sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Relato de parto Thays Baes

Pródromos:

Eu já estava em pródromos há um mês, sentindo colicazinhas, dorzinhas na lombar que iam até as pernas... como se eu fosse menstruar... incomodava, mas era suportável... comecei a sentir os pródromos mais intensos depois de uma caminhada que fiz com minha mãe, voltei da caminhada exausta, isso porque nem foi por muito tempo, mas pra mim já era muito... Nesse período de pródromos perdi meu tampão numa sexta-feira, eu e meu marido ficamos super felizes porque imaginamos que o trabalho de parto estava chegando, avisei minha GO Paula Lidiane e minha doula Tati, que queria me ver no mesmo dia. Mas eu e meu esposo tínhamos um compromisso naquela noite, então combinamos da gente se ver no domingo de manhã e caso acontecesse alguma coisa, alguma dor diferente ou ritmada para eu avisá-la. Naquela noite estava sentindo aquelas coliquinhas bem chatas, mas nada ritmadas... incomodava mesmo. Quando chegamos em casa e que eu deitei na cama, ela logo passou, meu querido marido e doulo (rsrs) fez compressas quentes na minha lombar e dormi na mesma hora.
E assim foram meus pródromos, tinha dias que me davam as coliquinhas, principalmente nas madrugadas, mas de manhã amenizavam... nada ritmadas... depois da 38ª semanas começamos a ficar na expectativa de vir o TP a qualquer momento... mas sempre percebíamos que eu ainda estava em pródromos... Teve uma noite que namoramos, porque pensamos em aproveitar o momento... Decidimos relaxar. Raulzinho já vinha e tínhamos que estar relaxados e curtir. Fiquei com medo de apressar o TP, mas não... foi tranquilo... Mas na manhã seguinte saiu um sangue coagulado, fiquei preocupada por causa da cor, avisei a minha doula e a GO novamente. A Dra. disse que eu poderia estar tendo dilatação. Na ultima vez que fiz meu pré natal, ela tinha verificado que eu já tinha 3cm de dilatação e colo 100% apagado. Fui pesquisar o que seria aquele sangue coagulado e realmente poderia ser o resto do meu tampão. O tampão pode ser transparente e gelatinoso, como foi o primeiro que saiu de mim, pode ter fissuras de sangue e também pode ser um sangue escuro coagulado. Percebemos que o processo continuava, Raulzinho se aproximava. Minha DPP era para dia 25 de maio.

Trabalho de Parto:

Na madrugada do dia 18 para 19 de maio (dia em que completamos 40 semanas), senti a madrugada toda as coliquinhas e dores na lombar, aquelas mesmas do pródromos, de manhã levantei achando que só era mais uma dessas madrugadas mal dormidas de dores e que logo já passaria. Mas elas continuaram... estranhei. Meu esposo tinha ficado o mês inteiro comigo a maior parte do tempo, faltando serviço, esperando o tp chegar. E nesse dia 19 de maio ele tinha uma reunião para ir. Ele foi e eu fiquei em casa sentindo aquelas dores, mas disse a ele que talvez elas logo passariam e qualquer coisa eu ligaria. E as dores não passaram, até pioraram... percebi que era algo diferente mesmo! Já estava me ligando que era o início do TP. Na hora me desesperei pois estava sozinha em casa, parei pra pensar o que era mesmo que tínhamos que fazer nessas horas... Chuveiro, bola... Peguei a bola levei pro chuveiro morno e sentei. Ai! Não conseguia ficar sentada, doía meu períneo! Em pé mesmo, fiquei de baixo do chuveiro gemendo de dor, uma dor suportável mas que incomodava e me desesperava por estar sozinha. Cronometrei e estava ritmada e com poucos intervalos. Eu mal conseguia cronometrar e muito menos pegar no celular para visar alguém, mas eu tinha que fazer alguma coisa, mandei uma mensagem pra Dra. e pra Tati. A Tati me respondeu e disse que daqui a pouco mais era para eu avisa-la se continuasse. E eu disse "ok". Mas antes de eu retornar pra ela, ela resolveu ir lá pra casa. Eu tinha deixado a porta aberta, ela entrou em casa, foi lá no banheiro e percebeu que as dores não tinham passado e estavam ritmadas e com pequenos intervalos. Ela logo ligou para  minha GO mas ela não atendeu, talvez estivesse em um congresso, ligou para outra GO e ela também não atendeu, ligou então para mais uma, a Dra. Juliane, que atendeu e combinamos de nos encontrar na maternidade para me examinar. Fomos! Aiiii eu com aquela dor, não consegui nem arrumar algumas coisas que eu tinha deixado pra arrumar na hora de ir pra maternidade. (Eu tinha ouvido dizer que quando começassem as contrações eu poderia ficar tranquila e continuar fazendo algumas coisas que ainda faltavam, como terminar ade arrumar a mala da maternidade... Hum! Tá! Comigo isso não deu certo! Nem pensar direito eu conseguia...)
Chegamos na maternidade, a GO me examinou e eu já estava com 6 cm de dilatação. Ela já decidiu me internar. Continuei lá esperando a sala de parto ser liberada, sentindo minhas contrações. Enquanto isso a Tati teve que sair, resolver um compromisso dela e já voltava. Enquanto isso me deixou com outra doula, muito querida, carinhosa, a Fabrina. Ela me falava exatamente o que eu precisava de ouvir naquele momento. Me dava forças. Enquanto isso meu marido já havia chegado.

Fomos para a sala de parto, fiquei sentindo as dores que iam e vinham... São suportáveis, mas são bem fortes! E eu o tempo inteiro só me concentrava nelas. Entrei na piscina, as dores amenizavam. Eu não tinha nem comido nada, não deu tempo nem de tomar um café da manhã. Pegamos correndo umas bolachas de aveia e mel e água de coco, mas no TP eu quase nem conseguia comer, só queria água e as vezes água de coco. Fiquei um pouco sem energia. Eu quase não conseguia abrir meus olhos. Talvez foi a melhor forma que encontrava de me concentrar. Logo a Tati voltou para me acompanhar. Quando minhas contrações vinham, a Tati empurrava para dentro minha lombar, aliviava muito! Não queria mais ficar sem aquilo a cada contração. Meu esposo também aprendeu a fazer e também me ajudava. 
Na piscina o TP fica mais lento, eu evoluí rapidamente para 8 cm de dilatação, mas na água eu fiquei nos 9 cm por um bom tempo.
A GO pediu para estourar minha bolsa, pois queria ver a cor do líquido amniótico. Meu marido disse que tinha sonhado que o Rauzinho tinha nascido empelicado nas mãos dele. Mas enfim, permitimos que a dra. estourasse. Essa foi a primeira intervenção que tivemos. O líquido não estava escuro e continuamos. Fiquei na Fase Ativa por um longo período até dilatar os 10cm.
Entramos na Fase Expulsiva, a dra. tinha dito que o colo do meu útero ainda não estava 100% apagado, então ela pediu para afastar o colo para que a cabeça do Raul pudesse descer. Permitimos novamente, e essa foi a segunda intervenção. Eu continuava a fazer força e minhas contrações começaram a ficar curtas. A dra. pediu para aplicar ocitocina no meu braço para ajudar a prolongar as minhas contrações. Mas essa terceira intervenção não adiantou porque nesse momento eu já estava liberando adrenalina por causa do ambiente que ficou tenso depois que a dra. sugeriu uma cesária.
Continuava a fazer força e tentava me concentrar ao máximo, muitas vezes fazia força no lugar errado. E eu só conseguia aquela força longa que eu precisava, quando as contrações vinham. Mas as contrações quase não vinham mais tão intensas. E assim, eu fui ficando muito cansada e sem energia. Tentava várias posições. E a dra. pediu para ajudar massageando meu períneo. Permitimos novamente e essa foi quarta intervenção. Não sei se ajudou muito, mas meu períneo ficou mais inchada do que já estava. Acredito que isso atrapalhou a passagem da cabeça do bebê.
A dra. ficou massageando e eu fazendo força. Minhas contrações quase não vinham mais e eu estava cansadíssima. Quando a dra. mexia no meu períneo, a contração vinha. Eu precisava daquelas "dores". Eu já nem sentia mais dores. Só me concentrava na força que eu precisava fazer. Fiz várias e várias vezes. Eu já havia sentido a cabecinha do Raul, mas ela não saia. Evoluía muito pouco. Ela vinha  quando eu fazia força e as vezes voltava quando eu respirava. Achei esse processo do expulsivo muito difícil! Ficamos um bom tempo assim, a dra. falando de novo que ia indicar uma cesária e que achava que ele não ia sair. Meu marido "cozinhando em banho maria" a dra. pra ela esperar e ter mais paciência. Depois de algumas horas nessa cansativa tentativa, eu já estava quase desistindo. Disse para o meu marido que eu só queria que o Raul nascesse, não importava mais se era cesária ou normal. E ele ainda confiante, pediu para continuarmos porque os batimentos do bebê estavam bem então não tinha porquê se preocupar e desistir. E é claro que eu gostaria muito que fosse um parto vaginal. Então continuamos. Eu continuei a me concentrar. Em todo o processo, desde a fase ativa eu não conseguia quase conversar nos intervalos, eu estava muito concentrada, de olhos fechados. Estava tão cansada que se deixassem eu dormiria naquele momento. E enquanto eu continuava a fazer força a dra. disse em episiotomia. Nessa hora acredito que meu marido deve ter ficado desesperado porque ele me falava "vai amor, faz força certa! a dra. vai te cortar!" E eu continuava na minha concentração, eu já estava dando o máximo de mim, não era por causa de uma episiotomia que eu ia começar a me esforçar... Já não tinha mais o que eu podia fazer a não ser continuar... A dra. aplicou a anestesia e pegou a tesoura, eu fiz mais umas 2 forças e a cabeça do Raul saiu. Nessa hora a dra. guardou a tesoura! Ufa! Isso quem conta é meu marido porque eu estava no meu mundo, de olhos fechados, concentrada nas forças, nem sabia que a cabeça já havia saído. E eu respirava pra fazer mais força, só que nesse intervalo a cabeça do Raul ficou lá, parada até  a próxima força pra sair o ombro. Eu me lembro nessa hora de uma cena que estava a doula e meu esposo do meu lado, a dra. na minha frente, a pediatra e mais duas enfermeiras atrás da dra. e todos torcendo e fazendo força junto comigo... Até que eu senti em cima de mim alguma coisa e quando olhei eu não cái na real ma hora, fiquei por alguns segundos parada olhando o Raul em cima de mim. Eu não sabia que ele já havia saído, eu estava a maior parte do tempo de olhos fechados. E quando me toquei, abracei ele. Ele estava quentinho e coloquei a boquinha dele no meu seio. Mas ele estava sem forças, quase sem respirar. A pediatra Dra. Natacha clampeou o cordão umbilical e levaram para aspirar. Meu marido foi junto e é claro que naquele momento a única coisa que queremos é que nosso bebê fique bem. Permitimos a aspiração e só depois disso ele chorou e reagiu. Nossa, quando ouvi o choro dele, aí me aliviei, porque ficamos preocupados. Meu marido nesse momento derramou as lágrimas que seguravam toda aquela tensão. Trouxeram novamente o Raulzinho para o meu colo, mas logo ele teve que ir se agasalhar. Tive 3 cm de laceração. Trouxemos a placenta pra casa, depois vamos plantá-la junto com uma árvore.
Raul nasceu as 18h57 do dia 19 de maio de 2015, com 3.695kg e 51cm.
Enquanto a dra. terminava o parto, minha placenta caiu no chão, eu só ouvi. A dra. me disse que meu útero estava sangrando muito. Ela disse em hemorragia. Ficou preocupada e disse que precisava fazer uma revisão. Meu marido me disse que depois que a dra. saiu da sala, ele olhou como estava e não estava mais sangrando, ele se aliviou porque perceber que não era uma hemorragia. Mas mesmo assim, fui levada para a sala de cirurgia. Rebebi uma raquidiana e a dra. observou e me disse que estava tudo bem e que eu não a precisar fazer nenhuma cirurgia. Graças a Deus! Mas fiquei aquela noite sem mexer minhas pernas. Sem poder curtir direito meu bebê pois não podia nem levantar para pegá-lo. Nem me virar para dar de mama para ele. Enfim, esperei passar o efeito daquela anestesia, olhando o Raulzinho, cheirando ele quando meu marido colocava ele do meu lado. No outro dia sim, pude pegá-lo e colocar ele no meu seio de novo.

Demorei ainda alguns dias para superar e descansar do meu parto. Fiquei triste no início pelas intervenções que foram feitas e pela forma como acabou (eu com uma raqui). Mas hoje, depois de 1 mês, superei o que aconteceu, mas ainda não estou satisfeita. Acredito ainda que se tivéssemos deixado fluir e não  houvesse qualquer tipo de pressão, meu parto demoraria mais, sim, mas teria sido muito mais humanizado, tranquilo e quem sabe orgásmico. Apesar de que todas as intervenções a Dra. sempre nos pediu permissão.
Ainda quero parir novamente e quero me preparar para que a próxima seja muito melhor!

Agradeço primeiro a Deus, aos espíritos de luz e nossos anjos guardiões que nos ajudaram o tempo inteiro, desde a gestação até agora. Tenho certeza que se não fosse por Deus, não tínhamos conseguido!
A minha doula Tati que me ajudou muito, me acompanhou, torceu por mim e me deu forças! A Fabrina que me acompanhou em um pequeno momento do meu TP, mas que foi maravilhoso sua presença! Ao meu esposo maravilhoso que se empoderou, segurou firme o tempo todo e acredito, que pariu junto comigo o nosso bebê! Se não fosse por ele acreditar na gente e estar lá do meu lado, eu teria aceitado a cesária. A nossa GO Dra. Paula Lidiane que nos acompanhou em todo o pré-natal, que foi sempre carinhosa e muito atenciosa em todas as nossas consultas. A GO Dra. Juliane, carinhosa e querida que acompanhou nosso parto. Mesmo havendo algumas intervenções, acredito que ela só queria o melhor para nós e pensou em nossa segurança. E a Dra. Natacha que respeitou o tempo inteiro nosso bebê. Lembrando que todos os profissionais envolvidos leram e deram muita atenção para o nosso Plano de Parto.


sábado, 31 de outubro de 2015

Relato de parto Taciane Bonamigo e Fernando

Mais um relato de parto emocionante pra vocês se empoderarem, se imaginarem e buscarem o melhor possível dentro deste universo que é o Parto Normal. Sejam fortes, únicas e inspiradoras... sejam mulheres!

Meu trabalho de parto iniciou de uma maneira que nunca esperaria, calmo e devagar... Acreditava que minha bolsa iria romper ou iria sentir contrações fortes, mas na noite de quinta-feira (10/09) ás 22:00 hs comecei a sentir pequenas contrações, porém já meio frequentes ( de 5/5 minutos). Avisamos a nossa doula, que entrou em contato com nossa obstetra Dra Sandra Valéria a qual nos orientou ir á maternidade só pra avaliação e avaliar os batimentos cardíacos do nosso filho. Assim, fomos eu e meu marido para a maternidade aonde ficamos sabendo que estávamos com 2 cm de dilatação e que deveríamos voltar para a casa. Pois bem, voltamos, fui até dormir, pois as dores estavam suportáveis, quase leves. Lá pelas 02:00hs acordei com as contrações oscilando entre 3 e 6 minutos decidimos voltar para a maternidade. Desta vez a Dra. pediu que já nos internássemos ( pois já não haviam vagas na maternidade)... Depois de pouco tempo, nossa doula Fabrina chegou e começamos a nos exercitar: bola, agachamentos, massagens, compressões, tudo para aliviar e estimular melhor as contrações. Pelas 09:00 hs da manhã as dores já estavam mais intensas e fui para o chuveiro com meu marido para tentar amenizar... Fiquei lá por um tempo, até que a dor começou a ficar insuportável e então a Fá pediu pra Dra solicitar a sala de parto que tinha a tão sonhada banheira... mas nem precisou, ela já havia reservado !! Descemos então á sala de parto, onde recorri á banheira... Neste momento a dor começou a ficar indiscritível, pensava que não iria conseguir ir a diante e comecei a pedir analgesia, cesárea e tudo aquilo que anteriormente havia dito que não gostaria que fosse realizado neste dia. Há todo momento a Sandra, a Fabrina e o meu marido ficavam me relembrando o quanto eu havia me preparado para o parto e não podia abrir mão disso... Quando realmente já estava esgotada, a médica fez o toque e estava com 9 pra 10 cm !!! Um pouco mais e já fomos pra banqueta... estava na hora do meu manino nascer... Comecei a fazer força, muita força porém não via o desenrolar do parto, até que a Fá pegou um espelho e me mostrou que a cabeça do meu filho estava coroando, contração atras de contração, mas a Dra que ficava a cada minuto ouvindo os batimentos do meu Joca, falou que os batimentos dele estavam começando a cair e ele tinha que nascer. Naquele momento me conectei e falei com meu filho... " Vamos nascer filho"!!  
Naquele momento me conectei e falei mais com meu Joaquim, que iríamos fazer aquilo junto e que eu estava o esperando e tinha chegado a hora dele nascer. Nesse momento a médica ouviu novamente os batimentos e já estavam regulares de novo. Aquilo para mim foi tudo... me deu toda a força que precisava e eu olhando pro espelho, fazendo força, ví quando ele nasceu e veio direto para meus braços...
Hoje, revendo este dia pelo qual me preparei tanto, vejo que tenho muita sorte. Principalmente por ter um marido único, que ficou ao meu lado desde o momento da escolha do parto humanizado até o nascimento, me incentivando e me dando o suporte necessário para que eu pudesse parir o nosso filho com muito amor.procurou me instruir, me incentivar e que na hora do parto, as suas mãos foram milagrosas, me massageando, 
Muita sorte por ter uma médica que ficou na maioria do parto calada, mas quando foi necessário me disse as palavras mais doces do mundo ao meu ouvido. Obrigada Dra Sandra! 
Sorte também porque encontrei um anjo intitulado como doula, que ao longo de toda a gestação procurou me instruir, me incentivar e que na hora do parto, as suas mãos foram milagrosas, me massageando com todo carinho do mundo, fazendo manobras que me fizeram suportar tudo aquilo. Que bom que em Campo Grande temos profissionais como vocês, que optaram não pelo caminho mais fácil (pois o parto vaginal demanda de muito tempo destas pessoas, tempo que poderiam estar com suas famílias e em suas casas) mas optaram por auxiliar "estranhas" a cumprirem o sonho de trazerem seus filhos ao mundo simplesmente da maneira mais humana e doce possível. 
Obrigada minhas lindas por respeitarem este momento de fragilidade, por me respeitarem enquanto mulher e por respeitarem a vida do meu filho. Por isso, eu lhes devo minha eterna gratidão! 

Por Taciane Bonamigo , esposa do super pai Fernando e do filho amado Joaquim <3 




















sábado, 10 de outubro de 2015

Os dois lados

Por Amanda Maymi 

Ontem eu chorei. Chorei porque presenciei a violência obstétrica como nunca antes. E porque fui feita sua cúmplice. Ela chegou com dor. Eu a recebi na admissão no período da manhã. "Dor de chorar". Ela foi internada com 6 centímetros de dilatação. E dor "de chorar". Durante a tarde eu estava no Centro Obstétrico. Eu não a havia reconhecido até ela me chamar para me lembrar de sua dor. Me disse que a médica havia prometido um remédio e eu fui conferir. Ao chegar na bancada da enfermagem encontro uma profissional preparando um soro para ela. Não era analgesia, era ocitocina. Ela chorou. Muito mais do que eu. A esse ponto eu nem imaginava que iria chorar por ela. Ela chorou várias vezes. Dois toques. 9 centímetros. "Agora para de gritar e faz força pro teu bebê nascer". Ela não conseguia lidar com aquela dor. Na gestação anterior, um trabalho de parto prolongado que "evoluiu" para cesárea. Ela pedia para ser cortada de novo, de tanta dor. "Não vai dar, vai para a mesa de parto". Mais gritos. "Fecha a boca para fazer a força certa". Eu não era mais estudante de medicina nesse momento. Era doula. Tentava consolar aquela mulher cercada por médicos e outros profissionais. O pai ficou fora da sala. Não estava "preparado psicologicamente" segundo o chefe. Eu não acompanhava mais o andamento do parto. Só conseguia olhar para ela. Tentava falar com ela. Ela não queria mais falar. A violência já havia sido demais. Contração. Grito. O médico, que estava do outro lado da paciente, posiciona o antebraço sobre sua barriga e eu já sei o que vai acontecer. Ele começa a pressionar, fazendo a manobra de Kristeller (banida pela OMS, Ministério da Saúde e Conselhos Regionais e reconhecida como violência obstétrica pelo Ministério Público). Respirei. Mais gritos. "Prepara o kit de episio". Nesse momento, ele abre a mão bem na minha frente, e essa imagem ainda não saiu da minha cabeça. Eu já havia entendido, mas não queria. "Segura aqui minha mão", ele disse para mim. Segurei. Durou uns 20 segundos. Gritos. Ele soltou a minha mão e tudo o que consegui fazer foi sair dali. O mais rápido que podia. As lágrimas já começavam a rolar. Não consegui voltar. Depois soube que além da episiotomia, foi utilizado fórceps. Ela não quis dizer o nome do bebê. Ela não quis dizer mais nada.
Hoje eu chorei. Chorei porque vi a humanização na obstetrícia tomando forma real. E porque fui feita sua cúmplice. Era sua primeira gestação. Ela acordou com dor. Não sei com quantos centímetros ela chegou, eu não estava lá. Mas logo já estava com 8. Quando me pediram para escutar os batimentos do bebê ela já estava com 9 centímetros e fazia um bom tempo que estava debaixo de chuveiro. Entrei o banheiro e vi uma cena inédita. Ela não estava no banquinho, relaxando embaixo d'água. Estava em quatro apoios, aproveitando cada contração. "To sentindo aqui embaixo". Encontrei os batimentos bem baixos mesmo. Estava quase na hora. Ela pedia para ver no espelho. "O que eu devia estar vendo?". "Espera a próxima contração que você vai ver", eu disse. Dito e feito, na próxima contração já estávamos vendo os cabelinhos. A música instrumental ficava mais baixa naquele cômodo, mas era audível. Ouvi até alguém comentar que gostava de uma das músicas quando começou. Mais duas contrações e a cabeça já estava lá. Mais duas e eu tinha o bebê inteiro nas minhas mãos. Ali mesmo. Debaixo do chuveiro, em quatro apoios, ela pariu. Eu, de joelhos, já estava meio molhada também. Coloquei o bebê em seus braços e em poucos instantes eles estavam trocando olhares. O cordão ainda pulsava, portanto permaneceu intocado. A avó cortou o cordão. Fomos para a cama aguardar a placenta descer. Enquanto isso, mãe e bebê aproveitavam o contato pele-a-pele. Pele com pele mesmo, sem roupa entre os dois, permitindo o importantíssimo primeiro contato. A placenta desceu sem qualquer problemas. Lacerações? Uma parauretral de primeiro grau e mais ou menos um centímetro. Sem necessidade de pontos. Ela levou a placenta para casa, mas antes disso fizemos a Árvore da Vida, essa aí na foto.
Ontem eu não sabia o que fazer, estava sem chão e sem esperanças. Hoje, recuperei minhas forças e minha vontade de lutar. Acredito que TODA MULHER merece atendimento humanizado, seja em parto natural, domiciliar, hospitalar ou cesariana. Porque diferente do que me ensinaram na faculdade, não acho que parto humanizado e parto seguro sejam coisas dissociadas. Inclusive, sentiria vergonha (e não orgulho) de dizer que faço parto seguro, não humanizado. Porque isso é admitir o que todo mundo já sabe: que o atendimento dado a muitas parturientes é desumano. E é por isso que não deixarei de lutar. Porque, citando um amado amigo meu, "Não se trata de humanizar as pessoas. Essas já são humanas. Se trata de humanizar as relações."

Estágios da dor do parto

Os 5 estágios da dor do parto...
Lí neste instante este texto... achei bacana, diria que verdadeiro!!

Não devemos ocultar das mulheres que o parto é livre de dor... não, nunca! Ela deve saber que dói... toda via de nascimento dói. Ou dói na hora ou dói depois, ou a vida toda. Sabe porquê? Porque nós sempre vamos sentir dor por nos tornamos mães, por sermos mãe, por nossos filhos... quando eles chorarem por qualquer motivo, quando eles caírem, quando eles forem desprezados por alguns coleguinhas, quando começarem a amar, quando negarmos algos a eles, quando saírem de casa... e etc!! Portanto, não tenha pavor da dor, apenas trabalhe junto dela! Não pari, não sentir dor de parto normal. Lembro da dor do pós operatório da cesariana sim, mas também não foi a morte!! Assim como vejo que a dor que muitas "doulandas" sentem na hora do trabalho de parto e parto, também não são a morte. Acreditem..... você consegue! E se não conseguir???CLARO QUE VOCÊ CONSEGUIU... conseguiu até o seu limite!!! Você NÃO vai ser menos mãe se pedir analgesia! Na cena do parto , pode haver dor o que não pode ter é SOFRIMENTO, TORTURA! Todas temos limites. Força, foco e fé!! Bjs Fabrina Flores ( Doula )

Segue endereço deste lindo texto by Carol Darci

 http://caroldarcie.tumblr.com/post/91973458369/os-5-est%C3%A1gios-da-dor-do-parto

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Relato de parto- Leydy

E no dia 14/09/15 as 18h25min com 39 semanas e 01 dia meu Pedro Henrique veio ao mundo.
Acordei na segunda com a intenção de ir ao trabalho e depois ir a consulta de rotina as 10h com a Dra Sandra , porem o sono era maior e resolvi ficar em casa e ir direto para consulta as 10h. Acordei as 09h e fui tomar banho...Ao ver meu pipis percebi que desceu uma clara de ovo com um filete de sangue...pensei aff deve ser o tampão que esta caindo...não senti dor nem nada. Fui para médica.. Ao estacionar senti dor de cólica...isso já era 9h50...eu que adoro o sofá de espera do consultório, comecei a sentir um incomodo ao não achar uma posição confortável para sentar, pois sentia uma cólica chata....não era dor...era um simples incomodo...acho que lá pelas 11h00 entrei no consultório e já cheguei falando pra Dra: “To com uma dorzinha chata, e no  meu pipis saiu uma gosma tipo clara de ovo...
Dra.  me informou que a clara de ovo era meu tampão que havia saído e resolveu verificar se havia dilatação.....a surpresa foi eu já estar com 6cm de dilatação e sem dor!!!....só uma coliquinha de nada...
Enfim fui informada que o Pedro Henrique chegaria numa segunda.... Liguei para marido, mãe e Fabrina claro.. Dra. reservou as 15h a maternidade e pediu q voltasse ao consultório as 14h para me avaliar novamente...fui pra casa me forcei a almoçar.....e fiquei ansiosa a cada dor de coliquinha que vinha...parecia nada...coisa normal de mulher em dia de mestruação....voltei ao consultório e já estava com 8cm de dilatação!!!! Uhullll...nada de dor insuportável...tudo normal.
Fui para maternidade...apartamento...marido, doula, mãe,  bola...dores um pouco mais fortes.....desce sobe na bola.... manobras da doula...conversas...risos.... e Fabrina me instruindo que o que eu sentia era a tão famosa contração...foi fundamental sua presença...ela  me acalmava, me lembrava que não devia perder o controle da situação... Me massageava e usava o oleozinho dela....mais conversas, risos, dores suportáveis e ansiedade controlada através das palavras de minha doula, meu lindo marido e uma mãe maravilhosa...não poderia querer nada melhor...15h30 Dra chegou.... Depois não me lembro que hora ocorreu nas enfim senti a bolsa estourar 9cm de dilatação e achei que era a cabeça do meu menino já saindo kkkk enfim sala de parto...juro que podia ir andando pra lah...rs Mas fui na cadeira de rodas .
Sala de parto...senti contrações descompassadas...
Quando a dor chegou um pouco mais forte que antes, a Fabrina e a Dra encheram a banheira e lá entrei... fui p banheira relaxar as dores e quase dormi.... é bom la....mas  relaxar muito e isto não ajudou....relaxei demais...e marido me apoiando, doula me instruindo sobre meu proposito e massagem...mãe apoiando.. gostoso lah...mas as contrações voltaram a ficar descompassadas e então saí da água... Já sentia puxos porém...
Fui banqueta onde eu jurava que seria o parto e queria q fosse...la me esforcei....mas as contrações vinham em passos lentos...mas nada...Dra me informando q não fazia a força correta...força de coco saindo. Fazia força no pescoço...já não sabia o que fazia...já não ouvia doula,  marido só pra apertar mesmo rs...Oxitocina na veia....e adivinha nada de funcionar!!!..Como assim oxitocina e nada de contração¿¿¿...Até a Dra.  resolveu me levar pra maca e pedir para eu fica de cócoras lá segurando um ferro...enfim deu certo na questão de fazer a força correta...porém nada de contração ...mais oxitocina e nada.......contrações não vinham de forma frequente...
Parto foi na raça...com muito custo veio uma contração forte...deu pra ver a cabeça....ia lacerar muuuuito...dra. informou que tinha que corta...falei naoo corta...marido falou naoooo corta....dra informou , mostrou bem para meu marido e explicou.... precisa mesmo cortar..ahhh marido disse corta!  Enfim cortou...outra contração...cabeça do meu menino saiu....mas acabou a contração...desespero...quero dor...quero contração...meu filho precisa sair...não vou conseguir....socorro...aff quero quero contração....veio uma contração fraca e enfim com uma força sobrenatural...meu PH saiu...direto para meus braços...não entendi...não acreditei....ele estava ali...lindo e meu ...pediatra já colocou no meu seio e ele não mamou mas ficou com a boquinha já no lugar estratégico rs...sem chorar quieto sentindo meu coração e meu cheiro...tudo tão rápido e tão devagar...parecia horas enfim no meu peito ali quentinho no meu colo...marido cortou cordao e enfim baby saiu com o pediatra...chorouu Placenta saiu...isso doe rs Dra. costurando o pique e marido e mãe apaixonados por Pedro Henrique.
Enfim meu menino voltou aos meus braços e deles não sai mais!!!!
Espero que eu consiga ajudar muitas mulheres que buscam este universo! 
Ass: Leydy


https://ssl.gstatic.com/ui/v1/icons/mail/images/cleardot.gif

sábado, 26 de setembro de 2015

Convite!!!

Hoje tem roda de bate papo do Grupo Gamaal , as 15 hs
Você mamãe gestante ou não, não pode perder!!

domingo, 13 de setembro de 2015

Relato de Parto- Ariane Nantes

Nem tudo que programamos sai como queremos ou idealizamos, mas o importante de tudo isto é que no final tudo ocorra bem e termine de maneira feliz, e mesmo um final não tendo chegado ao meu objetivo, meu final foi feliz e me serviu de lição, e que  outras pessoas possam  ler meu relato agora e terem como exemplo.

Me chamo Ariane, mãe do Pedro (2 anos) e Vicente (1 mês), e lutei com todas as minhas forças!
Não gosto de expor minha vida, mas quando podemos ajudar outras pessoas acho importante contar nossas experiências... E que experiência né Fabrina, Dra. Sandra e comadre Nadia, e amigas Luciana e Fran.
Descobri minha gestação um pouco avançada, com 16 semanas (4 meses), foi um choque, pois tomava contraceptivo, não foi nada fácil aceitar que estava grávida de 16 semanas, não estava em meus planos, e foi difícil aceitar algo que não programei.
Fiquei perdida nos primeiros dias, com um filho de 2 anos e outro que logo nasceria, quando parei para pensar já me veio na cabeça, digo na cabeça por que ainda não no meu coração, que teria um parto normal para facilitar os cuidados que teria que ter com 2 crianças, digo porque não tive uma boa recuperação da cesariana, e acho que fiquei com um pouco de trauma.
Logo pensei, para ter um parto normal vou precisar de ajuda, e imediatamente veio a querida Fabrina, nos conhecemos quando trabalhamos juntas na Unimed, e ela também fez drenagem na minha primeira gestação, entrei em contato pelo face com ela, onde relatei minha situação, a Fabrina é uma linda, me colocou pra cima, só me falava coisas boas, sempre muito otimista me tranquilizando pois estava sendo difícil eu aceitar que estava grávida, e me orientou tudo sobre parto normal humanizado.
Como é muito comum, minha médica era e é cesarista, e a Fabrina até me acompanhou em uma das consultas de pré natal , pois eu bati o pé e disse pra Fabrina que minha médica fazia parto normal (hoje sei que não faz, é daquelas que falam mas não fazem). Tivemos dois encontros, onde a Fabrina me explicou tudo o que podia acontecer, me explicou sobre as transformações do meu corpo, tipos de parto, analgesia para parto normal ( riscos e etc), falou das fase do trabalho de parto e do parto em sí!! No ultimo encontro saí um pouco preocupa pois achei  a Fabrina um pouco radical quanto a escolha da minha medica, ela me instruiu que talvez pudesse trocar por uma medica com maior aceitação ao parto humanizado, não gostei muito da idéia, pois eu acreditava em minha médica. Conversei com minha medica na consulta e ela disse que iria fazer meu parto normal.
Ate ai tudo bem, quando completei 37 semanas em uma segunda feira, minha medica que dispõe em seu consultório de aparelho de ultrassom achou que estava com pouco liquido, e pediu que realizasse outro ultrassom para ter uma segunda opinião, começava ai minha jornada de exames e preocupação, passei a noite acordada tomando água porque achava que meu bebe poderia estar sofrendo. No outro dia cedo estava eu realizando exame, quando o Dr. falou que estava tudo bem, que meu bebe era grande e a quantidade de liquido estava normal pela quantidade de semanas, mandei mensagem para medica avisando que estava tudo bem.
Passada uma semana, estava eu novamente na consulta com 38 semanas, com o exame em mãos, a medica disse que não concordava com o resultado. Novamente ela fez o ultrassom em seu consultório e afirmou que ainda achava que tinha pouco liquido e pediu para repetir o exame e que iria induzir meu parto. Pedi que ela fizesse uma carta para que eu entregasse ao mesmo medico que fizera meu exame anteriormente, pediu que eu retornasse naquele mesmo dia com o exame para decidirmos que decisão tomaríamos. La fui eu fazer o exame, entreguei a carta ao medico que após certificar que não estava com pouco liquido me orientou a procurar uma segunda opinião. Não pensei duas vezes, não voltei ate hoje na medica!!
Nesse meio tempo me desentendi com a Fabrina porque sou cabeça dura, e havia dispensado o seu atendimento, pois na época que acreditava na minha médica achava que a Fá estava exagerando, mas aí já tinha passado tempo e agora não tinha a quem recorrer, e só pensava em tudo que a Fá me falava, e o que estava acontecendo comigo. Pois mesmo não confirmando com ela se ia querer Doula, ela me orientava pelo whats e me deixava calma... mas logo meu desespero tomava conta. Mas não tive duvidas, vou pedir a ajuda da Fabrina, na pior das hipóteses vou receber um não. Mandei whats pedindo socorro, que estava desamparada e que queria uma consulta com a Dra. Sandra Valéria, e ela não  negou ajuda apesar de eu ter sido dura e injusta com ela.
No outro dia lá estávamos na consulta com a Dra. Sandra, foi aí que nasceu em meu coração a vontade de ter meu bebe em um parto humanizado, porque estava rodeada de pessoas maravilhosas, antes só sentia medo e achava desnecessário uma doula ou uma medica me acompanhando durante todo o trabalho de parto. Mas hoje vejo que o sistema é falho, e que pra parir ou tentar parir com respeito no Brasil, requer equipe humanizada!
Sempre achei que meu bebe nasceria quando completasse 40 semanas, engano meu, começou ai a mais longa espera da minha vida, chegar as 40 semanas era muito, imagine esperar ate 42 semanas!! Mas eu esperei!! Foram idas e vindas, cardiotocografias (as vezes a Dra. pedia só pra me deixar tranquila e a família também) para checar o coração do bebe, prodomos, e ate falso trabalho de parto.
Chegada as 42 semanas tudo do mesmo jeito, nenhum sinal, nada de contração, tampão, etc. No consultório a Dra examinou pela manhã e nada, mais exame e tudo bem comigo e com meu bebe, fui para casa esperar e esperar... A noite por voltas das 22 horas começou as contrações doloridas (que eu achei que eram doloridas rs) corri para o hospital e Dra Sandra me examinou, estava do mesmo jeito, sem dilatação, colo fechado e duro, me medicou com buscopan e as contrações foram embora, fui para casa, chorei muito, pois a ansiedade só aumentava. Teve uma madrugada que eu achei que minha bolsa tinha rompido, até acordei a Fabrina, a qual me orientou a ligar para a Dra. e descobri que não era.
No dia seguinte (terça-feira 11.08.25) passei o dia em casa quietinha, chorei muito, me desesperei me acalmei, e rezei para que minha hora chegasse logo, tinha dentro do meu coração que não ia desistir, que só seria submetida a uma cesariana se fosse necessário para preservar a saúde do meu bebe e a minha. Por volta das 21:00 hs comecei a sentir as contrações, muito irregulares, a dor era suportável, pensei comigo, vou ficar quietinha, não vou alarmar ninguém e nem vou sair correndo para o hospital, eram bem irregulares, 25 minutos, 15 minutos e ate de 5 minutos. Mas chamei a Fabrina no whats app e a mesma estava na maternidade com a Dra Sandra em outro Trabalho de Parto. A Fá me explicava o que eu estava sentindo e dizia pra eu ficar calma, e caso eu entrasse em TP que ela não poderia ficar comigo, e me indicaria outra doula.
Passei a noite sentindo elas, dava ate pra cochilar, quando amanheceu o dia (quarta-feira 12.08.15), mandei mensagem para Dra Sandra que pediu que fosse ate o hospital onde estava de plantão, chegando la, quando fui examinada nem acreditei no que ela disse, colo amolecido, e inicio da perda do tampão, nossa fiquei muito feliz, já tinha dilatação, acho que era 1cm, não me lembro bem, fiz novamente os exames, cardiotoco e us com Doppler, tudo ok com o bebe. Há não posso esquecer da enfermeira Adélia que fez alguns procedimentos para me ajudar com a evolução do TP, uma fofa ela, me ensinando a respirar, e nem sabia eu que logo eu precisaria respirar como nunca. Fui para casa esperar a evolução das contrações, e por volta das 13 horas fiquei igual uma doida, elas estavam ritmadas em 5 em 5 minutos, coisa de doido, Dra Sandra pediu pra que eu fosse a maternidade que uma colega dela iria me examinar, liguei para minha comadre Nadia me levar para maternidade, ela veio de jato, acho que foi a primeira vez que ela socorreu uma grávida. Ao ser examinada ainda não tinha indicação para internar, mas pedi que ficasse internada pq em casa não ficaria bem, e confesso que tinha medo também.
Dra Sandra orientou ligar para Fabrina, e agora ¿¿ não sabia se ela ia me aceitar de volta pq não havia conversado claramente com ela, pedi que ela me acompanhasse, ela ate me indicou outra doula, pois ela tinha doulado a madrugada toda e tinha compromissos e eu havia desistido de doula L Mas queria ela, graças a deus ela aceitou me acompanhar, disse que assim que desse as aulas dela daquela tarde, ela iria lá ficar comigo. E ela foi e foi essencial. Passei a tarde com as contrações que eram doloridas porem suportáveis, passei o fim da tarde e inicio da noite em companhia da comadre Nadia, amiga Fran e amiga Luciana. Logo chegou a Fabrina, e a Dra Sandra, as contrações ficaram mais intensas e com intervalos curtos, meus Deus como doíam, esquecia de tudo, ate de respirar, nessa hora uma Doula é indispensável, com ela não tinha medo de seguir em frente, e claro com a minha linda Dra Sandra ali, tinha tudo para confiar que tudo ia acabar bem.
Dra me examinou, tinha dilatado acho que 5cm, mas ao exame a Dra optou por estourar a bolsa, assim ela fez, e o motivo pela qual ela optou foi confirmado, junto ao liquido havia mecônio, e logo fui submetida ao exame de cardiotoco, estava tudo ok com os batimentos, ainda podíamos continuar.
As contrações estavam muito doloridas, quase não me davam tréguas, mas eu aguentava firme, até que chegou uma hora que eu não aguentei e pedi analgesia, estávamos no apartamento e a Dra acho melhor me avaliar novamente para ver em que plano meu bebê estava e a dilatação. Vicente ainda estava alto, segundo o termo usado pela Dra e eu já estava com 8 cm. E para o procedimento de analgesia fomos para sala de parto. Depois da analgesia meu corpo relaxou, mas logo a Dra percebeu grande quantidade de mecônio, ao me deitar para mais uma cardiotoco as contrações continuaram, porem após a cardiotoco ficar pronta, tanto a dra quanto a especialista que fez o exame avaliarem os resultados, veio a definição... o exame não estava muito bom e o mecônico que antes era fluido, estava espesso! Ela me explicou que se o Vicente estivesse baixo, e eu com dilatação mais avançada, talvez daria pra continuar, mas não saberíamos aí quanto tempo levaria mais para ele descer e eu dilatar os 2 cm que faltavam. Seria muito arriscado para meu bebê.
Então a cesariana foi mais que indicada, foi necessária, para preservar a vida e o bem estar do meu bebê!!! Não tive em aceitar, pois confiava nela, e queria o melhor para meu filho, só queria que ele nascesse bem, e fui ate onde tive segurança, na hora poderia ter pensado: nadei nadei e morri na praia, mas não foi o que senti, senti orgulho de ter esperado ele querer nascer, de estar ali com aquelas pessoas humanas e carinhosas, e saber que não sofri nenhuma violência obstétrica.
Dali fui para centro cirúrgico, mil coisas se passaram na minha cabeça, a lembrança da primeira cesariana, senti mais medo naquele momento, mas sabia que logo teria o Vicente em meus braços, naquele momento chorei muito, queria ter a oportunidade de parir meu filho, não era um sentimento de fracasso, mas sei lá, pensei, Deus sabe o que faz, e eu sempre aceito o que escolhe para minha vida, deve ter algum sentido tudo isso.
Dali para frente queria ver logo a carinha dele, choramos eu, Fabrina e Nádia, e por volta da 01:00 da madrugada do dia 13.08.15 nasceu aquele bebe enorme, saudável, sujo de mecônio mas sem nenhuma complicação, chorando forte e lindo.
Vicente nasceu com 42 SEMANAS E 4 DIAS, 4.050 k, com 51cm, uma lindeza, foi colocado nos primeiros minutos no meu seio para mamar, coisa mais linda, só tenho a agradecer a Dra. Maravilhosa Sandra Valéria, agradeço a Deus por ter deixado ela cuidar de mim, agradeço a Fabrina pela paciência e amizade, ao Dr. Durval Palhares o pediatra que cuidou do Vicente e não fez nada que não fosse preciso, a minha linda comadre Nádia por ter passado todo o trabalho de parto ao meu lado, e as amigas Luciana  e  Francille pela amizade e companhia.
O que eu aprendi com tudo isso não cabe em palavras, a dor do trabalho de parto é inexplicável, talvez até esqueça aquela intensidade, mas meu coração ficou marcado para sempre, esperar até onde a segurança foi fundamental para evolução do bebe, sei que sou uma boa mãe, mas me sinto diferente, não sei explicar, o amor pelos meus filhos não tem diferença, mas me sinto mais realizada, feliz e mais completa, apesar do final não ter sido como eu queria... mas me sinto sim, forte e guerreira!
Este foi meu relato... espero poder ajudar a você que busca um parto com amor, respeito e que sua decisão de PARIR não seja desencorajada por ninguém, e sim por reais motivos! Fiquem com Deus. E confiem!!