por mulheres cesaristas convictas (até a chegada do documentário O Renascimento
do Parto). Mas sabia o que não queria. Dessa vez não faria uma cesárea eletiva. Queria entrar
em trabalho de parto, queria esperar a hora do meu bebê e esse foi o ponto chave para a troca
de médico. Quando em uma consulta contei para meu obstetra que dessa vez tinha esse desejo,
a não ser que houvesse algum indicativo real para marcar a cirurgia, ele me disse: “ah mas assim
não dá, fica muito ruim para a minha agenda”. Obrigada, de nada, um beijo, tchau. Nunca mais
voltei. Uma amiga querida estava no fim da gestação e logo que contei que também estava
grávida, me indicou sua obstetra, a Dra Paula Lidiane. Uma Barbie de tão linda e uma profissional
maravilhosa. Amiga querida, que além da indicação da obstetra, ainda me encheu de
conhecimento, vários textos sobre partos naturais após cesáreas (VBAC), relatos, informações, e
conversas sobre sua própria experiência com o parto humanizado. Foi dali comecei a tirar meu
empoderamento para enfrentar quem quer que fosse. Sabia que não seria fácil. Em nossa
sociedade, os mitos que o sistema cesarista nos impões são muitos, e uma mulher que decide
fazer um parto normal sem intervenções desnecessárias é considerada louca, ainda mais depois
de ter se submetido a uma cesárea. “Uma vez cesárea, sempre cesárea”, parece ser a regra.
Conversei com o Max pai para fazê­lo entender minha decisão. Comecei a nutrí­lo com todas
as informações que havia adquirido: os benefícios, os riscos de uma cesárea desnecessária,
relatos, vídeos, tudo que chegava até mim, tudo que achava relacionado ao assunto eu mandava
para ele. Quando finalmente assisti o documentário “O Renascimento do Parto”, entendi que era
possível, que nosso corpo foi feito para parir. Senti que era isso que queria, e um parto
respeitoso era o que a Helena merecia. Em uma de minhas longas conversas, a amiga querida
me deu um conselho que até hoje me faz rir: “não quero você parindo sem uma doula...”. Foi um
dos melhores conselhos que recebi (Obrigada, Luya)! E foi dela também a indicação da doula
Fabrina. Conversamos primeiro pelo whatsapp, combinamos que conversaríamos pessoalmente
mais para frente, para ver se “o santo batia”, já que ela tinha alguns partos próximos e eu estava
trabalhando bastante. Mas naquela conversa eu já sabia que seria ela. E também já sabia que a
Dra Paula não acompanharia meu parto, pois bem na minha DPP ela estaria de férias. Então
combinamos que ela me encaminharia para um médico de confiança, com a mesma linha de
pensamento. Porém, quando assisti uma palestra da Dra Rubia Borges, soube quem eu queria
que acompanhasse meu parto.
Médica e doula devidamente escolhidas, família devidamente informada sobre o parto
humanizado, estava segura de que estava fazendo a coisa certa.
Fizemos as aulas com a Fabrina, eu e o Max pai, já bem próximo ao final da gestação. Ele
sempre presente, querendo saber o que podia, o que não podia, se empenhando pois sabia que
o que viria pela frente ia ser “tiro, porrada e bomba”. O acompanhamento com a Dra Rubia
também já havia começado e tudo evoluía muito bem, então faltava só a Helena estar pronta,
sem pressa, na hora dela.
E de repente, 39 semanas! Os pródomos já eram frequentes. No trabalho todo mundo já sabia:
quando vinha um, eu levantava da cadeira, abaixava, levantava de novo, e às vezes até
rebolava. Só quando voltava a sentar os olhos assustados à minha volta se acalmavam. Dois
dias após completar 39 semanas, perdi o tampão mucoso. Sabia que aquele já era um sinal de
que o útero estava se preparando para o parto, mas ainda podia demorar dias e dias para
começar de fato, então não fiz alarde. Mandei mensagem só para a doula e para médica. No
entanto, pródomos tiveram um aumento significativo depois disso e vinham com uma intensidade
que já me tirava a concentração no trabalho. Como a gravidez completaria 40 semanas em
alguns dias decidi que era hora de dar tchau e entrar logo em licença maternidade.
Fizemos a ultrassonografia e a cardiotocografia 3 dias antes de completar 40 semanas e embora
os batimentos cardíacos da Helena estivessem ok, os movimentos estavam lentos. A Dra Rubia
disse que repetiríamos o exame na manhã seguinte, por precaução, e nos aconselhou a passar
pela maternidade para uma avaliação. Lá eu soube a exata diferença entre ser atendida por uma
médica humanizada e por uma “profissional” que te vê apenas como mais uma ficha. Ainda bem
que não era a hora! Quando voltamos da maternidade tentei dormir, mas só conseguia tirar
cochilos, porque pródomos viraram contrações e já não eram apenas “uma dorzinha”. Estavam
começando a ritmar. Até que às 05h00 AM do dia 22 de julho de 2015 a bolsa estourou. Eu ouvi
um “PLOC” logo após uma contração. Fui ao banheiro apenas para constatar que não tinha feito
xixi na cama. Respirei fundo e comecei a repassar na minha cabeça tudo que havia aprendido.
Bom, eu sabia que não precisava de pânico nem pressa, porque a Helena não iria simplesmente
escorregar. Esperei até 06h00 AM para avisar a médica e a doula (melhor às 6h do que as 5h15,
rs). Como na noite anterior tínhamos ido a maternidade, deixamos nosso filho mais velho
dormindo com minha sogra. Tínhamos um plano: assim que eu entrasse em trabalho de
parto, ele ficaria com a minha irmã, pois não queria que ele me visse sentindo dor ou medo, e
sabendo que ele estava bem cuidado podia me desligar e me entregar à Partolândia. Todo
mundo avisado, whatsapp apitando (e me irritando, diga­se de passagem), as contrações
vindo... fui pro chuveiro e fiquei ali tentando entender o meu corpo e relaxar. Disse para Helena
que estava pronta e que ela podia vir no seu tempo. Minha mãe chegou em casa alguns minutos
antes de sairmos para repetir o exame. Vi que ela estava aflita e com medo, mas se mostrou
forte. Sabia que ela ficaria com o coração apertado durante todo o processo e pedi em
pensamento que Deus a confortasse e acalmasse seu coração, porque nós estávamos bem e
que tudo daria certo. No caminho para a clínica xinguei os buracos, xinguei o prefeito e queria
muito que o Max tivesse um avião e não um carro. Paramos em uma padaria porque ele me
lembrou que eu precisava me alimentar. Fui comendo no caminho, queria fazer logo o exame,
queria parir logo...
De novo batimentos cardíacos ok, movimentação lenta demais. Fomos dali para o consultório da
Dra Rúbia. Como eu já havia abandonado o celular, Max se encarregou de avisar a doula,
conversar com a médica, com a família, com os amigos... a dor já me tirava do eixo e eu só
queria que passasse logo... e passava. Antes que viesse a próxima contração, conseguia
conversar, perceber o que estava acontecendo a minha volta, pedir para Deus tomar a frente
naquele momento. Às 10h30 chegamos no consultório da Dra Rúbia. Enquanto esperávamos,
lembro de ver o olhar curioso de algumas pessoas na sala de espera. Ri da situação, já que não
é mesmo muito comum uma grávida em trabalho de parto zanzando por aí. Durante o
atendimento da Dra (esse sim cheio de respeito e carinho de um ser humano para outro),
descobrimos que já havia 1 cm de dilatação (oi? só isso???) e presença de mecônio no líquido
amniótico. A Dra, com toda sua paciência, me explicou que estava tudo certo. O mecônio estava
fluído (havia muito mais líquido amniótico do que mecônio) e por isso não era um indicativo para
cesárea. Pediu para caminharmos em uma pracinha quase em frente ao consultório, para
acelerar a evolução. E lá fomos nós. EU dava 5 passos e parava. Lembrei que agachar alivia as
dores, e a cada contração segurava o braço do Max e agachava, me balançando de um lado
para o outro, até passar. Quando passava, discutíamos sobre o que faríamos. A notícia do
mecônio, mesmo que fluído, nos deixou apreensivos. Andamos mais um pouco e uma senhora
parou de carro para oferecer ajuda. Achei fofo, mas a contração veio e foi o Max quem explicou
que eu estava bem, que era para acelerar a dilatação, indicação da médica... uma graça, os dois.
Ela, por se preocupar com uma estranha, e ele, por pacientemente explicar a situação à ela
(quem o conhece, sabe bem que paciência não constitui sua personalidade, rs). A senhorinha
não foi a única a parar. Mais outra jovem senhora e também um casal pararam para oferecer
ajuda (de novo a estranheza ao ver uma grávida em TP zanzando por aí...). A volta na pracinha
durou aproximadamente uma hora, exatamente o tempo que deveríamos caminhar. Outra
padaria na reta; eu estava com sede e queria um suco (“Do que?”. “Sei lá, de qualquer coisa
gelada”). De volta ao consultório, descobrimos que já eram 4cm de dilatação (uhuul, tá indo
rápido!). Eu disse que estava com medo por causa do mecônio, queria saber os riscos. A Dra
mais uma vez nos explicou que para ela não era indicativo de cesárea, que nós faríamos outra
cardiotoco na maternidade para ver se estava tudo bem, mas me disse que se eu quisesse uma
cesárea ela faria como eu decidisse. Sabia que ela estava sendo sincera. Em nossa primeira
consulta ela havia me dito que nunca arriscava. Lembrar disso me deu segurança. Fomos para a
maternidade e assim que chegamos, a moça da recepção me mandou para a salinha de repouso
enquanto Max dava entrada na papelada da internação. Entrei e tive medo. A contração veio em
seguida e tremi. Pela primeira vez eu estava sozinha. Me lembro de implorar a Deus que a dor
passasse. O medo embargou minhas ideias, fez com que a dor parecesse insuportável. Não
conseguia lembrar de nada além da dor. Entre os intervalos das contrações, bolei um plano na
minha cabeça: não queria mais sentir dor, então, assim que a Dra Rúbia chegasse, eu diria que
estava com medo por causa do mecônio e queria fazer a cesárea. Repassei isso na cabeça
durante o tempo em que fiquei sozinha na sala. Foram os 10 minutos mais longos de minha vida.
De repente a porta se abriu e eu ouvi: “E aí, nega?”. Quando abri os olhos e vi a Fabrina, todo
medo que estava pairando na minha cabeça sumiu. Me senti confiante de novo, e meu coração
se encheu de paz. “Agora começou”, pensei. Logo atrás entrou a Dra Rúbia, e em seguida o Max.
Pronto, eu não estava mais sozinha (Obrigada, Deus!). Fabrina já chegou com suas mãos de
fada, massageando, empurrando a cada contração, me lembrando de respirar e vocalizar (E não
é que vocalizar ajuda mesmo a aliviar?). Mais um exame, sem nenhuma alteração nos
batimentos. “A Helena tá bem, gata, fica tranquila.”. A voz doce porém firme da Dra me deu novo
ânimo.
Fomos para a sala de parto. Depois de ouvir que já eram 6cm (Caraca, vem que vem Helena!),
Fabrina me disse para entrar na banheira. E eu, que sempre me encantei com os relatos sobre
partos na água e com as fotos que via, não senti nenhuma vontade de entrar na banheira. Senti
foi uma imensa vontade de fazer força. Meu corpo pedia por isso, ninguém precisou mandar.
Meu corpo sabia exatamente o quê e quando fazer. Testamos algumas posições, mas na
banqueta eu me achei. Ora o Max apoiava as minhas costas, ora a Fabrina massageava. As
contrações vinham fortes, e, quando vinham, eu sentia uma calor absurdo: “Liga o ar
condicionado!”, eu dizia. Mas quando passavam, eu implorava por meu casaco (a louca da
temperatura, hahahaha). Mas a Fabrina, prevenida como ela só, tinha um leque para amenizar o
calor sem ficarmos na guerra do liga/desliga. Em alguns momentos eu era quem desligava e me
concentrava apenas no que estava sentindo. Sabia que estava mais próxima de segurar minha
‘pequeninha’ a cada contração, e focava apenas nisso. Em outros momentos, queria participar da
conversa que seguia animada na sala de parto. Cada vez que a Dra ia auscultar os batimentos da
Helena, perguntava se podia, esperava ser o melhor momento para mim, sempre com um olhar
de carinho e respeito. Fabrina sempre por perto, me lembrando porque eu estava ali, me dando
água, oferecendo chocolate, cuidando de mim, do meu bem estar. O Max, que se manteve calmo
e paciente desde o início, me incentivava com palavras e carinhos (quando eu largava o braço
dele). Até que a dor sumiu, a vontade de fazer força me dominou, e eu me entreguei de vez à
Partolândia.
A partir desse momento não assimilei mais nada do que acontecia à minha volta. Depois fiquei
sabendo que a Luya chegou mais ou menos nessa hora. Minha amiga querida, fonte de
informação é quem iria fotografar a chegada da Helena, mas ela estava nervosa e na pressa de
sair de casa deixou a bateria da câmera carregando (Um salve para os smartphones,
hahahahahaha).
As contrações agora eram diferentes. Eu conseguia sentir que a cada uma delas o corpinho da
Helena descia, sabia que o momento estava chegando e naquela hora eu só queria fazer com
que tudo desse certo. Senti o ‘círculo de fogo’, do qual a Fabrina tinha falado na última aula, e se
não soubesse que o que era teria me assustado. Alguém que eu acredito ser a Dra Rubia me
perguntou se eu queria colocar a mão na cabecinha da Helena (ela já tinha coroado), mas eu não
quis. Não queria me mover, queria fazer força. Me concentrava e repetia: ‘Respira, força!’
E então às 15h45 PM eu senti ela escorregar e tudo passou. Ela veio pros meus braços, e era
linda! E estava bem. Obrigada Deus! Me sentia tão perto Dele que naquele momento tenho
certeza de que fui ao Céu e voltei. A sala se encheu de paz e calma. Ficamos ali, extasiados.
Max e eu olhando pra ela, ouvindo seu chorinho, admirando como era perfeita. Que sensação
maravilhosa ter ela ali grudadinha a mim!
Agradeço à Deus ter me permitido vivenciar essa experiência maravilhosa. Junto com a Helena
eu renasci, nossa família renasceu.
À Dra Rúbia e a Fabrina, gratidão e admiração eternas, pelas profissionais e seres humanos
incríveis que são. Vocês vieram para fazer a diferença.
À família que nos deu todo amparo para que pudéssemos viver esse dia, e aos amigos que
fizeram uma corrente cheia de orações, pensamentos e energias positivas, o nosso muitíssimo
obrigado!
Ao Max, que está ao meu lado há 15 anos, sendo meu parceiro, meu amigo, meu namorido, meu
agradecimento mais que sincero por todo apoio, carinho e compreensão nesse momento tão
especial. Obrigada por me escolher!
Esse é o meu relato, minha história. Aprendi que quando você procura, se informa, é possível ter
um parto com respeito e amor, independente da maneira que escolha para parir. A humanização
do parto é para todas.
“Humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto.
Humanizar é respeitar esta fisiologia, e apenas acompanhá la.
Humanizar é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais,
psíquicos e emocionais da mulher e de sua família.
Humanizar é devolver o protagonismo do parto à mulher.
É garantir lhe o direito de conhecimento e escolha.”
Eleonora de Moraes Idealizadora do Despertar do Parto, Psicóloga, Doula e Mãe de 3 filhos.
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Naara Rockel, 07 de Janeiro de 2016




















Fotos escolhidas e mandadas pela mãe. 
Fonte: arquivo pessoal e amiga Luya