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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Relato de parto Naara Rockel - VABC

Sou mãe de segunda viagem. Quando surgiu meu interesse pelo parto humanizado não
planejava ter outro filho, mas queria entender por que tantas mulheres estavam escolhendo um
parto com tanta dor e sofrimento. Hoje me sinto envergonhada por ter julgado tantas mulheres ao
ler seus relatos de parto sem ter o mínimo de conhecimento sobre o assunto. Não entendia a
verdadeira essência que esses relatos carregavam. Não podia imaginar o parto como ele
realmente é: o desfecho natural de uma gravidez. E que pode sim ser respeitoso e humanizado,
muito diferente do que conhecemos como parto normal.
Meu primeiro filho, Max, nasceu em 2012, através de uma cesárea. Segundo meu obstetra, era a
melhor opção. Nessa época não sabia nada sobre parto humanizado, e ao ouvir que no parto
normal eu estaria sozinha e meu bebê correria riscos pela imprevisibilidade deste, concordei que
a cesárea era a forma mais segura de trazer meu filho ao mundo. E ela realmente pode vir a ser,
dependendo da situação. Pode salvar vidas, caso necessária.
Algum tempo depois do nascimento do Max, tive meus primeiros contatos com a humanização do
parto. Comecei a ler relatos por curiosidade, por querer entender como tantas mães encaravam
um parto tão “arriscado” (essa era a concepção que tinha.). Enquanto lia os relatos, algumas
dúvidas surgiam em minha mente, porém continuava não acreditando nas verdades que lia. No
entanto, a sementinha havia sido plantada. Começava então minha busca por textos mais
técnicos, queria saber o que especialistas diziam sobre o assunto. Li textos onde enfermeiras e
doulas expunham suas opiniões e compartilhavam suas experiências. Compreendi que existia
sim uma outra forma de nascer. Mas isso estava longe da minha realidade já que eu não
planejava ter outros filhos.
Mas quem disse que tudo na vida é planejado? Novembro de 2014: eu já sabia, antes mesmo de
fazer dois testes de farmácia, um da rede pública e o exame de sangue. Meu namorido Max e eu
não esperávamos “esperar” justo naquele momento, ficamos perplexos! Estávamos enfrentando
uma crise, dessas que demoram a passar e achávamos que não era o momento para ter outro
filho. Mas acreditamos que quando Deus permite que as coisas aconteçam nas nossas vidas é
porque é assim que tem que ser, e decidimos nos separar, pelo menos naquele momento. Era o
melhor que podíamos fazer por nossos filhos, por nós e pela paz mundial. Contudo, a relação de
amizade e respeito continuava a mesma. Nos falávamos todo dia e decidíamos tudo em
conjunto, desde a matricula do filho mais velho até a troca de obstetra. Eu ainda não admitia que
queria o parto normal, tinha medo da chuva de críticas que receberia, já que minha família era
composta por mulheres cesaristas convictas (até a chegada do documentário O Renascimento
do Parto). Mas sabia o que não queria. Dessa vez não faria uma cesárea eletiva. Queria entrar
em trabalho de parto, queria esperar a hora do meu bebê e esse foi o ponto chave para a troca
de médico. Quando em uma consulta contei para meu obstetra que dessa vez tinha esse desejo,
a não ser que houvesse algum indicativo real para marcar a cirurgia, ele me disse: “ah mas assim
não dá, fica muito ruim para a minha agenda”. Obrigada, de nada, um beijo, tchau. Nunca mais
voltei. Uma amiga querida estava no fim da gestação e logo que contei que também estava
grávida, me indicou sua obstetra, a Dra Paula Lidiane. Uma Barbie de tão linda e uma profissional
maravilhosa. Amiga querida, que além da indicação da obstetra, ainda me encheu de
conhecimento, vários textos sobre partos naturais após cesáreas (VBAC), relatos, informações, e
conversas sobre sua própria experiência com o parto humanizado. Foi dali comecei a tirar meu
empoderamento para enfrentar quem quer que fosse. Sabia que não seria fácil. Em nossa
sociedade, os mitos que o sistema cesarista nos impões são muitos, e uma mulher que decide
fazer um parto normal sem intervenções desnecessárias é considerada louca, ainda mais depois
de ter se submetido a uma cesárea. “Uma vez cesárea, sempre cesárea”, parece ser a regra.
Conversei com o Max pai para fazê­lo entender minha decisão. Comecei a nutrí­lo com todas
as informações que havia adquirido: os benefícios, os riscos de uma cesárea desnecessária,
relatos, vídeos, tudo que chegava até mim, tudo que achava relacionado ao assunto eu mandava
para ele. Quando finalmente assisti o documentário “O Renascimento do Parto”, entendi que era
possível, que nosso corpo foi feito para parir. Senti que era isso que queria, e um parto
respeitoso era o que a Helena merecia. Em uma de minhas longas conversas, a amiga querida
me deu um conselho que até hoje me faz rir: “não quero você parindo sem uma doula...”. Foi um
dos melhores conselhos que recebi (Obrigada, Luya)! E foi dela também a indicação da doula
Fabrina. Conversamos primeiro pelo whatsapp, combinamos que conversaríamos pessoalmente
mais para frente, para ver se “o santo batia”, já que ela tinha alguns partos próximos e eu estava
trabalhando bastante. Mas naquela conversa eu já sabia que seria ela. E também já sabia que a
Dra Paula não acompanharia meu parto, pois bem na minha DPP ela estaria de férias. Então
combinamos que ela me encaminharia para um médico de confiança, com a mesma linha de
pensamento. Porém, quando assisti uma palestra da Dra Rubia Borges, soube quem eu queria
que acompanhasse meu parto.
Médica e doula devidamente escolhidas, família devidamente informada sobre o parto
humanizado, estava segura de que estava fazendo a coisa certa.
Fizemos as aulas com a Fabrina, eu e o Max pai, já bem próximo ao final da gestação. Ele
sempre presente, querendo saber o que podia, o que não podia, se empenhando pois sabia que
o que viria pela frente ia ser “tiro, porrada e bomba”. O acompanhamento com a Dra Rubia
também já havia começado e tudo evoluía muito bem, então faltava só a Helena estar pronta,
sem pressa, na hora dela.
E de repente, 39 semanas! Os pródomos já eram frequentes. No trabalho todo mundo já sabia:
quando vinha um, eu levantava da cadeira, abaixava, levantava de novo, e às vezes até
rebolava. Só quando voltava a sentar os olhos assustados à minha volta se acalmavam. Dois
dias após completar 39 semanas, perdi o tampão mucoso. Sabia que aquele já era um sinal de
que o útero estava se preparando para o parto, mas ainda podia demorar dias e dias para
começar de fato, então não fiz alarde. Mandei mensagem só para a doula e para médica. No
entanto, pródomos tiveram um aumento significativo depois disso e vinham com uma intensidade
que já me tirava a concentração no trabalho. Como a gravidez completaria 40 semanas em
alguns dias decidi que era hora de dar tchau e entrar logo em licença maternidade.
Fizemos a ultrassonografia e a cardiotocografia 3 dias antes de completar 40 semanas e embora
os batimentos cardíacos da Helena estivessem ok, os movimentos estavam lentos. A Dra Rubia
disse que repetiríamos o exame na manhã seguinte, por precaução, e nos aconselhou a passar
pela maternidade para uma avaliação. Lá eu soube a exata diferença entre ser atendida por uma
médica humanizada e por uma “profissional” que te vê apenas como mais uma ficha. Ainda bem
que não era a hora! Quando voltamos da maternidade tentei dormir, mas só conseguia tirar
cochilos, porque pródomos viraram contrações e já não eram apenas “uma dorzinha”. Estavam
começando a ritmar. Até que às 05h00 AM do dia 22 de julho de 2015 a bolsa estourou. Eu ouvi
um “PLOC” logo após uma contração. Fui ao banheiro apenas para constatar que não tinha feito
xixi na cama. Respirei fundo e comecei a repassar na minha cabeça tudo que havia aprendido.
Bom, eu sabia que não precisava de pânico nem pressa, porque a Helena não iria simplesmente
escorregar. Esperei até 06h00 AM para avisar a médica e a doula (melhor às 6h do que as 5h15,
rs). Como na noite anterior tínhamos ido a maternidade, deixamos nosso filho mais velho
dormindo com minha sogra. Tínhamos um plano: assim que eu entrasse em trabalho de
parto, ele ficaria com a minha irmã, pois não queria que ele me visse sentindo dor ou medo, e
sabendo que ele estava bem cuidado podia me desligar e me entregar à Partolândia. Todo
mundo avisado, whatsapp apitando (e me irritando, diga­se de passagem), as contrações
vindo... fui pro chuveiro e fiquei ali tentando entender o meu corpo e relaxar. Disse para Helena
que estava pronta e que ela podia vir no seu tempo. Minha mãe chegou em casa alguns minutos
antes de sairmos para repetir o exame. Vi que ela estava aflita e com medo, mas se mostrou
forte. Sabia que ela ficaria com o coração apertado durante todo o processo e pedi em
pensamento que Deus a confortasse e acalmasse seu coração, porque nós estávamos bem e
que tudo daria certo. No caminho para a clínica xinguei os buracos, xinguei o prefeito e queria
muito que o Max tivesse um avião e não um carro. Paramos em uma padaria porque ele me
lembrou que eu precisava me alimentar. Fui comendo no caminho, queria fazer logo o exame,
queria parir logo...
De novo batimentos cardíacos ok, movimentação lenta demais. Fomos dali para o consultório da
Dra Rúbia. Como eu já havia abandonado o celular, Max se encarregou de avisar a doula,
conversar com a médica, com a família, com os amigos... a dor já me tirava do eixo e eu só
queria que passasse logo... e passava. Antes que viesse a próxima contração, conseguia
conversar, perceber o que estava acontecendo a minha volta, pedir para Deus tomar a frente
naquele momento. Às 10h30 chegamos no consultório da Dra Rúbia. Enquanto esperávamos,
lembro de ver o olhar curioso de algumas pessoas na sala de espera. Ri da situação, já que não
é mesmo muito comum uma grávida em trabalho de parto zanzando por aí. Durante o
atendimento da Dra (esse sim cheio de respeito e carinho de um ser humano para outro),
descobrimos que já havia 1 cm de dilatação (oi? só isso???) e presença de mecônio no líquido
amniótico. A Dra, com toda sua paciência, me explicou que estava tudo certo. O mecônio estava
fluído (havia muito mais líquido amniótico do que mecônio) e por isso não era um indicativo para
cesárea. Pediu para caminharmos em uma pracinha quase em frente ao consultório, para
acelerar a evolução. E lá fomos nós. EU dava 5 passos e parava. Lembrei que agachar alivia as
dores, e a cada contração segurava o braço do Max e agachava, me balançando de um lado
para o outro, até passar. Quando passava, discutíamos sobre o que faríamos. A notícia do
mecônio, mesmo que fluído, nos deixou apreensivos. Andamos mais um pouco e uma senhora
parou de carro para oferecer ajuda. Achei fofo, mas a contração veio e foi o Max quem explicou
que eu estava bem, que era para acelerar a dilatação, indicação da médica... uma graça, os dois.
Ela, por se preocupar com uma estranha, e ele, por pacientemente explicar a situação à ela
(quem o conhece, sabe bem que paciência não constitui sua personalidade, rs). A senhorinha
não foi a única a parar. Mais outra jovem senhora e também um casal pararam para oferecer
ajuda (de novo a estranheza ao ver uma grávida em TP zanzando por aí...). A volta na pracinha
durou aproximadamente uma hora, exatamente o tempo que deveríamos caminhar. Outra
padaria na reta; eu estava com sede e queria um suco (“Do que?”. “Sei lá, de qualquer coisa
gelada”). De volta ao consultório, descobrimos que já eram 4cm de dilatação (uhuul, tá indo
rápido!). Eu disse que estava com medo por causa do mecônio, queria saber os riscos. A Dra
mais uma vez nos explicou que para ela não era indicativo de cesárea, que nós faríamos outra
cardiotoco na maternidade para ver se estava tudo bem, mas me disse que se eu quisesse uma
cesárea ela faria como eu decidisse. Sabia que ela estava sendo sincera. Em nossa primeira
consulta ela havia me dito que nunca arriscava. Lembrar disso me deu segurança. Fomos para a
maternidade e assim que chegamos, a moça da recepção me mandou para a salinha de repouso
enquanto Max dava entrada na papelada da internação. Entrei e tive medo. A contração veio em
seguida e tremi. Pela primeira vez eu estava sozinha. Me lembro de implorar a Deus que a dor
passasse. O medo embargou minhas ideias, fez com que a dor parecesse insuportável. Não
conseguia lembrar de nada além da dor. Entre os intervalos das contrações, bolei um plano na
minha cabeça: não queria mais sentir dor, então, assim que a Dra Rúbia chegasse, eu diria que
estava com medo por causa do mecônio e queria fazer a cesárea. Repassei isso na cabeça
durante o tempo em que fiquei sozinha na sala. Foram os 10 minutos mais longos de minha vida.
De repente a porta se abriu e eu ouvi: “E aí, nega?”. Quando abri os olhos e vi a Fabrina, todo
medo que estava pairando na minha cabeça sumiu. Me senti confiante de novo, e meu coração
se encheu de paz. “Agora começou”, pensei. Logo atrás entrou a Dra Rúbia, e em seguida o Max.
Pronto, eu não estava mais sozinha (Obrigada, Deus!). Fabrina já chegou com suas mãos de
fada, massageando, empurrando a cada contração, me lembrando de respirar e vocalizar (E não
é que vocalizar ajuda mesmo a aliviar?). Mais um exame, sem nenhuma alteração nos
batimentos. “A Helena tá bem, gata, fica tranquila.”. A voz doce porém firme da Dra me deu novo
ânimo.
Fomos para a sala de parto. Depois de ouvir que já eram 6cm (Caraca, vem que vem Helena!),
Fabrina me disse para entrar na banheira. E eu, que sempre me encantei com os relatos sobre
partos na água e com as fotos que via, não senti nenhuma vontade de entrar na banheira. Senti
foi uma imensa vontade de fazer força. Meu corpo pedia por isso, ninguém precisou mandar.
Meu corpo sabia exatamente o quê e quando fazer. Testamos algumas posições, mas na
banqueta eu me achei. Ora o Max apoiava as minhas costas, ora a Fabrina massageava. As
contrações vinham fortes, e, quando vinham, eu sentia uma calor absurdo: “Liga o ar
condicionado!”, eu dizia. Mas quando passavam, eu implorava por meu casaco (a louca da
temperatura, hahahaha). Mas a Fabrina, prevenida como ela só, tinha um leque para amenizar o
calor sem ficarmos na guerra do liga/desliga. Em alguns momentos eu era quem desligava e me
concentrava apenas no que estava sentindo. Sabia que estava mais próxima de segurar minha
‘pequeninha’ a cada contração, e focava apenas nisso. Em outros momentos, queria participar da
conversa que seguia animada na sala de parto. Cada vez que a Dra ia auscultar os batimentos da
Helena, perguntava se podia, esperava ser o melhor momento para mim, sempre com um olhar
de carinho e respeito. Fabrina sempre por perto, me lembrando porque eu estava ali, me dando
água, oferecendo chocolate, cuidando de mim, do meu bem estar. O Max, que se manteve calmo
e paciente desde o início, me incentivava com palavras e carinhos (quando eu largava o braço
dele). Até que a dor sumiu, a vontade de fazer força me dominou, e eu me entreguei de vez à
Partolândia.
A partir desse momento não assimilei mais nada do que acontecia à minha volta. Depois fiquei
sabendo que a Luya chegou mais ou menos nessa hora. Minha amiga querida, fonte de
informação é quem iria fotografar a chegada da Helena, mas ela estava nervosa e na pressa de
sair de casa deixou a bateria da câmera carregando (Um salve para os smartphones,
hahahahahaha).
As contrações agora eram diferentes. Eu conseguia sentir que a cada uma delas o corpinho da
Helena descia, sabia que o momento estava chegando e naquela hora eu só queria fazer com
que tudo desse certo. Senti o ‘círculo de fogo’, do qual a Fabrina tinha falado na última aula, e se
não soubesse que o que era teria me assustado. Alguém que eu acredito ser a Dra Rubia me
perguntou se eu queria colocar a mão na cabecinha da Helena (ela já tinha coroado), mas eu não
quis. Não queria me mover, queria fazer força. Me concentrava e repetia: ‘Respira, força!’
E então às 15h45 PM eu senti ela escorregar e tudo passou. Ela veio pros meus braços, e era
linda! E estava bem. Obrigada Deus! Me sentia tão perto Dele que naquele momento tenho
certeza de que fui ao Céu e voltei. A sala se encheu de paz e calma. Ficamos ali, extasiados.
Max e eu olhando pra ela, ouvindo seu chorinho, admirando como era perfeita. Que sensação
maravilhosa ter ela ali grudadinha a mim!
Agradeço à Deus ter me permitido vivenciar essa experiência maravilhosa. Junto com a Helena
eu renasci, nossa família renasceu.
À Dra Rúbia e a Fabrina, gratidão e admiração eternas, pelas profissionais e seres humanos
incríveis que são. Vocês vieram para fazer a diferença.
À família que nos deu todo amparo para que pudéssemos viver esse dia, e aos amigos que
fizeram uma corrente cheia de orações, pensamentos e energias positivas, o nosso muitíssimo
obrigado!
Ao Max, que está ao meu lado há 15 anos, sendo meu parceiro, meu amigo, meu namorido, meu
agradecimento mais que sincero por todo apoio, carinho e compreensão nesse momento tão
especial. Obrigada por me escolher!
Esse é o meu relato, minha história. Aprendi que quando você procura, se informa, é possível ter
um parto com respeito e amor, independente da maneira que escolha para parir. A humanização
do parto é para todas.
“Humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto.
Humanizar é respeitar esta fisiologia, e apenas acompanhá la.
Humanizar é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais,
psíquicos e emocionais da mulher e de sua família.
Humanizar é devolver o protagonismo do parto à mulher.
É garantir lhe o direito de conhecimento e escolha.”
Eleonora de Moraes Idealizadora do Despertar do Parto, Psicóloga, Doula e Mãe de 3 filhos.
.
Naara Rockel, 07 de Janeiro de 2016




















Fotos escolhidas e mandadas pela mãe. 
Fonte: arquivo pessoal e amiga Luya 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Relato de parto- Viviane Costa Lopes

Relato de parto- Viviane Costa Lopes

NÃO EXISTE PARTO SEM DOR!!! Inicio meu relato com esta frase, pois ficou muito marcada em meu subconsciente...
Na manhã do dia 9 de novembro acordei com fortes dores abdominais e diarréia, logo, tomei um buscopan composto e deitei de ladinho, esquerdo, para ver se a dor passava, o André foi até a casa de um amigo e eu continuei deitada e me sentindo um pouco melhor. Minha médica e prima Dra. Rubia Borges, pediu que eu fosse até o Hospital das Moreninhas no período da tarde, pois ela estava de plantão, e como eu estava com 39 semanas e 6 dias ela gostaria de me avaliar, combinei com ela e aproveitei pra dizer que estava com um desconforto abdominal que não passava, e que a tarde explicaria melhor pra ela.
As dores ficaram mais constantes, mandei mensagem pro André vir embora, pois iríamos até a Dra Rubia. Cheguei ao Hospital já com dore fortes, porém suportáveis, por volta das 15:30 hs, tanto que a Rúbia percebeu logo minha feição de dor. Fizemos o toque e eu estava com 2 cm de dilatação, ela pediu que eu retornasse pra casa, e combinamos de nos encontrar na maternidade por volta das 20:30 para uma nova avaliação. 
Fui para casa, avisei a minha doula Fabrina, comecei a controlar as contrações, sempre com a ajuda do André. Por volta das 18:30hs as dores ficaram muito intensas, mas ainda suportáveis, fui para o chuveiro, sentei na bola para fazer exercícios, vocalizei a dor, sempre avisando a Rubia e a Fabrina através de mensagens, e no horário combinado fomos para a maternidade, ao entrar no carro minhas dores já eram bem mais fortes, e eu disse ao André: 
- Só falta eu estar sentindo toda esta dor e chegar na maternidade ainda com 2 cm de dilatação!!!
Chegamos na maternidade, Fabrina e Rubia já estavam lá, ao entrar a Fabrina já fez uma pressão nas minhas costas, pois eu já estava com bastante dor (mas ainda estava suportável), quando a Rúbia fez o toque... santa boca a minha... EU ESTAVA AINDA COM 2 CM!!! Neste momento eu desesperei, disse que não queria mais sentir dor, que queria fazer logo a cesárea!! Pronto, André, Rúbia e Fabrina me olharam com uma feição de espanto, e foi quando a Fá disse:
_ vívi... não existe parto sem dor, você se preparou pra isso!!

A Rúbia achou melhor me internar logo, pois eu estava muito nervosa, fui para a sala de parto, assim a Fá já providenciava o enchimento da banheira pra me aliviar no começo e diminuir meu estresse. Enquanto isto minha bolsa rompeu. Fabrina sempre me acalmando, dizendo que eu precisava daquela contração, daquela dor pro meu bebê nascer, e então a milagrosa banheira ficou completamente cheia , o alívio foi tanto que eu já estava mais positiva, pedia pra dor vir, conversava comigo mesma pedindo calma, o André e a Fabrina sempre me acalmando, não consigo me imaginar sem eles naquele momento. Com meia hora na banheira as dores já estavam insuportáveis, neste momento pedi pra fabrina ligar pra Rúbia, eu estava decidida a fazer cesáera novamente, fiquei muito brava, falava pra Fabrina e pro André que eles estava me enrolando, pra ligar logo pra minha médica ( a Rúbia tinha feito plantão o dia todo e precisava comer coitada rs ) enfim, a Fabrina ligou pra Rúbia e eu disse: 
_Prima, vem pra cá agora... quero cesárea, e não demora, eu to falando sério, vem agoraaaa!!!
Nesse momento eu já havia me transformado, fiquei grossa, tratava a Fabrina e o André mal, disse pra Fá que ela não estava me respeitando, que isso não tinha nada de humanizado coisa nenhuma, que eu estava sofrendo! rs (estresse momentâneo por causa da dor). Nesse momento a Fá olhou novamente em meus olhos e disse:
_ Vivi... você não é criança, se preparou pra isso, NÃO EXISTE PARTO SEM DOR!! Tenha calma!
Essa frase não sai da minha cabeça até hoje, pois realmente não existe parto sem dor, seja cesárea ou vaginal, a dor faz parte do parto. A Rúbia chegou, minha prima que cresceu junto comigo, então pensei: estou salva, vamos fazer cesárea, mas não... ela olhou pra mim com semblante bem tranquilo e disse:
_ Mas você só está aqui há 1 hora Vivi, deixa eu te tocar, vamos ver como está!
E então eu disse:
_ Pode tocar, e depois vamos para o centro cirúrgico pra fazer uma cesárea!
Então ela fez o toque... e eu estava com 9 cm de dilatação e o bebê no plano zero, eu dilatei 7 cm em uma hora!!!!!!!!! Meu Deus!!!!!!! Esse era o motivo de toda aquela dor, apensar do meu orgulho eu ainda batia o pé por uma cesárea até que me convenceram a tentar uma analgesia antes. Santa analgesia! Eu já sentia uma vontade incontrolável de fazer força e então comecei a sentir meu bebê se mexer dentro de mim, e é muito mágico, eu sentia quando ele descia, sentia os movimentos dentro de mim, agachava e levantava, até que vimos a cabecinha dele, sentei na banqueta e continuei com as forças e ele já estava chegando, então comecei a sentir uma ardência, como se meu períneo pegasse fogo. André segurando minha mão, Dra Rúbia sentada no chão, Fabrina também sentada no chão registrando os momentos rsrs, todos ali me dando muita força, então pensei... agora vai!! Fiz mais e mais força, até que a Rúbia disse: 
_ Você já quer vir priminho!
E ele veio, nasceu! Ás 00:14 do dia 10 de novembro, com 3.200kg e 50,5cm
(Detalhe que a Fabrina tinha ido beber água e perdeu justo o nascimento, pois Valdemir desceu muito rápido). Eu fiquei encantada, pois eu havia conseguido, ele estava ali nos meus braços, e todos que me deram a mairo força ali olhando... não sei explicar o que senti, só sei que é uma sensação perfeita, e a dor.... QUE DOR MESMO??? Ah aquela eu eu senti e disse que estava insuportável, essa dor compensou mais do que tudo quando o Valdemir estava nos meus braços.
A Fabrina, essa doula que é muito mais do que doula, teve um papel fundamental, pois ao mesmo tempo que eu pedia cesára, ela me convencia de que eu havia me preparado para aquele momento, as massagens e manobras diminuem e muito a dor na hora das contrações, fora o apoio emocional e o carinho. 
André, meu marido, foi perfeito, muito parceiro, carinhoso e paciente, e por fim a Dra Rúbia, que é uma excelente médica, realmente humanizada, que agora além do laço da família, tem também esse laço eterno, pois me ajudou a trazer meu maior tesouro ao mundo. 

Termino meu relato reafirmando, NÃO EXISTE PARTO SEM DOR, mas tudo vale a pena... e a equipe ... faz toda a diferença!! 





sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Relato de Parto- Mariani Moresco VABC

Deus criou o homem a sua imagem, criou-o a imagem de Deus, criou o homem e a mulher.

Deus os abençoou , fruticai, disse ele, multiplicai-os, enchei a terra e submeteia.  (Gn 1, 27-28)

E assim começo relatar MEU parto (lembrando que é MEU relato, MINHA opinião, mais espero
tocar muitos corações), sempre pensei que quando engravidasse teria meu filho de parto normal, mais não sabia muito o porque, somente queria, depois de 5 anos de casada, eu e meu esposo decidimos que estávamos prontos para esse momento, estávamos bem emocionalmente, e havíamos superado algumas dificuldades em nosso casamento graças a Deus, foi quando em março de 2012 descobri que estava grávida, nossa foi uma alegria enorme, o Fernando não cabia em si, ele sempre foi muito apaixonado por crianças e era um sonho ter um filho e era apaixonado por meninas, e para nossa maior alegria Deus nos
presenteou com uma menina, Fernando ficou bobo kkkkkk, bom, fui a primeira consulta com o GO, já disse de cara que queria parto normal, ele disse, ok! Na segunda consulta ele me disse que não daria para fazer meu parto pois  estaria de férias do plano de saúde e me indicou outros médicos, mais continuei com ele ate perto do fim da gestação, pois ele era meu GO desde que cheguei em Campo Grande, gostava dele, bom, chegou no fim da gestação, não me lembro direito com quantas semanas, mais acho que foi com 35/36 semanas, fui a minha primeira consulta com a GO que ele havia indicado, gostei dela a principio, disse a ela que queria fazer parto normal, ela não me deu muita moral, mais seguimos adiante, eu sem nenhuma informação, SEMPRE achei que qualquer médico que eu fosse e pedisse parto normal eles fariam, mais infelizmente não é assim que funciona, muito difícil o médico que se disponibiliza a fechar consultório, ou sair de madrugada, ou final de semana para te acompanhar o tempo todo no hospital, enfim, estava com 38 semanas de gestação, uma sexta-feira, dia 20 de Dezembro de 2012, fui fazer uma ultrassom com a mesma médica que estava me acompanhando, e ela depois de algum tempo examinando disse ao meu esposo – “ Ta encioso pai?, e ele respondeu: “Por mim saia daqui e ia direto para o hospital”, ela disse : “Cuidado que seu pedido pode ser atendido".
Demorou um pouquinho ela disse,  Você esta sem liquido nenhum, vamos ter que fazer uma cessaria de urgência, ficamos desesperados, não sabíamos o que poderia acontecer com nossa filha “ vuamos” para casa pegar as coisas e ir “vuando” de volta ao hospital, e la fez minha cesárea,graças a Deus foi tudo tranquilo,Alice nasceu bem foi uma grande emoção naquele momento, nossa princesa nasceu,uma alegria
inexplicável, com 2,840Kg e 49 cm, mais até hoje tenho minhas duvidas quanto ao parto, nós na posição de pacientes temos que acreditar no que diz um médico, ainda mais se tratando de um filho, mais enfim, a maior culpa por não ter sido PN foi minha na verdade, pois minha falta de informação e conhecimento me levou a essa situação.
Dois anos e dois meses se passaram, e eu sempre quis ter dois filhos próximo um do outro, e assim aconteceu, em janeiro de 2015 descobri que estava gravida novamente, já estava querendo engravidar, e assim aconteceu. Uma colega minha que estava gravida tinha me falado que teria seu bebe em um parto normal humanizado, a principio não dei muita atenção, pois minha ficha não tinha caído ainda (essa e velha hem kkkkkkkkkk), passou um tempo e ela teve seu bebe do jeito que sonhou, ela me relatou toda sua felicidade, e aquilo me contagiou de uma forma que para mim a única explicação é a ação de Deus naquele momento, pois teria outra cesárea porque achava que se eu fosse ter parto normal teria que ser pelo SUS. Fiquei tao apaixonada pelo seu relato, que naquele momento percebi que o meu sonho de ter um filho de parto normal não tinha ido por agua a baixo e comecei ai a busca por informações, todos elas valiosíssimas, pedi o contato da doula, nem sabia que existia essas mulheres maravilhosas e super empoderadas, foi ai que conheci  Fabrina, minha doula querida, suuuper atenciosa, que me passou informações valiosíssimas, uma mulher que passei a admirar quando conheci pelo seu lindo trabalho e respeito pelas suas gestantes, e conheci também minha GO maravilhosa Dra. Rubia, super profissional, super atenciosa, uma profissional de muito respeito pelo lindo trabalho que realiza, pela super dedicação com suas pacientes, enfim, estava totalmente amparada e cercada de excelentes profissionais.
Muitas pessoas me questionaram , mais porque você quer PN?, nossa sentir dor, para que?, esses tipos de questionamentos, mas na MINHA opinião, não há forma mais linda de um criança vir ao mundo senão pelas forças de sua própria mãe, aquela de te gerou desde o principio, que te deu todo aconchego do ventre, que te alimentou, que te sustentou, que te amou desde o primeiro dia, NOSSA MAIS DOI MUITO PARTO NORMAL, NÃO PRECISA PASSAR POR ISSO! Me digam uma coisa, quem é mãe saberá responder melhor, o que você faria pelo seu filho?, Se põe no lugar de uma mãe com um filho com uma doença grave, imagina a dor dessa mãe, acredito que não há dor maior que ver um filho sofrer ou ate mesmo perder um
filho, essa “DOR” que se sente ao “Dar a luz “ a um filho é dor de nascimento, dor de vida, dor de amor, de um amor incondicional sem explicação, é criação DIVINA, Deus criou nós mulheres dessa forma, para sermos protagonistas do nascimento, como ir contra a vontade e criação de Deus! Não vejo motivos para isso, a não ser lógico que seja casos de extrema necessidade, por isso, graças a Deus também existem as cesáreas, mas ao meu ver, somente para isso.

Bom o nascimento da Elisa aconteceu da seguinte forma, foi em uma terça-feira, dia 20 de outubro de 2015, acordei cedo como de costume para levar a Alice para a escola, de la fui fazer minha caminhada no belmar, e fui para casa, depois do almoço fui deitar um pouco para descansar, depois de um tempinho senti uma fisgada no pé da barriga, mais isso já tinha acontecido outras vezes, fui levantar para ir ao banheiro e senti um liquido descendo e veio um pouco de sangue, minha bolsa tinha rompido, estava começando 40 semana de gestação, isso aconteceu as 14:30h, ah, detalhe, o meu esposo tinha ido viajar, estava em Dourados, liguei para a medica, ela disse para eu ir para o hospital as 17h que iria me avaliar, estava sentindo so umas coliquinhas bem de leve, mas minhas contrações já estavam de 3 em 3 minutos +/-, liguei para Fabrina (doula), me disse para caminhar, e avisei o Fernando. As 17h fui para o hospital, Fabrina ninja já estava la kkkkkkkkkkk, fui avaliada, 2cm de dilatação, a bebê estava alta ainda, ela pediu p eu ir embora e voltar as 21h novamente, as contrações começaram a ficar mais doloridas, e graças a Deus o Fernando chegou, e desde então não saiu mais do meu lado, ele foi super companheiro, me apoiou desde o começo, para mim a
presença dele foi mais q essencial para o nascimento de nossa filha, meu eterno companheiro!!
As 21h voltamos ao hospital,Fabrina ninja já estava la me esperando,estava com dores bem mais fortes, já precisava vocaliza-las para amenizar um pouco, fui avaliada, 7cm de dilatação, fui direto para sala de parto, Fabrina sempre ao meu lado fazendo suas massagens para aliviar as dores, e meu esposo querido também, ajudou um monte até com massagens, super presente, disse para a Dra que ate faria o parto se preciso kkkkkkkkkkk. Chegamos na sala de parto, as minhas contrações já começaram a vir com vontade de fazer força  ( essa vontade é incontrolável, até achei que iria nascer naquela hora kkkkkkkk), fui para o chuveiro quente e fiquei fazendo exercícios na bola de pilates, devo ter ficado la uns 30 min +/-, e eles sempre do meu lado me dando força, me instruindo o que fazer, fazendo massagens etc. Dra. Rubia pediu para irmos para banqueta, pois já estava fazendo muita força, já estava na fase do expulsivo, fui para a banqueta e de la não sai mais, Fernando ficou atrás de mim, me dando forças, me acariciando a todo momento, me dando muito carinho e atenção, a cada contração que eu tinha ele rezava por mim, foi muito lindo e emocionante ( Confesso que na hora não estava prestando atenção em muita coisa, estava concentrada em minhas contrações, e não queria saber de nada, só de fazer força para ela nascer), fiquei na banqueta uns 40min a 1h até a Elisa nascer,e assim aconteceu, Elisa nasceu, eu estava na posição de cócoras, e ela veio direto para meus braços, uma emoção indescritível , não sei como falar, é um momento divino, olhar para aquele serzinho que acabou de sair de dentro de você e ta ali agora nos seus braços, a MINHA filha! gente, só passando para saber o que é esse sentimento, ela nasceu as 23:30h, depois de 9 horas de trabalho de parto, foi uma experiência linda, um parto totalmente humano sem nenhuma intervenção, cercada de muito amor e carinho de todos, e super abençoada por

Deus, e guardada pela Virgem Santíssima.

Muito abrigada a todos que me apoiaram e fizeram desse momento o um dos mais felizes de

minha vida.

Por Mariani Moresco , mamãe de Alice e Elisa     (imagens autorizadas)