quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Relato de parto - por Rayanne Guimarães


“Sou eu quem faz vir as dores de parto; será que eu não vou deixar que os filhos nasçam? Sou
eu, o Senhor, seu Deus, quem está falando.” (Isaías 66, 9)



Inicio dessa maneira o relato da experiência mais incrível de minha vida, com uma passagem
que li exatamente no dia em que completei as 40 semanas de gestação, postada pela minha
querida obstetra Rúbia. Passagem essa que acalmou meu coração, no meio da ansiedade que
começava a tomar conta...



No dia 07 de maio de 2015, descobrimos que eu estava grávida, com 1 ano e meio casados,
nossa programação era que teríamos filho com 3 anos de casados, mas como diz o Cleiton,
“Deus é que sabe!” E realmente mal sabíamos o tamanho do presente que Deus estava
preparando para nós. Eu já estava pesquisando, e me inteirando mais sobre esse mundo das
grávidas e partos, por conta da minha grande amiga Jucymaire que estava grávida, amiga essa
que viveu junto comigo todas as novidades, medos e anseios de uma gestação. Sempre
imaginei que quando eu engravidasse eu teria um parto normal, o medo de anestesia, cirurgia
e o pós parto, me assustavam muito para pensar em uma cesariana. Nas minhas pesquisas,
conversei com outra amiga, Letícia, no qual me contou o relato do seu parto, foi onde eu tive
muita certeza de que eu queria um parto normal, natural e humanizado. E me enviou um
convite para ir num encontro da GAMAAL, onde me inteirei mais sobre o parto natural, com
uma ótima conversa com a Dra. Sandra Valéria e lá também conheci o trabalho de uma Doula
e seu importante papel antes, durante e após o parto, onde comecei a pesquisar as
profissionais que atuavam aqui.



Na minha primeira consulta na minha antiga G.O, quando disse a ela que gostaria de um parto
normal, ela não se mostrou tão receptiva, comecei então, a busca de uma obstetra que fizesse
parte desse sonho. Descobri que não eram muitos os obstetras que apoiavam o parto natural
humanizado, foi quando a Letícia, me indicou a Dra. Rúbia. Agendei uma consulta com ela, e
tive a certeza que ela que faria meu parto.



Entrei em contato com a Fabrina, e marcamos um encontro, eu e o Cleiton nos simpatizamos
muito com esse jeito sincero e extrovertido dela, nos passou muita confiança e tivemos
referencias ótimas dela, decidimos então que ela que participaria desse momento com a gente.
Acreditamos com toda certeza que tudo foi providência Divina. E agradeço muito a Deus por ter
colocado esses dois anjos em nosso caminho: Rúbia e Fabrina.



Toda gestação foi muito tranquila, completei as 40 semanas no dia 16 de janeiro, e não tinha
nenhum sinal de que o trabalho de parto estaria próximo. Íamos praticamente um dia sim, outro
não, ao encontro da Dra. Rúbia, o bebê estava bem, porém meu colo estava grosso ainda,
muito fechado, então iríamos continuar esperando a hora dele... Essa espera, em certo
momento ia começando a se transformar em ansiedade, e todas as vezes que a ansiedade e o
medo começava a tomar conta, lembrava que eu havia me preparado, que não precisava ter
medo, apenas esperar a hora do meu pequeno, prestar atenção nos sinais que meu corpo
dava, entregar nas mãos de Deus e pedir a proteção e intercessão de Maria.



No dia 21, fiz um ultrassom e um cardiotoco, tudo continuava muito bem com o bebe, porém
meu líquido amniótico estava aumentado, e o Lucas estava ficando muito grande. Fui ao
plantão da Dra. Rubia, e ela pediu que eu fizesse um controle da minha glicemia durante dois
dias, pois na ultima curva glicêmica que eu havia feito, tinha dado uma diabete gestacional,
isso poderia ser a causa da demora de entrar em trabalho de parto, e a causa do liquido
amniótico aumentar. Se minha glicemia desse muito alterada, iríamos induzir o parto o quanto
antes. Fabrina me mandou fazer caminhadas, faxina, agachamento e namorar, pra tentar
agilizar as coisas...  Fiz o que ela me indicou, e fiz o controle das taxas glicêmicas e graças a
Deus, nenhuma deu alterada. Com isso pude ir até na comemoração de aniversário da
Dra.Rubia, no dia 22, apesar de eu não poder comer nenhum docinho, foi ótimo pra distrair um
pouco e ver tantos bebês, um mais lindo que o outro.



No sábado, dia 23, acordei com umas cólicas leves, falei pro Cleiton e ele apenas disse: “nosso
Lucas está chegando”  fiquei quietinha sentindo cada sensação do meu corpo... A noite iria no
plantão da Dra. Rúbia, chegando lá, contei das cólicas, que haviam ficado mais fortes e
frequentes no final da tarde, a Dra Rúbia vibrou, fizemos o toque e meu colo estava afinando, e
o tampão começava dar sinais de sair, a Dra. mandou tomar buscopan pra aliviar as cólicas e
tentar dormir, porque muito provavelmente no domingo, ou no máximo segunda, Lucas
Henrique estaria chegando. Fomos pra casa felizes, e eu só conseguia pensar que logo estaria
com meu filho nos meus braços. Tentei dormir, mas as cólicas foram ficando mais frequentes e
mais fortes, apenas de manhã elas deram uma espaçada nos intervalos e consegui tirar
pequenos cochilos. Acordei, falei com a Fabrina, ela me orientou a lembrar das nossas aulas e
começar aprender a lidar com as dores, mandando eu respirar fundo, soltar lentamente, mover
o quadril, usar a bola, etc.. essas dores pra mim foram totalmente suportáveis, pareciam uma
forte cólica menstrual. Avisei a Dra. Rúbia, e ela avisou que iria à maternidade, e perguntou se
eu não queria ser avaliada. Prontamente me arrumei, colocamos as malas no carro, e fomos
pra lá, fiz um cardiotoco, o bebê continuava bem, porém as contrações não estavam ritmadas
ainda, voltamos pra casa. A tarde fui caminhar, e as dores continuavam espaçadas, vinham de
9 em 9 minutos, 7 em 7min.. não pegavam um ritmo. Tentei dormir, mas passei a noite em
claro, as dores haviam aumentado, porém os intervalos era irregulares, tomei uns dois banhos
quentes na madrugada, pra tentar relaxar, mas não ajudou muito não.



Na segunda-feira, dia 25 de janeiro, aniversário do Cleiton, e o dia em que comemoramos 2
anos de casados, Cleiton já acordou radiante, com a certeza que nosso filho viria nessa data
tão importante pra nós, e seria o maior presente de aniversário pra ele. Fui tomar um banho, e
percebi que havia perdido o tampão. Avisei a Fabrina e a Dra. Rúbia, que pediu que eu fosse
até ela pra ela me examinar, e pediu que eu fizesse novamente um ultrassom com doppler e
um cardiotoco, só para termos certeza de que o bebê ainda continuava bem, pois já estava
com 41 semanas e 2 dias. Conversei com o Cleiton, e fomos já com uma certeza, de que se
não tivesse nenhum sinal ainda, iriamos pedir para induzir. Mas como Deus já havia preparado
tudo, quando a Dra. Rúbia me examinou, eis que eu estava já com 4cm de dilatação, porém as
benditas contrações ainda não estavam ritmadas, então ela mandou eu ir almoçar e caminhar.
E se as contrações ritmassem, nos encontraríamos as 14 hrs na maternidade. Fomos almoçar,
não consegui comer muito bem, e logo fui pra praça caminhar e as contrações começaram a vir
de 4 em 4 minutos, caminhamos 30 minutos e fui pra casa tomar um banho e me preparar.
Acontece que o banho me relaxou e as contrações voltaram a ter intervalos irregulares. Avisei
a Dra. e ela falou pra eu ir fazer a ultrassom. Fiz o cardiotoco, onde as contrações voltaram a
ficar de 4 em 4 minutos e na ultrassom, vimos que meu liquido amniótico não estava mais
aumentado e o Lucas Henrique havia encaixado, estava bem, os batimentos cardíacos
estavam ótimos. Terminando os exames, a Dra. ligou, e mandou irmos pra Candido Mariano.



Avisei a Fabrina, que já estava a postos, pronta pra ir pra maternidade. Passamos para pegar
umas águas de coco e chegamos na maternidade às 17:30, logo a Fabrina chegou. Não havia
sala de parto disponível, então a Dra. sugeriu que fossemos para uma área nos fundos da
maternidade, ao ar livre, pra eu continuar caminhando, pois minhas contrações ainda não eram
fortes o suficiente e nem ritmadas. Fiquei caminhando com o Cleiton e quando as contrações
vinham, Fabrina e o Cleiton revezavam e apertavam meu quadril, e conheci as famosas mãos
de fada da Fabrina com seu óleo mágico, que quando fazia massagens nas minhas costas,
aliviavam bastante. Depois fomos para uma salinha, pra Dra. me examinar, por volta das 19:30,
estava com 7cm de dilatação, e então a Dra sugeriu que todas as vezes que as contrações
viessem, eu fizesse agachamento e força para tentar romper a bolsa. Então a Fabrina pediu
que eu quicasse na bola e fizesse agachamentos... até que liberaram a famosa sala 4,
chegando lá, coloquei minhas músicas no celular para tocar, e o ambiente que se formou, foi
um ambiente tranquilo, de paz, eu não poderia querer estar em outro lugar, se não aquele.



Continuei fazendo os exercícios que a Fabrina me pedia, porque as contrações continuavam
sendo não tão fortes, eu já estava começando a ficar exausta, porem eu conseguia lidar muito
bem com as dores. Cleiton sempre ao meu lado, me encorajando e me dando total suporte. Por
volta das 20:30h a Dra foi me examinar, e a bolsa rompeu, com um pouco de mecônio e eu
estava com 9cm de dilatação, a Dra. auscultou o coração do Lucas e  me tranquilizou disse
que ainda não era sinal de sofrimento do bebê, porém não poderíamos virar noite a dentro em
trabalho de parto. A Dra Rúbia disse que eu precisava de glicose, saiu da sala e voltou com um
chocolate, um pé de moça e um pé de moleque e pediu para eu escolher, não queria nada,
meu estomago estava embrulhado, mas ela insistiu e eu comi o chocolate. Eu já estava
exausta, então ela sugeriu ou aplicar a ocitocina para intensificar as contrações, ou intensificar
os exercícios. Preferi intensificar os exercícios e fazer força todas as vezes que as contrações
viessem, só que eu já estava muito cansada, sentei na banqueta pra fazer força, e a Dra.
sugeriu novamente aplicar a ocitocina, eu tinha medo de que as dores ficassem insuportáveis,
mas concordei, pois era pro bem do meu filho, pra que ele viesse logo. Porem a ocitocina não
fez tanta diferença, a Dra estava o tempo todo auscultando o coração do Lucas Henrique, e eu
estava na banqueta tentando fazer força, porem não me senti confortável na banqueta, pedi
para tentarmos outra posição. A Fabrina sugeriu que eu subisse na maca abraçasse a bola e
ficasse na posição de quatro, na primeira contração já não consegui fazer força nessa posição,
e então pedi pra sentar na maca, sabia que aquela não era a posição mais favorável pro meu
filho nascer, porém foi a melhor posição que eu achei para fazer força. A cada contração, me
esforçava pra dar o melhor de mim e fazia força, me perdi no tempo, acredito que foram quase
2 horas que fiquei ali fazendo essa força que traria meu filho, estava muito cansada, mas eu
não poderia desistir, senti queimar meu períneo e a Dra Rúbia disse que já estava vendo o
cabelinho dele, me deu mais um ânimo pra continuar. Vi que o Cleiton estava rezando e, entre
o intervalo de uma contração e outra, rezei junto com ele silenciosamente, roguei a minha
Mãezinha que me desse mais força, que estávamos pronto pra receber o Lucas Henrique, foi
quando veio uma contração forte, fiz toda a força que eu tinha dentro de mim, quando eu vi que
meu marido já estava chorando e percebi então que ele já estava vendo o Lucas Henrique, a
emoção foi incontrolável quando senti ele escorregar e vi a Dra. Rúbia com ele nos braços e o
colocou nos meus, agradeci a Deus e Nossa Senhora por aquele momento e pela vida do meu
filho, ouvi o chorinho mais lindo do mundo, projetei todo o meu amor a ele e o coloquei no meu
peito. E foi assim, às 23:10 ainda do dia 25 de janeiro de 2016, nosso pequeno milagre chegou,
pesando 3,825g e 51cm, para nos presentear e completar nossas vidas.



Deus preparou tudo tão perfeitamente, que esse dia não poderia ter sido melhor, não me canso
de agradecer a Ele, por ter nos guiado até aqui.



 Agradeço a Dra. Rúbia, profissional extremamente competente, que se tornou amiga e nos
passou calma, confiança e paz a todo tempo, que fazia pequenas consultas virarem grandes
conversas divertidas que nos deixou extremamente tranquilos em todo trabalho de parto.



 Agradeço muito também à Fabrina, por todo o companheirismo, pelas conversas e conselhos,
ás vezes um tanto malucos rsrsrsrs, pelas aulas, pelos encontros, por nos ajudar a preparar
para esse momento, pelas massagens e palavras certas...



Agradeço à minha família, que apoiou nossa escolha, e esteve ao nosso lado a todo momento.
Agradeço pelas orações de todos os amigos, que vibraram  junto conosco ao nascimento do
Lucas Henrique e já o rodeiam de amor.



E por fim, agradeço muito ao Cleiton, meu esposo, por ter me apoiado sem pestanejar, sem
questionar, a todas as minhas decisões, obrigada por ser minha força, meu refúgio, por
acreditar em mim! Sem ele jamais teria chegado até aqui. Amo-te mais do que nunca!
Por mais que eu tente colocar por escrito todas as emoções e sensações desse dia, é
impossível descrever tudo o que eu senti. Viveria tudo novamente, se necessário fosse, pois o
parto que eu sonhei, foi melhor do que eu pensei, repleto de respeito, amor e humanidade!


RELATO FEITO E ENVIADO POR RAYANNE GUIMARÃES, E FOTOS ESCOLHIDAS E AUTORIZADAS PELA MESMA












quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Como controlar a dor de forma Natural durante o Trabalho de Parto

Quem busca por informações sobre o Parto Normal lê muito, e uma das matérias mais buscadas é sobre a dor do parto e como ajudar aliviá las.
A mulher pode se beneficiar de muitas técnicas não farmacológicas de alívio da dor antes ter que partir para uma analgesia.
Listei a seguir algumas técnicas que algumas gestantes usaram e tantas outras que tive conhecimento.
Espero que você use algumas e lhe ajude a focar no seu sonho e seguir em frente *_* 

AMBIENTE CALMO
Sabemos que ambientes agitados, nos agitam... então, a gestante deve buscar o contrário.
Quanto menos ruídos, conversas paralelas e desnecessárias, melhor é para a parturiente se concentrar e focar no seu trabalho de parto.
Pouca luminosidade e uma trilha sonora podem ajudar, fazendo com que ela só preste atenção na música que goste e se conecte mais e mais com seu filho. O escurinho ajuda a ação hormonal... não é atoa que a prolactina (responsável pela produção de leite) tem seu maior pico das 3 as 5 hs da manhã. 

RESPIRAÇÃO
Ao contrário que você vê nas "novelas", a forma correta de respirar durante a contração do trabalho de parto deve ser profunda ( tanto na inspiração quanto na expiração) e não de "cachorrinho" como vemos por aí :(
Portanto manter a respiração sem interrupções durante uma contração alivia e muito a dor .
"Puxar o ar como se estivesse cheirando uma flor, e soltar o ar como se estivesse assoprando uma vela", profunda e calmamente.
Essa respiração diminui a adrenalina, que é o hormônio responsável pelo estresse, ajudando a controlar a ansiedade, que muitas vezes intensifica a dor.

POSIÇÕES COM OU SEM EQUIPAMENTOS PARA ALIVIAR A DOR                                   
Muita mulheres ao perceberem a ritmicidade das contrações e com elas a presença de dor, buscam se movimentar e percebem que a dor é de certa forma aliviada. Portanto, tenha esta frase como mantra : 
" Caminhar para o Parto Normal " 
1- Bola de pilates: Sentar-se sobre ela e fazer movimentos diversos com o quadril, ficar de joelhos e abraçar a bola e fazer movimentos de vai e vem pra frente e pra trás.
2- Massagem: O companheiro pode fazer massagem firmes ou simplesmente pressionar a área dolorosa. Massagens nos pés e ombros também são muito bem vindas. Usar bolinhas e/ou massageadores na região lombar também podem ajudar.
3- Caminhar e/ou Embalar/Dançar : A caminhada além de ajudar a pelve feminina a se mover e ocasionar a descida do bebê, alivia também a dor. Fazer movimentos com o corpo como se estivesse dançando ou embalando um bebê também ajudam caso a caminhada já não te satisfaça mais. Algumas mulheres assim preferem fazer ao se abraçar com o companheiro ou com sua Doula. Basta dançar e respirar!
4-Acocorar: Ficar de cócoras para algumas mulher alivia tanto a dor que ás vezes elas acham que a dor parou e ao se levantarem novamente , a dor volta rs 

USO DE CALOR
O calor relaxa e deixa menos tenso a musculatura, ajudando assim que a dor diminua.
Portanto o uso de uma bolsa de águas quente ou sementes nas região lombar, ou o banho de chuveiro quentinho ou até mesmo entrar numa banheira, ajudam e já ajudaram muitas mulheres em trabalho de parto.

VISUALIZAÇÃO
A cada contração seu filho está sendo abraçado... a cada contração ele está mais perto do seu colo, peito.... a cada contração é menos uma que se foi! Usar a dor a seu favor, irá tornar menos obrigatório aquilo tudo. E sim fisiológico, natural, tolerável e aceitável. A dor irá te apertar, se você se apertar também irá piorar!! Portanto, se solte, visualize algo te livrando, te limpando. Algumas mulheres se veem de baixo de uma cachoeira. Outras até mesmo visualizam sua pelve/quadril abrindo. Chamam a contração!!Suas Lindas S2
AUXÍLIO DE UMA DOULA
A doula é uma profissional treinada para ajudar a mulher na hora do Trabalho de Parto. Ela dá apoio físico e emocional á gestante. Nós doulas sabemos e utilizamos de técnicas para amenizar a dor durante um trabalho de parto. 

Considerações finais...
Todo início de trabalho de parto é constatado quando a mulher tem contrações ritmadas de 5 em 5 minutos. Então, é de suma importância após a percepção desta ritmicidade a gestante ser avaliada. Se ainda não for a hora de internar, volte para casa e acalme seu coração. Volte ao seu médico na hora combinada com ele ou se as dores apertarem. Use e faça todos os métodos possíveis para amenizar sua dor... irá lhe ajudar! 
















segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Relato de parto Naara Rockel - VABC

Sou mãe de segunda viagem. Quando surgiu meu interesse pelo parto humanizado não
planejava ter outro filho, mas queria entender por que tantas mulheres estavam escolhendo um
parto com tanta dor e sofrimento. Hoje me sinto envergonhada por ter julgado tantas mulheres ao
ler seus relatos de parto sem ter o mínimo de conhecimento sobre o assunto. Não entendia a
verdadeira essência que esses relatos carregavam. Não podia imaginar o parto como ele
realmente é: o desfecho natural de uma gravidez. E que pode sim ser respeitoso e humanizado,
muito diferente do que conhecemos como parto normal.
Meu primeiro filho, Max, nasceu em 2012, através de uma cesárea. Segundo meu obstetra, era a
melhor opção. Nessa época não sabia nada sobre parto humanizado, e ao ouvir que no parto
normal eu estaria sozinha e meu bebê correria riscos pela imprevisibilidade deste, concordei que
a cesárea era a forma mais segura de trazer meu filho ao mundo. E ela realmente pode vir a ser,
dependendo da situação. Pode salvar vidas, caso necessária.
Algum tempo depois do nascimento do Max, tive meus primeiros contatos com a humanização do
parto. Comecei a ler relatos por curiosidade, por querer entender como tantas mães encaravam
um parto tão “arriscado” (essa era a concepção que tinha.). Enquanto lia os relatos, algumas
dúvidas surgiam em minha mente, porém continuava não acreditando nas verdades que lia. No
entanto, a sementinha havia sido plantada. Começava então minha busca por textos mais
técnicos, queria saber o que especialistas diziam sobre o assunto. Li textos onde enfermeiras e
doulas expunham suas opiniões e compartilhavam suas experiências. Compreendi que existia
sim uma outra forma de nascer. Mas isso estava longe da minha realidade já que eu não
planejava ter outros filhos.
Mas quem disse que tudo na vida é planejado? Novembro de 2014: eu já sabia, antes mesmo de
fazer dois testes de farmácia, um da rede pública e o exame de sangue. Meu namorido Max e eu
não esperávamos “esperar” justo naquele momento, ficamos perplexos! Estávamos enfrentando
uma crise, dessas que demoram a passar e achávamos que não era o momento para ter outro
filho. Mas acreditamos que quando Deus permite que as coisas aconteçam nas nossas vidas é
porque é assim que tem que ser, e decidimos nos separar, pelo menos naquele momento. Era o
melhor que podíamos fazer por nossos filhos, por nós e pela paz mundial. Contudo, a relação de
amizade e respeito continuava a mesma. Nos falávamos todo dia e decidíamos tudo em
conjunto, desde a matricula do filho mais velho até a troca de obstetra. Eu ainda não admitia que
queria o parto normal, tinha medo da chuva de críticas que receberia, já que minha família era
composta por mulheres cesaristas convictas (até a chegada do documentário O Renascimento
do Parto). Mas sabia o que não queria. Dessa vez não faria uma cesárea eletiva. Queria entrar
em trabalho de parto, queria esperar a hora do meu bebê e esse foi o ponto chave para a troca
de médico. Quando em uma consulta contei para meu obstetra que dessa vez tinha esse desejo,
a não ser que houvesse algum indicativo real para marcar a cirurgia, ele me disse: “ah mas assim
não dá, fica muito ruim para a minha agenda”. Obrigada, de nada, um beijo, tchau. Nunca mais
voltei. Uma amiga querida estava no fim da gestação e logo que contei que também estava
grávida, me indicou sua obstetra, a Dra Paula Lidiane. Uma Barbie de tão linda e uma profissional
maravilhosa. Amiga querida, que além da indicação da obstetra, ainda me encheu de
conhecimento, vários textos sobre partos naturais após cesáreas (VBAC), relatos, informações, e
conversas sobre sua própria experiência com o parto humanizado. Foi dali comecei a tirar meu
empoderamento para enfrentar quem quer que fosse. Sabia que não seria fácil. Em nossa
sociedade, os mitos que o sistema cesarista nos impões são muitos, e uma mulher que decide
fazer um parto normal sem intervenções desnecessárias é considerada louca, ainda mais depois
de ter se submetido a uma cesárea. “Uma vez cesárea, sempre cesárea”, parece ser a regra.
Conversei com o Max pai para fazê­lo entender minha decisão. Comecei a nutrí­lo com todas
as informações que havia adquirido: os benefícios, os riscos de uma cesárea desnecessária,
relatos, vídeos, tudo que chegava até mim, tudo que achava relacionado ao assunto eu mandava
para ele. Quando finalmente assisti o documentário “O Renascimento do Parto”, entendi que era
possível, que nosso corpo foi feito para parir. Senti que era isso que queria, e um parto
respeitoso era o que a Helena merecia. Em uma de minhas longas conversas, a amiga querida
me deu um conselho que até hoje me faz rir: “não quero você parindo sem uma doula...”. Foi um
dos melhores conselhos que recebi (Obrigada, Luya)! E foi dela também a indicação da doula
Fabrina. Conversamos primeiro pelo whatsapp, combinamos que conversaríamos pessoalmente
mais para frente, para ver se “o santo batia”, já que ela tinha alguns partos próximos e eu estava
trabalhando bastante. Mas naquela conversa eu já sabia que seria ela. E também já sabia que a
Dra Paula não acompanharia meu parto, pois bem na minha DPP ela estaria de férias. Então
combinamos que ela me encaminharia para um médico de confiança, com a mesma linha de
pensamento. Porém, quando assisti uma palestra da Dra Rubia Borges, soube quem eu queria
que acompanhasse meu parto.
Médica e doula devidamente escolhidas, família devidamente informada sobre o parto
humanizado, estava segura de que estava fazendo a coisa certa.
Fizemos as aulas com a Fabrina, eu e o Max pai, já bem próximo ao final da gestação. Ele
sempre presente, querendo saber o que podia, o que não podia, se empenhando pois sabia que
o que viria pela frente ia ser “tiro, porrada e bomba”. O acompanhamento com a Dra Rubia
também já havia começado e tudo evoluía muito bem, então faltava só a Helena estar pronta,
sem pressa, na hora dela.
E de repente, 39 semanas! Os pródomos já eram frequentes. No trabalho todo mundo já sabia:
quando vinha um, eu levantava da cadeira, abaixava, levantava de novo, e às vezes até
rebolava. Só quando voltava a sentar os olhos assustados à minha volta se acalmavam. Dois
dias após completar 39 semanas, perdi o tampão mucoso. Sabia que aquele já era um sinal de
que o útero estava se preparando para o parto, mas ainda podia demorar dias e dias para
começar de fato, então não fiz alarde. Mandei mensagem só para a doula e para médica. No
entanto, pródomos tiveram um aumento significativo depois disso e vinham com uma intensidade
que já me tirava a concentração no trabalho. Como a gravidez completaria 40 semanas em
alguns dias decidi que era hora de dar tchau e entrar logo em licença maternidade.
Fizemos a ultrassonografia e a cardiotocografia 3 dias antes de completar 40 semanas e embora
os batimentos cardíacos da Helena estivessem ok, os movimentos estavam lentos. A Dra Rubia
disse que repetiríamos o exame na manhã seguinte, por precaução, e nos aconselhou a passar
pela maternidade para uma avaliação. Lá eu soube a exata diferença entre ser atendida por uma
médica humanizada e por uma “profissional” que te vê apenas como mais uma ficha. Ainda bem
que não era a hora! Quando voltamos da maternidade tentei dormir, mas só conseguia tirar
cochilos, porque pródomos viraram contrações e já não eram apenas “uma dorzinha”. Estavam
começando a ritmar. Até que às 05h00 AM do dia 22 de julho de 2015 a bolsa estourou. Eu ouvi
um “PLOC” logo após uma contração. Fui ao banheiro apenas para constatar que não tinha feito
xixi na cama. Respirei fundo e comecei a repassar na minha cabeça tudo que havia aprendido.
Bom, eu sabia que não precisava de pânico nem pressa, porque a Helena não iria simplesmente
escorregar. Esperei até 06h00 AM para avisar a médica e a doula (melhor às 6h do que as 5h15,
rs). Como na noite anterior tínhamos ido a maternidade, deixamos nosso filho mais velho
dormindo com minha sogra. Tínhamos um plano: assim que eu entrasse em trabalho de
parto, ele ficaria com a minha irmã, pois não queria que ele me visse sentindo dor ou medo, e
sabendo que ele estava bem cuidado podia me desligar e me entregar à Partolândia. Todo
mundo avisado, whatsapp apitando (e me irritando, diga­se de passagem), as contrações
vindo... fui pro chuveiro e fiquei ali tentando entender o meu corpo e relaxar. Disse para Helena
que estava pronta e que ela podia vir no seu tempo. Minha mãe chegou em casa alguns minutos
antes de sairmos para repetir o exame. Vi que ela estava aflita e com medo, mas se mostrou
forte. Sabia que ela ficaria com o coração apertado durante todo o processo e pedi em
pensamento que Deus a confortasse e acalmasse seu coração, porque nós estávamos bem e
que tudo daria certo. No caminho para a clínica xinguei os buracos, xinguei o prefeito e queria
muito que o Max tivesse um avião e não um carro. Paramos em uma padaria porque ele me
lembrou que eu precisava me alimentar. Fui comendo no caminho, queria fazer logo o exame,
queria parir logo...
De novo batimentos cardíacos ok, movimentação lenta demais. Fomos dali para o consultório da
Dra Rúbia. Como eu já havia abandonado o celular, Max se encarregou de avisar a doula,
conversar com a médica, com a família, com os amigos... a dor já me tirava do eixo e eu só
queria que passasse logo... e passava. Antes que viesse a próxima contração, conseguia
conversar, perceber o que estava acontecendo a minha volta, pedir para Deus tomar a frente
naquele momento. Às 10h30 chegamos no consultório da Dra Rúbia. Enquanto esperávamos,
lembro de ver o olhar curioso de algumas pessoas na sala de espera. Ri da situação, já que não
é mesmo muito comum uma grávida em trabalho de parto zanzando por aí. Durante o
atendimento da Dra (esse sim cheio de respeito e carinho de um ser humano para outro),
descobrimos que já havia 1 cm de dilatação (oi? só isso???) e presença de mecônio no líquido
amniótico. A Dra, com toda sua paciência, me explicou que estava tudo certo. O mecônio estava
fluído (havia muito mais líquido amniótico do que mecônio) e por isso não era um indicativo para
cesárea. Pediu para caminharmos em uma pracinha quase em frente ao consultório, para
acelerar a evolução. E lá fomos nós. EU dava 5 passos e parava. Lembrei que agachar alivia as
dores, e a cada contração segurava o braço do Max e agachava, me balançando de um lado
para o outro, até passar. Quando passava, discutíamos sobre o que faríamos. A notícia do
mecônio, mesmo que fluído, nos deixou apreensivos. Andamos mais um pouco e uma senhora
parou de carro para oferecer ajuda. Achei fofo, mas a contração veio e foi o Max quem explicou
que eu estava bem, que era para acelerar a dilatação, indicação da médica... uma graça, os dois.
Ela, por se preocupar com uma estranha, e ele, por pacientemente explicar a situação à ela
(quem o conhece, sabe bem que paciência não constitui sua personalidade, rs). A senhorinha
não foi a única a parar. Mais outra jovem senhora e também um casal pararam para oferecer
ajuda (de novo a estranheza ao ver uma grávida em TP zanzando por aí...). A volta na pracinha
durou aproximadamente uma hora, exatamente o tempo que deveríamos caminhar. Outra
padaria na reta; eu estava com sede e queria um suco (“Do que?”. “Sei lá, de qualquer coisa
gelada”). De volta ao consultório, descobrimos que já eram 4cm de dilatação (uhuul, tá indo
rápido!). Eu disse que estava com medo por causa do mecônio, queria saber os riscos. A Dra
mais uma vez nos explicou que para ela não era indicativo de cesárea, que nós faríamos outra
cardiotoco na maternidade para ver se estava tudo bem, mas me disse que se eu quisesse uma
cesárea ela faria como eu decidisse. Sabia que ela estava sendo sincera. Em nossa primeira
consulta ela havia me dito que nunca arriscava. Lembrar disso me deu segurança. Fomos para a
maternidade e assim que chegamos, a moça da recepção me mandou para a salinha de repouso
enquanto Max dava entrada na papelada da internação. Entrei e tive medo. A contração veio em
seguida e tremi. Pela primeira vez eu estava sozinha. Me lembro de implorar a Deus que a dor
passasse. O medo embargou minhas ideias, fez com que a dor parecesse insuportável. Não
conseguia lembrar de nada além da dor. Entre os intervalos das contrações, bolei um plano na
minha cabeça: não queria mais sentir dor, então, assim que a Dra Rúbia chegasse, eu diria que
estava com medo por causa do mecônio e queria fazer a cesárea. Repassei isso na cabeça
durante o tempo em que fiquei sozinha na sala. Foram os 10 minutos mais longos de minha vida.
De repente a porta se abriu e eu ouvi: “E aí, nega?”. Quando abri os olhos e vi a Fabrina, todo
medo que estava pairando na minha cabeça sumiu. Me senti confiante de novo, e meu coração
se encheu de paz. “Agora começou”, pensei. Logo atrás entrou a Dra Rúbia, e em seguida o Max.
Pronto, eu não estava mais sozinha (Obrigada, Deus!). Fabrina já chegou com suas mãos de
fada, massageando, empurrando a cada contração, me lembrando de respirar e vocalizar (E não
é que vocalizar ajuda mesmo a aliviar?). Mais um exame, sem nenhuma alteração nos
batimentos. “A Helena tá bem, gata, fica tranquila.”. A voz doce porém firme da Dra me deu novo
ânimo.
Fomos para a sala de parto. Depois de ouvir que já eram 6cm (Caraca, vem que vem Helena!),
Fabrina me disse para entrar na banheira. E eu, que sempre me encantei com os relatos sobre
partos na água e com as fotos que via, não senti nenhuma vontade de entrar na banheira. Senti
foi uma imensa vontade de fazer força. Meu corpo pedia por isso, ninguém precisou mandar.
Meu corpo sabia exatamente o quê e quando fazer. Testamos algumas posições, mas na
banqueta eu me achei. Ora o Max apoiava as minhas costas, ora a Fabrina massageava. As
contrações vinham fortes, e, quando vinham, eu sentia uma calor absurdo: “Liga o ar
condicionado!”, eu dizia. Mas quando passavam, eu implorava por meu casaco (a louca da
temperatura, hahahaha). Mas a Fabrina, prevenida como ela só, tinha um leque para amenizar o
calor sem ficarmos na guerra do liga/desliga. Em alguns momentos eu era quem desligava e me
concentrava apenas no que estava sentindo. Sabia que estava mais próxima de segurar minha
‘pequeninha’ a cada contração, e focava apenas nisso. Em outros momentos, queria participar da
conversa que seguia animada na sala de parto. Cada vez que a Dra ia auscultar os batimentos da
Helena, perguntava se podia, esperava ser o melhor momento para mim, sempre com um olhar
de carinho e respeito. Fabrina sempre por perto, me lembrando porque eu estava ali, me dando
água, oferecendo chocolate, cuidando de mim, do meu bem estar. O Max, que se manteve calmo
e paciente desde o início, me incentivava com palavras e carinhos (quando eu largava o braço
dele). Até que a dor sumiu, a vontade de fazer força me dominou, e eu me entreguei de vez à
Partolândia.
A partir desse momento não assimilei mais nada do que acontecia à minha volta. Depois fiquei
sabendo que a Luya chegou mais ou menos nessa hora. Minha amiga querida, fonte de
informação é quem iria fotografar a chegada da Helena, mas ela estava nervosa e na pressa de
sair de casa deixou a bateria da câmera carregando (Um salve para os smartphones,
hahahahahaha).
As contrações agora eram diferentes. Eu conseguia sentir que a cada uma delas o corpinho da
Helena descia, sabia que o momento estava chegando e naquela hora eu só queria fazer com
que tudo desse certo. Senti o ‘círculo de fogo’, do qual a Fabrina tinha falado na última aula, e se
não soubesse que o que era teria me assustado. Alguém que eu acredito ser a Dra Rubia me
perguntou se eu queria colocar a mão na cabecinha da Helena (ela já tinha coroado), mas eu não
quis. Não queria me mover, queria fazer força. Me concentrava e repetia: ‘Respira, força!’
E então às 15h45 PM eu senti ela escorregar e tudo passou. Ela veio pros meus braços, e era
linda! E estava bem. Obrigada Deus! Me sentia tão perto Dele que naquele momento tenho
certeza de que fui ao Céu e voltei. A sala se encheu de paz e calma. Ficamos ali, extasiados.
Max e eu olhando pra ela, ouvindo seu chorinho, admirando como era perfeita. Que sensação
maravilhosa ter ela ali grudadinha a mim!
Agradeço à Deus ter me permitido vivenciar essa experiência maravilhosa. Junto com a Helena
eu renasci, nossa família renasceu.
À Dra Rúbia e a Fabrina, gratidão e admiração eternas, pelas profissionais e seres humanos
incríveis que são. Vocês vieram para fazer a diferença.
À família que nos deu todo amparo para que pudéssemos viver esse dia, e aos amigos que
fizeram uma corrente cheia de orações, pensamentos e energias positivas, o nosso muitíssimo
obrigado!
Ao Max, que está ao meu lado há 15 anos, sendo meu parceiro, meu amigo, meu namorido, meu
agradecimento mais que sincero por todo apoio, carinho e compreensão nesse momento tão
especial. Obrigada por me escolher!
Esse é o meu relato, minha história. Aprendi que quando você procura, se informa, é possível ter
um parto com respeito e amor, independente da maneira que escolha para parir. A humanização
do parto é para todas.
“Humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto.
Humanizar é respeitar esta fisiologia, e apenas acompanhá la.
Humanizar é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais,
psíquicos e emocionais da mulher e de sua família.
Humanizar é devolver o protagonismo do parto à mulher.
É garantir lhe o direito de conhecimento e escolha.”
Eleonora de Moraes Idealizadora do Despertar do Parto, Psicóloga, Doula e Mãe de 3 filhos.
.
Naara Rockel, 07 de Janeiro de 2016




















Fotos escolhidas e mandadas pela mãe. 
Fonte: arquivo pessoal e amiga Luya 

domingo, 3 de janeiro de 2016

Relato de Parto Arusa Salgado

Parece grande este relato... e é mesmo... rs Mas irá te prender, te emocionar e te dar forças a cada parágrafo.
Obrigada querida Arusa, papai Maurício e pequena Alice por história tão linda e cheia de paz !



Todo vento sopra a favor de quem sabe para onde ir, e quando você tem FÉ e busca em Deus, a realização dos sonhos e planos que Ele tem para sua vida, Ele próprio lhe dá forças além das suas e torna aquilo que é impossível real, e, ainda que o mar cresça diante dos seus olhos, em Deus você encontra o descanso necessário e a Sua Forte mão lhe guia e sobre as águas Ele lhe faz caminhar em segurança.
Há cerca de um ano atrás, em dezembro de 2014, senti em meu coração o desejo de ser mãe e junto com meu marido, decidimos que 2015 seria o ano do início das nossas tentativas de engravidar. Entreguei a Deus o desejo do meu coração e comecei a me preparar para esse propósito, e qual não foi a nossa surpresa e imensa alegria ao descobrirmos, na madrugada do dia 20 de abril deste ano 2015, por um teste de farmácia, que estávamos grávidos!
Para me acompanhar ao longo da jornada, escolhi o médico obstetra, Doutor Wilson Ayach, por ser um profissional de excelência, um ser humano íntegro, comprometido e de um coração enorme, que sempre me acolheu com um largo sorriso no rosto, um abraço terno de pai e me transmitiu toda segurança e paz que precisava em cada atendimento, conduzindo a tudo com muita firmeza, sem neuras e radicalismos, e que literalmente, se deitou no chão e ajoelhou comigo para aguardar a chegada do meu bebê! Salvo engano, na nossa consulta com o doutor Wilson, logo após a descoberta da gravidez, quando vimos no ultrassom o saco gestacional de 6 semanas e 4 dias, e um coraçãozinho a pulsar fortemente, ele comentou acerca de parto comigo e me perguntou se eu tentaria o normal. Disse-lhe que, em princípio sim, mas que teria de pensar melhor sobre o assunto e mais para frente, conversaríamos a respeito.
Como, quando você começa a fazer parte desse universo gestacional, tudo parece lhe atrair para ele, um dia assistindo TV, eu e meu marido nos deparamos com um documentário que mudaria as nossas vidas, chamado "O Renascimento do Parto", que muito nos tocou e reafirmou o nosso desejo pelo parto normal, e me cativou principalmente, quanto ao parto humanizado, eu me emocionei muito com os depoimentos prestados e acreditei que seria possível viver aquela experiência incrível também. Comecei a me informar melhor sobre o assunto, li muito, assisti a vídeos e palestras e busquei saber sobre os prós e contras dessa minha decisão. Muitas questões surgiram: Sentiria Dor? O trabalho de parto poderia levar horas? Ficaria cansada demais? O bebê poderia mudar de posição? Poderia não dilatar o bastante? O bebê poderia não descer e precisar ir para uma cesariana no fim? Sim, tudo isso é verdadeiro, mas, também é verdade que não existe parto sem dor; que escolher bem os profissionais que lhe acompanharão nesse momento, ajuda você a encarar o tempo do trabalho de parto; bem como, estar num hospital dotado de recursos para eventuais problemas ou emergências lhe dá segurança e faz toda a diferença; e, tudo isso se apequena diante da grandeza de saber que você pode parir um filho na hora dele, em que ele decidiu que está maduro e pronto para vir ao mundo! Digo sem sombra de dúvidas, que as vantagens de um parto normal/natural são infinitamente maiores que os contras e, me empoderei disso! Claro que, além da mente, preparei meu corpo para esse propósito e, nisso o Pilates foi fundamental, me fortaleceu tanto os músculos quanto a respiração. Foram 6 (seis) meses de exercícios quase diários com a minha professora Bruna Oliveira, que valeram muito e me ajudaram bastante na hora! Procurei também uma nutricionista especialista em grávidas, Aline Baldan, e juntas, focamos numa dieta rica em tudo o que fosse importante para o desenvolvimento do bebê em cada fase do seu crescimento, a fim de engordarmos somente o necessário para não comprometer meu rendimento no trabalho de parto ativo, vez que sabia que precisaria de resistência e muita disposição. Nessa nova realidade, nos deparamos também com a figura da Doula, profissional, de que confesso, nunca ter ouvido falar antes do documentário a que me referi acima, e que pensava ser apenas a modinha do momento, mas não demorou muito para perceber o quanto estava equivocada a esse respeito.
Graças a Deus, na busca pela Doula que nos acompanharia no parto, uma amiga me indicou a Fabrina, e já no nosso primeiro contato vi brotar uma forte empatia entre a gente e, na nossa primeira entrevista senti que tinha de ser ela mesma! Nos encontros que se sucederam, nas conversas em redes sociais e grupos de Whatszap constatei que tinha feito uma grande e acertada escolha! O jeito espontâneo, franco e meio "amalucado" da Fabrina são cativantes. Demais disso, todas as meninas amavam a Fa, reforçavam a todo tempo o importante papel e desempenho que ela exercia, antes, durante e após o parto, mas principalmente, durante o trabalho de parto, fosse ele normal ou por cirurgia cesariana, todas confirmavam o quanto as suas palavras de incentivo, as suas massagens, e até os "pitos"que ela precisava dar às vezes eram importantes e faziam a diferença, e, isso me transmitia muita paz e segurança ao coração!
E, comigo, não foi diferente! Quando chegou a minha hora, a Fabrina estava lá ao meu lado e foi sensacional, me ajudou muito! Ela foi incrível!
Na verdade, sem a Fabrina, sem suas mãos abençoadas; sem o doutor Wilson Ayach; sem o meu marido e sem a nossa fotógrafa Paula Cayres, que além de registrar a tudo com extrema discrição e cuidado, sempre tinha um sorriso terno no rosto e uma palavra doce e amiga nos lábios; enfim, sem todos eles, eu não teria conseguido chegar tão longe! Eles foram instrumentos preciosos nas mãos de Deus!
Tudo começou no dia 4 de dezembro de 2015, uma sexta- feira, véspera do nascimento de Alice. Acordei pela manhã sentindo cólicas e dores abdominais e, inicialmente pensei que poderia ser uma indisposição estomacal por conta de uma pizza da comemoração da noite anterior, mas notei um resquício de sangue ao urinar, diante disso avisei a Fabrina, e também o meu obstetra, Dr Wilson Ayach, e ambos disseram que era apenas o comecinho de tudo! Lembro-me bem do Doutor Wilson ter me respondido: "Fica tranquila, está chegando a hora!" Nossa, estava chegando a minha hora! Minha filhinha estava a caminho, e nas próximas horas, ou talvez dias - pois aprendi que os prodromos podem durar horas, dias e até semanas, e isso acontecera com duas amigas do grupo das Doulandas de que faço parte -, de todo modo, em breve, a teria em meus braços... Liberada pelo médico para sair de casa e seguir vida normal, fui de carro visitar uma amiga junto com a Fabrina e, no caminho de volta, percebi que as dores se intensificaram, era meio-dia quando comecei a usar meu aplicativo de contrações baixado na última aula da Fabrina (DORAP pra quem se interessar), as dores eram fortes mas não ritmadas ainda. No almoço, seguindo as orientações que havia lido nas várias pesquisas que fiz, decidi me alimentar essencialmente de carboidratos, e comi massas, carne e vegetais, pois afinal, precisava de energia para encarar o trabalho de parto que tinha pela frente ainda. As cólicas, ou melhor, os prodromos se instalaram cada vez mais fortes, muito embora irregulares, mas me concentrei no fato de a dor forte durar cerca de um minuto e depois passar, e assim, enveredamos pela tarde, noite e madrugada inteiras, eu e o meu marido, monitorando as contrações e enfrentando e driblando as dores como dava...em casa, fiz muitos exercícios na bola de pilates, caminhadas, agachamentos, banhos quentes, e, mesmo bem pouco, cochilei entre uma dor e outra mais espaçada... vimos ainda, o tampão sair, e já era  madrugada de sábado, dia 05/12, quando por volta das 05h30, conversando com a Fabrina pelo Whatszap, eu e meu marido decidimos ir até a maternidade a fim de passarmos pelo plantonista para uma avaliação... Após a consulta, o plantonista disse que eu estava no início da fase latente ainda, com cerca de 3 (três) centímetros de dilatação, e me recomendou ir para casa.
Mas quando você entrega tudo nas mãos de Deus, Ele se encarrega de cuidar de você e de todas as suas necessidades! Digo isso, pois meu marido tinha enviado antes um pouco, uma mensagem ao Doutor Wilson, avisando-lhe que estávamos na maternidade para uma avaliação, pois as dores tinham aumentado e, o doutor respondeu que estava a caminho da maternidade e que era para aguardarmos por ele. Assim o fizemos, e qual não foi a nossa surpresa quando, passado cerca de meia-hora, o doutor Wilson me avaliou e constatou que, eu estava em trabalho de parto, com 6 (seis) centímetros de dilatação, e na maternidade eu fiquei já e fui encaminhada imediatamente para a internação e para a sala de parto. Ainda bem que, prudentemente, já tínhamos deixado as nossas malas e a da bebê no carro por precaução dias atrás. E, foi o próprio doutor Wilson quem primeiro avisou a Fabrina para correr para a maternidade e, às 7h fui conduzida diretamente para a disputada Sala de Parto Humanizado - Sala 4-, onde daria início à realização do meu sonho.
Me instalei na sala 4, preparei minha caixinha de som com meu playlist, a Fabrina chegou minutos depois, trazendo bolo e um pudim deliciosos, bem como, o Mauricio, meu marido, logo desceu do quarto, se trocou e se colocou a postos ao meu lado, chegou também a Paula Cayres, nossa fotógrafa querida! O doutor Wilson tinha ido realizar duas cirurgias cesarianas e mais tarde se juntaria a nós.
Junto com a Fabrina dei início aos exercícios, massagens e relaxamentos, caminhei a passos largos pela sala e, com ela e meu marido relaxei um pouco no chuveiro quente, depois me exercitei na bola de pilates e não demorou muito para eu ir para a banheira... Diga-se de passagem, uma piscina infantil de plástico com desenhos de peixinhos e fundo do mar, mas que é mágica, e isso é o que importa! Santa banheira! Como alivia as dores e o peso das articulações ficar dentro dela...
Mágicas também são as mãos da Fabrina!
Sabidamente, a Doula existe para acompanhar a gestante antes, durante e após o parto, lhe dando apoio emocional, psicológico e físico, lhe ajudando essencialmente a respirar, fazendo-lhe massagens, incentivando, e até alimentando-lhe se for o caso, e a Fabrina fez tudo isso e muito mais, ela foi nota mil, e possui ainda, mãos fora de série! Ela é uma Doula de excelência! As massagens dela são bem fortes, vigorosas que chegam a intimidar as próprias contrações, creio que deve ter algum segredo no óleo de lavanda e pimenta que ela passa nas mãos, pois é muita unção!
Na banheira, você relaxa bem e, consequentemente, inibe as contrações involuntárias, e a Fabrina sempre alerta a tudo a nossa volta, percebeu isso e me indicou levantar, me mexer, agachar, a sair da minha zona de conforto e trabalhar um pouco para as contrações não pararem, afinal, eu estava ali para parir e não para relaxar né? kkk Como a mão que fere é a mesma mão que afaga, depois de me exercitar mais e sentir as contrações novamente, voltei a me aconchegar na banheira e a Fabrina jogava água quente nas minhas costas pra aliviar a tensão e as dores, e me dava também bolo pra comer, o qual eu provei mesmo com um pouco de enjoo por causa da dor e, que estava uma delicia! E, assim seguimos...
A cada contração que vinha eu apertava as mãos do meu marido, ele foi meu conforto e apoio e ficou firme e forte ao meu lado, o tempo todo, me incentivando a prosseguir e me encorajando sempre! Nesse compasso ficamos, quando por volta das 9h30min o Doutor Wilson chegou, auscultou o coração de Alice, estava tudo bem, e se acomodou com a gente. Entre uma contração e outra eu também participava da conversa Kkkk.
Da banheira, a gente partiu para a bola de pilates... Como é bom quicar naquela bola, rebolar nela, desenhar o símbolo do infinito, um bálsamo também! Ainda mais quando toca uma música que você adora e que fala muito ao seu coração, que traz Deus para mais perto de você e faz você transcender para além do limite físico que você se encontra, aí tudo fica perfeito. Quando estava me exercitando na bola, tocou aleatoriamente no meu playlist, um louvor que eu amo, chamado "Oceanos" da cantora Ana Nóbrega, e eu viajei, cantei, chorei, clamei, me fortaleci mais e mais em Deus! Orei inclusive, pela alma da minha tia que havia falecido na véspera e estava sendo enterrada justamente naquela manhã...a vida é cheia de mistérios, um ciclo se fecha, e outro se inicia! Um misto de emoções me invadiu o peito naquele instante! Não fosse a Fabrina ao meu lado (chorando, como ela me confidenciou mais tarde), eu teria caído da bola, porquanto me desequilibrei viajando nos meus pensamentos e súplicas. De fato, sua mente e seu espírito precisam estar igualmente focados e fortalecidos para você enfrentar uma situação de parto e, eu sei que não fosse a presença viva e eficaz do meu Deus naquele lugar me renovando as forças, e encorajando o meu espírito eu não teria conseguido!
Conforme a manhã passava, ficávamos mais unidos, me senti muito acolhida na sala de parto, pois há muito carinho, respeito e amizade, todos trabalham em prol de um mesmo objetivo que é trazer ao mundo seu bebê em segurança! O clima era muito bom, e nos divertíamos também! Todos tiravam sarro do meu marido, pois conforme a hora passava ele estava perdendo o bolão da família, vez que tinha apostado que Alice nasceria no dia 4, e como ninguém havia escolhido o dia 5, segundo as regras estabelecidas, ele poderia ganhar se ela nascesse até o meio-dia, mas as coisas iam longe por ali Kkkk
Mas, a despeito de me sentir bem, estar entre amigos, em um lugar agradável e aconchegante, senti muito cansaço também, afinal estávamos sem dormir direito desde o início da tarde do dia anterior, e eu ainda, sentindo as dores das contrações! Por isso, nessas horas faz muita diferença a equipe que você tem ao seu lado, e a minha era humanizada por inteiro! O doutor Wilson me deixou deitar e descansar um pouco, não fosse o fato de as dores ficarem mais fortes na posição deitada, é um imenso consolo você poder se deitar e ter o seu médico lhe dizendo isso, sem lhe apressar ou querer terminar tudo logo, do contrário, antes, respeitando o seu tempo e lhe transmitindo toda a paz e serenidade do mundo! O doutor Wilson cativou ainda mais minha admiração e respeito por essa sensibilidade que teve para comigo, e que certamente, tem com todas as suas pacientes, pois todas o admiram e o respeitam muito! Em todo o tempo, o Doutor Wilson foi muito atencioso, responsável, auscultava o coração do meu bebê periodicamente, e conduzia o procedimento médico com tamanha leveza e tranquilidade que levou embora os meus fantasmas e me acalmou a alma. Por volta das 11h30mim me aconselhou a romper a bolsa, me deixando muito à vontade para esperar se por ventura quisesse, mas sempre esclarecendo com toda sinceridade, as vantagens e desvantagens do procedimento... Sempre disse ao doutor Wilson que ele tinha a minha confiança irrestrita e que atenderia aos seus comandos sem contestar, pois sabia do seu comprometimento com a gente, e que se precisasse plantar bananeira, eu daria um jeito...kkkk eu, meu marido e o Doutor ponderamos a respeito, e decidi por romper a bolsa, esperando as contrações aumentarem em consequência, mas nem posso dizer que tenham crescido tanto... Eu tinha me concentrado no fato de que precisava suportar a dor por cerca de um minuto ou um pouquinho mais e que depois ela passava, e levava um tempinho pra voltar, de modo que dava para respirar e relaxar um pouco e, como aprendi com a Fabrina que respirar comprido, relaxando os ombros e vocalizando sons abertos aliviava muito, consegui suportar bem mais as contrações quando elas vinham...  Procurava sempre fazer o que a Fabrina ou o Doutor Wilson me recomendavam pois sabia que era o melhor pra mim!
Consegui ir até o fim, suportando as dores e expulsando minha filha de dentro de mim da forma mais natural! Não sou super corajosa, louca ou a mulher maravilha por causa disso, graças a Deus tudo convergiu para que eu conseguisse ter o meu parto assim, como sonhei. Não vou dizer que não pensei em pedir analgesia, pois as contrações doem sim, mas como ouvi de uma amiga uma vez, "é uma dor de amor, dor de vida", além disso, avaliei o tempo que levaria até o centro cirúrgico para realizar o procedimento, e também o fato de que não poderia mais voltar para a sala de parto, e, eu queria estar ali, naquele espaço humanizado, no meu céu, ouvindo as minhas músicas, me exercitando...por isso, respirei fundo, foquei no meu intento e tapeei um pouco mais a dor... Também não vou dizer que não pensei em pedir para ir para a cesárea, afinal, estava cansada e já tinham se passado muitas horas, e com o rompimento da bolsa, percebi minutos depois que tinha escorrido um pouco de mecônio, o que me deixou tensa e preocupada. Chamei o doutor Wilson e lhe disse que estava cansada e que havia visto o mecônio no lençol e que ele podia interromper o meu trabalho de parto e fazer o que fosse preciso, me levar para uma cesariana, aplicar ocitocina em mim, enfim, o que fosse necessário e melhor para proteger minha filhinha, pois eu já tinha chegado muito mais longe do que imaginava e não me importava mais em ter um parto normal se acaso ela estivesse em risco, e, esse homem, no auge de todo seu sucesso e reconhecimento profissional, com toda simplicidade que lhe é peculiar, se levantou do chão e se ajoelhou ao meu lado e, segurando as minhas mãos, olhou nos meus olhos e me disse com toda tranquilidade, que estava tudo bem com Alice, que ele estava monitorando os sinais dela e estava tudo sob controle, de modo que não era para eu me preocupar, pois ele não estava preocupado, e, que o mecônio não representa perigo ou sofrimento fetal por si só, se os demais sinais do bebê estiverem bons, e que ele confiava em mim, e sabia que eu tinha me preparado para aquele momento e, que eu não precisava de ocitocina pois as minhas contrações estavam fortes e, também que não me levaria para uma cesariana pois não era necessário.
A minha equipe foi mesmo fantástica, todos me incentivaram a prosseguir, me fortaleceram mais e mais. O meu marido segurou minha mão e disse que acreditava em mim, que faltava pouco! A Fabrina e a Paula me mostraram como eu estava evoluindo bem e que tudo ia dar certo... E o meu médico como se pode ver, foi fabuloso! Digo sempre que, quando o meu corpo foi cansando e meu coração ficou apertado, o Dr Wilson veio como um anjo e acalmou meu espírito e me encorajou mais um pouco... Ele foi incrível, pois abafando de certo suas preocupações, exorcizou os meus medos...ao doutor Wilson Ayach, dizer obrigado é pouco!
E foi assim, que com um fôlego novo eu subi mais uma vez na cama, agora pra tentar a posição de quatro, quando senti então, uma pressão e calor na pelve, que segundo todas as informações lidas e processadas, anunciavam que Alice estava ali, muito mais perto, chegando para os meus braços... Isso me deu mais força! O doutor e a Fabrina avaliaram a posição em que me encontrava e me disseram que ela não me favorecia, pois não me dava a abertura necessária para a expulsão, sendo o mais indicado para mim a banqueta...Sabia que precisava sair daquela cama e me sentar na banqueta... Pedi uns minutos ao doutor pra me concentrar nisso, e clamei a Deus por mais um pouco de força, para que Ele me iluminasse e me ajudasse a trazer Alice ao mundo! Falei também com Alice, para ela não ter medo de vir, pois o amor a esperava aqui fora! Pedi então, para a Fabrina preparar a banqueta e desci da cama de ré... Me sentei na banqueta - confesso que a posição de cócoras ou sentada, não foi das posições sugeridas, a que mais eu tenha gostado, mas a aceitei por saber que era a melhor para o meu expulsivo - e, ali então, sentada na banqueta, apoiada no meu marido, tinha a Fabrina ao meu lado, decifrando meus sinais de dor e massageando com vigor minhas costas... A minha frente, o Doutor Wilson Ayach, literalmente deitado no chão... O doutor me ensinou a respiração da força expulsiva e pacientemente me ensinou a perceber a diferença entre ter vontade de fazer força e fazer força só por causa da dor. A pediatra, Dra Suely Pretto, foi chamada e também se acomodou na sala à espera de sua nova paciente.
E nisso, já passava pouco mais de 13h30min, quando começou a chover ou quando percebi que lá fora chovia torrencialmente... chuva de bençãos dos Céus! que maravilha! Que bom presságio! Senti que Deus estava renovando tudo,limpando e preparando um novo campo para nós! Senti também vontade de fazer força e fiz... O Doutor Wilson  perguntou se queria tocar a cabecinha da minha filha, nessa hora o coração acelerou, pois sabia que faltava muito pouco pra ter minha bebê em meus braços... De repente, o meu marido começou a chorar, e eu pensei: - Meu Deus, o Mauricio está vendo a Alice, ela chegou e eu preciso de forças para tirá-la de mim, me ajude Senhor! E, eis que um clarão de luz rasgou o céu e sob a voz do trovão, as 13h59 Alice nasceu! Das mãos do Dr Wilson, Alice veio direto para o meu colo e ali ficou acomodada por uns minutos e eu pude sentir a maior emoção da minha vida, e junto com meu esposo, profetizar sobre ela as mais ricas bênçãos do Céu, a proteção e o amor de Deus e a cobertura do Espírito Santo da promessa!
Gratidão é o que transborda de mim! Toda gratidão do meu coração a Deus, o autor e consumador da minha fé, que me inspira e me dá forças! Gratidão a Fabrina por todo carinho, dedicação amizade e serviço, por ser uma Doula tão presente e companheira, incentivadora, amiga!  Gratidão ao Dr Wilson Ayach por todo seu afeto, sensibilidade, disponibilidade e pela segurança e força transmitida a nós. Gratidão a Paula Cayres por sua sensibilidade e discrição. Gratidão a Dra Suely Pretto pelos cuidados com a minha pequena. Gratidão ao meu marido, amor da minha vida, que se manteve forte ao meu lado e não tosquenejou, me incentivou todo o tempo e foi minha mão forte até o fim.
O dia 05 de dezembro de 2015 se tornou um marco na minha vida, não apenas por ter sido o dia em que segurei nos braços minha Alice, mas por ter sido o dia em que, como mulher, me tornei livre! Que literalmente, expulsei de mim as amarras e fraquezas que carregava e, pude, pela FÉ transcender, para um plano mais elevado de luz, descobrindo em mim, uma força e coragem que desconhecia até então, e fazendo brotar do meu ventre a essência e a verdade pela qual vivi até hoje! Digo e repito: Passaria por tudo de novo, mas com todos eles ao meu lado! Que Deus abençoe mais e mais a cada um e lhes retribua com vida e saúde abundantes! Hoje, dia em que encerro o meu relato de parto, minha pequena Alice já está com 25 dias completos, a vida da gente muda radicalmente com a maternidade, mas é uma experiência incrível em todos os sentidos, novas sensações, sentimentos e desafios se apresentam... Como diz Maria Bethânia: "Você verá que a emoção começa agora, agora é brincar de viver!" bom, mas isso é assunto para um próximo relato! Um forte abraço, Arusa.


A música --> https://www.youtube.com/watch?v=1XqHlWsMThA








             


















:       
Fotos > Ana Paula Cayres, Arquivo pessoal da Doula e Arquivo pessoal do papai Maurício. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Relato de parto- Viviane Costa Lopes

Relato de parto- Viviane Costa Lopes

NÃO EXISTE PARTO SEM DOR!!! Inicio meu relato com esta frase, pois ficou muito marcada em meu subconsciente...
Na manhã do dia 9 de novembro acordei com fortes dores abdominais e diarréia, logo, tomei um buscopan composto e deitei de ladinho, esquerdo, para ver se a dor passava, o André foi até a casa de um amigo e eu continuei deitada e me sentindo um pouco melhor. Minha médica e prima Dra. Rubia Borges, pediu que eu fosse até o Hospital das Moreninhas no período da tarde, pois ela estava de plantão, e como eu estava com 39 semanas e 6 dias ela gostaria de me avaliar, combinei com ela e aproveitei pra dizer que estava com um desconforto abdominal que não passava, e que a tarde explicaria melhor pra ela.
As dores ficaram mais constantes, mandei mensagem pro André vir embora, pois iríamos até a Dra Rubia. Cheguei ao Hospital já com dore fortes, porém suportáveis, por volta das 15:30 hs, tanto que a Rúbia percebeu logo minha feição de dor. Fizemos o toque e eu estava com 2 cm de dilatação, ela pediu que eu retornasse pra casa, e combinamos de nos encontrar na maternidade por volta das 20:30 para uma nova avaliação. 
Fui para casa, avisei a minha doula Fabrina, comecei a controlar as contrações, sempre com a ajuda do André. Por volta das 18:30hs as dores ficaram muito intensas, mas ainda suportáveis, fui para o chuveiro, sentei na bola para fazer exercícios, vocalizei a dor, sempre avisando a Rubia e a Fabrina através de mensagens, e no horário combinado fomos para a maternidade, ao entrar no carro minhas dores já eram bem mais fortes, e eu disse ao André: 
- Só falta eu estar sentindo toda esta dor e chegar na maternidade ainda com 2 cm de dilatação!!!
Chegamos na maternidade, Fabrina e Rubia já estavam lá, ao entrar a Fabrina já fez uma pressão nas minhas costas, pois eu já estava com bastante dor (mas ainda estava suportável), quando a Rúbia fez o toque... santa boca a minha... EU ESTAVA AINDA COM 2 CM!!! Neste momento eu desesperei, disse que não queria mais sentir dor, que queria fazer logo a cesárea!! Pronto, André, Rúbia e Fabrina me olharam com uma feição de espanto, e foi quando a Fá disse:
_ vívi... não existe parto sem dor, você se preparou pra isso!!

A Rúbia achou melhor me internar logo, pois eu estava muito nervosa, fui para a sala de parto, assim a Fá já providenciava o enchimento da banheira pra me aliviar no começo e diminuir meu estresse. Enquanto isto minha bolsa rompeu. Fabrina sempre me acalmando, dizendo que eu precisava daquela contração, daquela dor pro meu bebê nascer, e então a milagrosa banheira ficou completamente cheia , o alívio foi tanto que eu já estava mais positiva, pedia pra dor vir, conversava comigo mesma pedindo calma, o André e a Fabrina sempre me acalmando, não consigo me imaginar sem eles naquele momento. Com meia hora na banheira as dores já estavam insuportáveis, neste momento pedi pra fabrina ligar pra Rúbia, eu estava decidida a fazer cesáera novamente, fiquei muito brava, falava pra Fabrina e pro André que eles estava me enrolando, pra ligar logo pra minha médica ( a Rúbia tinha feito plantão o dia todo e precisava comer coitada rs ) enfim, a Fabrina ligou pra Rúbia e eu disse: 
_Prima, vem pra cá agora... quero cesárea, e não demora, eu to falando sério, vem agoraaaa!!!
Nesse momento eu já havia me transformado, fiquei grossa, tratava a Fabrina e o André mal, disse pra Fá que ela não estava me respeitando, que isso não tinha nada de humanizado coisa nenhuma, que eu estava sofrendo! rs (estresse momentâneo por causa da dor). Nesse momento a Fá olhou novamente em meus olhos e disse:
_ Vivi... você não é criança, se preparou pra isso, NÃO EXISTE PARTO SEM DOR!! Tenha calma!
Essa frase não sai da minha cabeça até hoje, pois realmente não existe parto sem dor, seja cesárea ou vaginal, a dor faz parte do parto. A Rúbia chegou, minha prima que cresceu junto comigo, então pensei: estou salva, vamos fazer cesárea, mas não... ela olhou pra mim com semblante bem tranquilo e disse:
_ Mas você só está aqui há 1 hora Vivi, deixa eu te tocar, vamos ver como está!
E então eu disse:
_ Pode tocar, e depois vamos para o centro cirúrgico pra fazer uma cesárea!
Então ela fez o toque... e eu estava com 9 cm de dilatação e o bebê no plano zero, eu dilatei 7 cm em uma hora!!!!!!!!! Meu Deus!!!!!!! Esse era o motivo de toda aquela dor, apensar do meu orgulho eu ainda batia o pé por uma cesárea até que me convenceram a tentar uma analgesia antes. Santa analgesia! Eu já sentia uma vontade incontrolável de fazer força e então comecei a sentir meu bebê se mexer dentro de mim, e é muito mágico, eu sentia quando ele descia, sentia os movimentos dentro de mim, agachava e levantava, até que vimos a cabecinha dele, sentei na banqueta e continuei com as forças e ele já estava chegando, então comecei a sentir uma ardência, como se meu períneo pegasse fogo. André segurando minha mão, Dra Rúbia sentada no chão, Fabrina também sentada no chão registrando os momentos rsrs, todos ali me dando muita força, então pensei... agora vai!! Fiz mais e mais força, até que a Rúbia disse: 
_ Você já quer vir priminho!
E ele veio, nasceu! Ás 00:14 do dia 10 de novembro, com 3.200kg e 50,5cm
(Detalhe que a Fabrina tinha ido beber água e perdeu justo o nascimento, pois Valdemir desceu muito rápido). Eu fiquei encantada, pois eu havia conseguido, ele estava ali nos meus braços, e todos que me deram a mairo força ali olhando... não sei explicar o que senti, só sei que é uma sensação perfeita, e a dor.... QUE DOR MESMO??? Ah aquela eu eu senti e disse que estava insuportável, essa dor compensou mais do que tudo quando o Valdemir estava nos meus braços.
A Fabrina, essa doula que é muito mais do que doula, teve um papel fundamental, pois ao mesmo tempo que eu pedia cesára, ela me convencia de que eu havia me preparado para aquele momento, as massagens e manobras diminuem e muito a dor na hora das contrações, fora o apoio emocional e o carinho. 
André, meu marido, foi perfeito, muito parceiro, carinhoso e paciente, e por fim a Dra Rúbia, que é uma excelente médica, realmente humanizada, que agora além do laço da família, tem também esse laço eterno, pois me ajudou a trazer meu maior tesouro ao mundo. 

Termino meu relato reafirmando, NÃO EXISTE PARTO SEM DOR, mas tudo vale a pena... e a equipe ... faz toda a diferença!! 





quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Relato de Parto Mayara Caldeiras e João

RELATO DE PARTO - nascimento Marco Antônio 17/11/2014

E então o dia havia chegado... Eu mal sabia que no fim da tarde daquela segunda, 17 de novembro de 2014, seria o dia escolhido por ele para chegar a este mundo, do jeito dele, na hora dele, e quando ele achou que estava pronto... Mas essa historia começa muito antes, muito antes desse dia... Quando conheci João Ricardo, nunca achei que quando tivéssemos filho ele nasceria de parto normal, alias muito pelo contrario, sempre pensei: pra que sofrer?? Justo nessa hora?? Eu hein... E ele, como sempre, dizia ao contrario: nosso filho nascera de parto normal! Eu nasci, meu irmão nasceu.. É normal! Anormal é cesariana... Mal sabia eu que ele já era empoderado desde sempre! 
Pois então quando descobrimos no dia 21 de março de 2014 que o nosso presentinho estava a caminho, que aquele serzinho planejado por nos já habitava meu ventre, foi então que as coisas tomaram um rumo ainda mais louco e delicioso.. Pois bem, estava acontecendo comigo né? No meu corpo? Então estuda Mayara, estuda!! Lá fui eu atras de blogs e sites pra saber qual a diferença entre os partos, benefícios, malefícios, o que seria melhor para o bebe? Para nos dois? Para nossa família? Foi então que ao ouvir de uma pessoa próxima, da família, que havia tido uma DESNEcesaria primeiro e depois um Parto Normal respeitoso é que comecei a perceber, que de fato eu não só podia, como devia tomar aquele caminho como meu objetivo, fazer com que a chegada do nosso príncipe, nosso menino, fosse respeitosa, humana e rodeada de amor e carinho, como ele merece! Afinal, era ele que estava nascendo, nada melhor que ele para decidir isso.. No meio desse caminho, troquei de medica, sabia que a minha ginecologista não iria levar esse meu desejo a serio, infelizmente... foi então que um anjo loiro entrou na minha vida.. Mais do que linda, ela realmente seguia a risca o que era exercer a medicina, cuidar do próximo... A primeira consulta só conversamos, 2 horas mais ou menos, e então fui me encantando cada vez mais, pela forma como me tratava, como tratava a minha família e como dividia aquele sonho conosco... Ela me apresentou o segundo anjo do nosso batalhão, a doula, que foi dia apos dia nos empoderando ainda mais, nos mostrando que seria possível e que esse seria sim o melhor caminho, desejado por nos, mas acima de tudo escolhido por ele, pelo nosso príncipe... 
E assim o grande dia foi chegando.. Mansinho... Devagarzinho, as dores começaram de leve na quinta, e foram aumentando, assim como a dilatação... Como ele quis, como ele sentiu que estava ficando pronto... 
40 semanas +1, As 6 da manha, uma contração muito forte me acordou, mal consegui ficar deitada.. Logo em seguida meu corpo, como que já prevendo o que ia acontecer, respondeu com uma forte diarreia.. Sabia que a hora estava chegando mas tentei descansar de novo... Porem Ha alguns dias uma febrinha me incomodava, e as 8 fui acordada de novo, mas dessa vez por conta da febre, 38 graus e meio! Resolvemos avisar a dra que pediu um exame de sangue, descemos para tomar cafe e as contrações começaram a ritmar, me lembro bem que eram 9 horas, sentei na bola para tentar comer e comecei marcar no celular.. Meus pais estavam em casa e não me esqueço da carinha de preocupação deles, mal sabiam que a hora estava por vir... Fomos ao laboratório, de la as contrações ja estavam em 5 em 5 min por mais de 1 hora, resolvemos avisar a dra, ela pediu para irmos ate ela depois do exame para que ela me examinasse... 4, pra 5 cm, colo médio apagado.. É de hoje não passa! Nossa foi como um soco no estomago, não de tristeza, mas de um misto de tantos sentimentos que não consigo resumir em palavras, que alias, foram sufocados por mais uma contração que chegou logo em seguida.. Avisamos a doula e a dra pediu para aguardarmos o exame de sangue.. Fomos ao mercado, nossa que ideia! As dores vinham e eu me abaixava entre as gondolas, rebolava.. O moco do açougue pergunta ao meu marido: é pra esse mês??! Não moço, é pra hoje mesmo! Olhos arregalados! Kkkkk é as pessoas não estão acostumadas... Compramos chocolates, frutas, tudo que eu teria vontade de comer, mal sabia que não conseguiria mais engolir nada... O resultado do exame de sangue chegou as 11 da manha, mandei pra dra e ela prontamente me respondeu: Mayara é uma infecção, não sei do que, mas preciso saber como esta o bebe, vá ate a clinica tal para fazermos cardiotocograma (um exame para ver as batidas do coração do bebe intrautero) enquanto isso vou chegando vaga nos hospitais.. E la fomos nos, ai a dor já estava numa escala de 0 a 10 em 4,5.. Contrações de 3 em 3 min... Exame feito, e para alivio, nosso príncipe estava bem tranquilo, chegando de mansinho, no tempo dele... Porem, a dra quis acompanhar mais de perto e resolveu nos internar... Nessa altura meu semblante já passava um pouco do momento que eu vivia, meus pais foram buscar as compras e ai então souberam que naquele dia iriam conhecer o neto... Fomos para o hospital El Kadri, a maternidade estava sem vaga, chegando lá João foi dar entrada na minha internação, as minhas dores só aumentando.. Resolvi ficar la fora e respirar um pouco de ar, passei mal, contrações ritmando, a doula estava chegando, a enfermeira pergunta: quer cadeira de rodas?? Não moça, quero um chuveiro e vou andando! Cheguei no quarto praticamente tirando a roupa e entrei no chuveiro... Aliviooooo!! Em pouco tempo chega a doula, contrações ritmando 2 em 2 min com duração de 3... As dores vinham, como se dilacerarem o meu corpo, mas ao mesmo tempo estava feliz em estar vivendo tudo aquilo, era ele chegando, do jeito dele, na hora dele, como ele quis... A água acalmava, as mãos da doula me aqueciam, a presença do meu marido me fazia esquecer a dor.. E assim as horas foram passando.. A dra chegou, me examinou.. 7 cm, estamos caminhando!! Me passou a medicação para a febre e seguimos partejando... Chuveiro, água quente, massagem... Mais pra cima, no meio das costas.. João me empoderando, dizendo vai dar certo... á eram 3 da tarde e as contrações ainda mais dolorosas, e compriiiidas... A doula falava grita, chora! Mas não, preferia me concentrar, em sentir aquilo, saber que meu filho estava chegando me amortecia, me enchia de esperanças e fé, em mim, no meu corpo, na minha mente e na vontade de Deus e do nosso príncipe... Mas a dor era tanta que eu pedia, quero anestesia, por favor.. Mas a doula sabia que era da boca pra fora, que não era o meu sentimento verdadeiro e dizia: pode deixar a gente já vai dar anestesia.. E me apertava, quase subia nas minhas costas, e aliviava a minha dor... A dra volta, Mais um toque, 8 pra 9cm, colo fino, ta quase... Mas dra quero anestesia! Anestesia agora? Aguenta você está chegando la!! Eis então que quando desço da maca, sinto a água escorrer: a bolsa estourou! Outro soco no estomago, outro misto de alegria, ansiedade e medo.. A hora estava chegando e nos estávamos quase conseguindo!! Foi então que ela disse: nada de chuveiro, quero ver você andar... Eis então que o irracional transcende o racional, que a mente já não manda mais no corpo e que os instintos mais primitivos começam a tomar conta... A partolãndia chegou junto a contrações de 1 em 1 minutos que duravam 7 longos minutos... Não escutava mais nada, só caminhava e rezava, pedia pra que nossa senhora me ajudasse a trazer meu filho ao mundo, que ele chegasse com saúde e respeito e pra juntos conseguíssemos que ele viesse assim... Não queria saber de musica e nem de conversa, coitados da doula e do meu marido... Já passavam das 5 da tarde, as dores me consumiam de ocitocina e de alegria ao mesmo tempo que faziam com que as lagrimas caíssem.. Vi a banqueta ali no canto e disse: quero sentar nela.. E ali sentei... Um tempo depois disse: quero fazer força... E fiz... A dra chegou e me examinou, batimentos ok, bebe encaixado, quase coroando.. Eh daqui ela não sai!! Foi um corre corre, como assim ela vai ter no quarto? diziam as enfermeiras, sim ela vai ter no quarto! Lembro bem da enfermeira chefe me dizer: mas a gente te poe na maca e em 3 min estamos no centro cirúrgico e eu respondi: você não esta entendendo, meu filho vai nascer aqui! 
E entre pessoas entrando e saindo, instrumentos chegando, todo mundo foi se posicionando e eu ali, já não sentindo mais dores, sentindo um misto de felicidade e ansiedade, a hora havia chegado... Sem pressa, sem apavoro, sem nenhum tipo de intervenção... Dra, estou sentindo um cheiro de queimado, é em mim?? Não minha flor, são os instrumentos que passaram pela autoclave... E então o riso momentâneo me deu folego, para respirar e fazer força para o próximo empuxo... E assim, devagarzinho fui sentindo através do olhar do meu marido que ele estava chegando... Senti sua cabecinha, senti que ele estava ali, a pouco centímetros de nos.. E então, as 18hrs e 30 minutos ele chegou! Nossa tudo passou, o mundo parou e ali estávamos nos, com aquele milagre em mãos.. Mal consegui chorar tamanha alegria, amor e um misto de sentimentos inenarráveis... Ele me olhou com aqueles olhinhos pequenininhos e também não chorou mais.. E ali ficamos, nos olhando, nos sentindo, nos conhecendo... O papai João cortou o cordão depois que parou de pulsar, e então Marco Antonio mamou e eu experimentei a sensação indiscriíivel de ter ali nos meus braços, o bem mais precioso da minha vida... 
Dia 17 de novembro de 2014, o dia escolhido por ele, na hora dele, do jeito dele... Cercado de amor, respeito e carinho.. Amor do papai João Ricardo Franco Caldeira que desde sempre soube que essa seria a nossa melhor forma de trazer ao mundo o nosso príncipe, que se empoderou, que mais do que estar ao lado, viveu e participou de cada momento, apoiou, me mostrou meu lado mulher e que meu corpo era capaz... agradeço a Deus por ter te colocado em meu caminho e por ser o melhor pai que Marco Antônio poderia ter! Te amo desde sempre e para sempre!
Respeito da Dra Paula Lidiane, o primeiro anjo que Deus colocou em nossas vidas, um exemplo do que é seguir a medicina, amar a profissão, cuidar do próximo e acima de tudo ser exemplo.. Nunca conseguiremos agradecer o suficiente por tanta dedicação... Nossa eterna parteira! 
E carinho da querida doula Fabrina, o segundo anjo, as mãos de fada, o abraço acolhedor, os olhos que acalmam, as palavras que empoderam.. Enfim, tudo o que precisávamos naquele momento era um ser como vc ao nosso lado! Obrigada eternamente obrigada! 
Não posso deixar de agradecer a minha tia Dra Jussara Martins, pediatra exemplar e que nos apoiou desde sempre, esteve ao nosso lado e cuida do nosso pequeno tao bem desde a barriga! Agradecer também quem me apoiou logo no inicio de toda essa Jornada,Renata, você é muito especial! Obrigada pelas dicas, apoio e por nos mostrar que esse caminho era sim o melhor caminho! Obrigada também a minha dinda Lucimara, que sempre nos deu carinho e atenção quando falávamos do parto... A minha mãe Juceli Martins, que aguentou o coração, aguentou me ver com as dores e me apoiou também, como pode, para que conseguíssemos trazer Marco Antônio ao mundo do jeito dele... Obrigada também a minha sogra Maria Cecilia, nosso exemplo e referencia de que sim é possível, é bom, é saudável!! Enfim, agradecemos também a todos os familiares e amigos que nos apoiaram, que por vezes duvidaram e que mesmo duvidando nos ajudaram a nos empoderarmos, a buscarmos informações e acreditarmos que seria possível.
E viva o parto natural, respeitoso e humanizado! Por mais gente nascendo assim, por mais mulheres sendo respeitadas, por mais famílias se unindo, por mais anjos na vidas das pessoas e por mais bebes nascendo na sua hora, no seu dia e do seu jeito!